Resenha: Delírio

08 nov, 2014 Por Lili Dalpizol

Iniciei esta leitura com um pé atrás. Detesto tentar comparar sagas, mas confesso… no início eu comparei esta distopia com outras que eu amo, como Divergente, Jogos Vorazes… Mas logo me dei conta, esta série é única, e logo todos os detalhes me prenderam de uma maneira que eu não podia mais largar o livro por nada!
Além da comparação que eu fiz inicialmente, eu achei muito estranho essa coisa de considerar o amor uma doença. “Amor Deliria Nervosa”, como chamam, é uma doença gravíssima, e mortal. Felizmente o governo dos EUA acharam uma cura para o amor, e todos os cidadãos, ao completarem 18 são submetidos a esta intervenção. Sem exceção. Todos são obrigados a passar pela cura, ou estarão vivendo clandestinamente no país, podendo ser mandado para as criptas (espécie de cadeia, porém em estado deploráveis), ou até mesmo a pena de morte. Após passar pela intervenção, os curados são designados a um par com interesses e histórias de vidas compatíveis e passam a viver a vida casados, sem o menor sentimento. Porém, essa falta de sentimento não é apenas para com marido, namorado… Todo e qualquer tipo de bom sentimento é completamente esquecido.

É o mais mortal de todos os males: Você pode morrer de amor, ou da falta dele.

Mãe e filhos? Apenas para educação, não existe “amor de mãe”, não existe uma risada alta na praia no verão, não existe prazer e satisfação após comer algo que gostamos, não existe prazer em fazer uma atividade física, não existe nenhuma demonstração de afeto, em público ou em particular. Todos se transformam em seres apáticos, programados para seguirem com suas vidinhas, sem intervir em nada. Tudo controlado pelo governo opressor. Toque de recolher? Menores de 18 anos, ás 21h. Viajar? Todas as fronteiras foram fechadas após a cura. Os EUA estão isolados dos não curados. Mas por que considerar o amor uma doença? Qual o sentido nisso? Qual o benefício para o governo nisso? Pois bem, vejamos do outro lado da moeda. Sem amor, sem sentimentos melhor dizendo, não existem também os sentimentos ruins, como ódio, raiva, etc. Sem esses sentimentos não há guerra, não há violência e assim por diante. Indo mais adiante, o governo faz uma lavagem cerebral tão grande em todos, já desde bem pequenos, que todos acreditam que tudo isso me muito bom. Sem sofrimento, sem sentimentos ruins. Tudo rigorosamente escolhido pelo governo. Já aos olhos do governo: Total controle. Todos agindo como eles bem entendem.

Não é possível ser feliz, a não ser que as vezes se sinta infeliz.

É nesta loucura insana que vive a jovem Lena Haloway. Lena vive com a tia Carol, o tio Willian, e as filhas de sua prima, Jenny e Gracie. A mãe das meninas, não queria ter filhos (as pessoas curadas não gostam muito de crianças), e quando o marido dela foi acusado de ser um simpatizante (pessoas que simpatizam com a doença, e tem atitudes estranhas como rir…) e fugiu, ela foi acusada no lugar dele. Diante de toda essa pressão, ela morre no meio da rua, ataque cardíaco. Já a mãe de Lena, suicídio. Lena nunca entendeu muito bem o motivo que levou sua mãe a fazer isso, mas depois de diversas aulas na escola, Lena começou a ver que o comportamento da sua mãe era diferente, estranho. Ela dançava com Lena e a irmã mais velha, Rachel, fazia palhaçadas, levava as meninas na praia. As pessoas a olhavam de maneira estranha, julgando-a, até que as brincadeiras e folias passaram a ser apenas em casa, com as cortinas e janelas bem fechadas.

Na escola, Lena sempre foi motivo de piadas, e palavras sussurradas… suicídio, simpatizante… Palavras que ela sempre detestou, e por esse motivo, se via ansiosa para passar de uma vez pela intervenção, e poder sua vida, tranquila, feliz… previsível. Após a intervenção ninguém vai pegar no pé dela, ninguém vai lembrar, ninguém vai ligar. Enquanto esse dia não chega, Lena sobrevive os dias ao lado da amiga Hana. Juntas elas podem aproveitar ao máximo a praia, o verão, as corridas diárias pela cidade, e ficam – como todo adolescente – sonhando acordadas com os futuros maridos (escolhidos pelo governo).

Logo antes do nascer do sol há um momento em que o céu ganha uma cor pálida, inexistente, não é bem cinza, mas um pouco branca, de que sempre gostei porque me faz lembrar de esperar que alguma coisa boa acontecer.

No último verão, Lena nota que Hana anda diferente. Algo está  muito estranho quando Lena entra no quarto da amiga. A casa gigante de Hana – em que ela fica a maior parte do tempo sozinha – está com uma barulheira a todo volume. Qual o problema de Hana, escutando essas músicas não autorizadas? Hana lhe confessa… descobriu uma maneira de acessar coisas proibidas na internet. Músicas, livros… tudo. Descobriu até mesmo, que hoje à noite terá uma festa incrível, e Lena deve ir. Óbvio que Lena não vai ir né?A curiosidade vence, e Lena se vê conversando com Alex. Um garoto que ela já tinha visto em outras duas ocasiões, e que sempre se sentia estranha perto dele. Mas ela tinha prestado atenção, mas ela não apresentava nenhum dos sinais da deliria. Conversam, se encontram escondidos no outro dia… e no outro… e no outro. Lena estava ansiosa para a sua vidinha previsível até que ela se apaixona. Alex tem um segredo que vai chocá-la, mas novos horizontes se abrirão. Tudo em que Lena sempre acreditou, e sonhou, está desmoronando, tudo errado. Ou será que agora que as coisas estão certas?

De repente, percebo como fico pálida ao sol e quantas pintas cobrem meu corpo e tenho certeza de que ele está me olhando e pensando em como sou errada ou deformada. Mas ele simplesmente fala baixinho: – Linda.”

Ainda  não li ao segundo livro desta trilogia (Pandemônio), mas já estou mega curiosa. O livro termina de uma maneira bem perturbadora. Adorei esta maneira de ver as coisas, tanto a visão do Estado, como a visão dos cidadãos. A apatia, a perda de todo e qualquer sentimento é algo que nem podemos imaginar, faz parte dos seres humanos. É por isso que este livro me deixou com uma pulga atrás da orelha. Me fez pensar em coisas que até então eu nunca tinha analisado e refletido.
No primeiro semestre deste ano, a Fox, detentora dos direitos autorais, produziu um piloto, que contava com a atriz Emma Roberts, porém, este foi cancelado. A Fox ainda não se pronunciou a respeito. O que nos resta é aguardar! Segue abaixo o trailer do piloto. Espero que gostem muito da série e que ela também possibilite a vocês a mesma reflexão que me proporcionou!

  • Delirium
  • Autor: Lauren Oliver
  • Tradução: Rita Sussekind
  • Ano: 2012
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 342
  • Amazon

rela
ciona
dos