Criado por: Damon Lindelof, Tom Perrotta

Com: Justin Theroux, Amy Brenneman, Liv Tyler
Gênero: Drama
Duração: 10 episódios – 55 minutos
Lançamento: 2014
Não poderia ter resenha mais apropriada para este dia de hoje. Já imaginou ter familiares, amigos e conhecidos desaparecidos de uma hora para outra em um fatídico dia, sem qualquer explicação? Já imaginou presenciar eles sumirem diante dos seus olhos? Há 3 anos a população mundial tenta entender o que aconteceu no dia 14 de outubro. Dois por cento da população simplesmente desapareceu, sem deixar qualquer tipo de rastro, não existe um padrão, dentre os desaparecidos estão jovens, crianças e idosos. 
É na cidade Mapleton, Nova York que conheceremos a família Garvey, que sofre as consequências desses desaparecimentos, mesmo que sua família tenha saído “ilesa” do acontecido. Juntamente a eles, vamos acompanhar como a sociedade está, os ditos leftovers, ou seja, os deixados para trás. Vamos descobrir de que maneira a população vem se recuperando ou não e de que forma poderão se reencaixar, mesmo que a dor esteja latente por ali. Tudo mudou para esta população, nada mais será como antes, os costumes se acabaram. Até o catolicismo foi extinto. A sociedade foi quebrada, e sua fé foi à ruína naquele mesmo dia, aquilo que os mantinha em pé. Diante um fato tão devastador como reconstruir suas vidas? 

Kevin Garvey (Justin Theroux) é o chefe de polícia da cidade, e tenta manter a ordem e a esperança para esta população traumatizada. O que parece ser uma missão impossível, pois Kevin não consegue proteger sua própria família, que aos poucos parece desmoronar. Seu filho Tommy (Chris Zylka) larga a faculdade para seguir um profeta em busca de explicações. Jill (Margaret Qualley) sua filha mais nova, não é mais a mesma garotinha que no meio de todo este conflito tenta se reajustar. Tudo piora quando sua mãe Laurie (Amy Brenneman) resolve abandonar sua família para se unir a um grupo religioso chamado os Culpados Remanescente, que tem um único propósito, lembrar a população do que aconteceu naquele dia, manipulando emoções, alertando-os de que não é possível seguir em frente.

No meio da trama somos apresentados também para Nora Durst (Carrie Coon), uma lenda. Nora perdeu seus dois filhos e seu marido e a forma que ela encontrou para seguir é algo! Nora te levará a extremos emocionais sem dúvida alguma. Ela te desafia a se questionar com seus dilemas e para mim ela é umas das personagens mais fortes da série juntamente com Patti, (Ann Dowd) líder dos CR.
Leftovers não é uma série para todos os gostos e se você espera ter todas as explicações na primeira temporada pode tirar todas estas expectativas da cabeça (não poderíamos esperar menos de Damon Lindelof né?!). A série definitivamente foca nas pessoas, além ser uma leve crítica a sociedade, a série fala mais sobre a “morte” e a aceitação dela, já que a dor é sempre pior para quem fica para trás, certo? Claro que eu não poderia deixar de comentar também a trilha sonora incrível da série, que conta com duas músicas de peso, como a introdutória Retrogade de James Blake e a majestosa Nothing Else Matters instrumental do Metallica, executada pelo grupo Apocalypitca. Pode ser melhor?

Com um enredo inteligente, complexo e misterioso (Oi, Damon de novo!) a série faz seu papel com maestria, mesmo que tenha um ritmo lento no começo, de forma alguma deixa a história estafante. Nós telespectadores, somos obrigados a pensar e refletir sobre vários acontecimentos da vida, e nos mostra o quanto não estamos preparados para certas situações, mesmo tão bem evoluídos. Aliás, isso é uma abordagem notória na série, a forma que algumas pessoas resolveram lidar com esta situação é revoltante, enquanto de um lado temos aqueles que lutam para seguir e se agarram a outros propósitos, do outro temos aqueles que não permitem que isso aconteça efetivamente. No meio disso, também existem aqueles que simplesmente desistem, por serem apenas covardes demais.
A série é baseada no livro bestseller homônimo de Tom Perrota. Para aqueles que curtiram tanto quanto eu, podem comemorar, em agosto a série foi renovada para sua segunda temporada. Concluindo, eu super indico esta dramática série para quem curte uma vibe mais complexa e reflexiva, aqui solidão, perdas e aceitação se colidem com as diferenças de cada indivíduo, te levando aos poucos para uma relação de tempo-espaço impossível de sair, até que você assista o último capítulo.

Por fim deixo a pergunta, se você perdesse sem explicação alguma, a pessoa que mais ama, você aceitaria? 

Assista o primeiro episódio AQUI.

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