Título
Original:
Eat, Pray, Love

Autora: Elizabeth
Gilbert
Ano: 2006
Editora: Objetiva
Páginas: 342
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O que eu posso
dizer de um livro que, mesmo antes de começar a ler, eu já sabia, já tinha
certeza de que iria amar? Eu não sei se
isso já aconteceu com algum de vocês, mas as vezes, durante as minhas visitas e
andanças pelas livrarias, os livros olham de volta para mim, e é nesses
momentos em que eu descubro histórias maravilhosas! 

Foi assim que eu decidi
levar para casa um exemplar de Comer, Rezar, Amar. Para falar a verdade, eu não ligo se o livro vendeu milhares de exemplares ou nenhum, o
que me interessa é a história, a escrita, a experiência que eu vou ter durante
a leitura. E com esse livro a experiência foi ótima, nele eu encontrei vários
elementos de que amo, vários conceitos e vários relatos que estão totalmente de
acordo com minhas visões sobre o mundo, o amor, religião e outras coisinhas
mais!

“Meu coração quase parou, depois deu uma pirueta e caiu de cara no chão. Em seguida se levantou, limpou as roupas, respirou fundo e anunciou: “Eu quero uma mentora espiritual.”


Não se engane
pelo estilo gracioso, pelo total de exemplares vendidos, pela capa bonitinha ou por comentários de pessoas preconceituosas. Comer, Rezar, Amar não se trata de
um livro de auto ajuda. Ele segue, de maneira bem deliciosa, o estilo de livro
autobiográfico, se tratando, mais especificamente, de um relato de memórias. Este querido livro, também se encaixa, de certa maneira, no conceito de um
diário de viagens. É claro que ele possui ensinamentos, pequenas ideias, e até
mesmo conselhos que podem mudar a vida de uma pessoa, mas quantos livros não possuem
ou já fizeram isso? 
Para mim, a leitura do livro se pareceu muito com uma conversa, com uma grande amiga que acabou de chegar de viagem
e tem muita coisa para compartilhar, e algumas dessas coisas, experiências e confissões me fizeram ter vontade de estar lá com ela, de ser um
ombro amigo e poder dizer: eu sei como você se sente, pode contar comigo, eu
quero ouvir tudo o que você tem para me contar!
Eu posso, se
quiser e se alguém acreditar, até dizer que essa foi uma das leituras mais
gostosas que eu fiz durante todo o ano de 2014. Elizabeth Gilbert, nossa autora,
companheira e personagem principal, desenvolveu o livro em três partes, como
todo mundo já deve estar careca de saber, rsrsrs. Mas o que poucos sabem é que
cada parte possui 36 histórias, e quando somamos possuímos um total de 108
histórias, que possuem um significado muito importante. Mas eu vou deixar que
vocês leiam o livro, ou melhor, a introdução, para entender o significado desses
números.
“Nunca se esqueça de que, um dia, em um
instante de espontaneidade, você reconheceu a si mesma como uma amiga.”

Logo no começo
do livro nós somos apresentados a diversos aspectos da
vida de Lizzy. Ela comenta sobre diversos pontos de sua vida, desde lembranças
de quando era criança, até os seus sentimentos com relação ao ex-marido, a vida
de casada, e depois sobre a recente vida de divorciada. Ela compartilha conosco
os seus mais profundos pensamentos, e tudo o que ela sentiu quando estava
passando pelo processo de reconhecimento de que não poderia e não queria mais
viver casada. Nos apresenta os altos e baixos de uma vida compartilhada com seu
ex namorado David, que foi o homem que a encantou após o divórcio, mas também
foi aquele que a despedaçou.
Durante todas
essas reflexões e pensamentos, eu, e provavelmente mais um milhão de pessoas do
mundo inteiro, foi capaz de perceber que as vezes nossas vidas se assemelham,
nós passamos por situações parecidas, e porque não compartilhar essas sensações
da mesma forma que a autora fez? Porque não abrir nossos corações e demonstrar
que precisamos da ajuda uns dos outros? E foi assim, no
meio de ajuda, pensamentos e tristeza que Lizzy decide que passaria um período de
um ano viajando. E sua primeira parada seria a tão encantadora e adorável
Itália. Lá ela nos apresenta diversas curiosidades sobre a língua, as belezas
das ruas e, acima de tudo, as maravilhas da culinária do país.
A segunda parte
do livro, e talvez a minha parte preferida, se passa na Índia. Nessa parte não
temos descrições e curiosidades sobre lugares, ruas ou restaurantes, pois em toda sua estadia, a autora estava no ashram, uma espécie de retiro, além disso lá eles servem comida leve e, *olhinhos brilhando*, somente comida vegetariana. Mas toda a falta de descrições é compensada por curiosidades sobre religião, meditação, ensinamentos de mestres iogues e outras informações que deixaram essa pessoa morrendo de felicidade e amor.

Cada novo relato da autora eu transbordava de alegria e pensava: isso mesmo, eu não sou a única que pensa assim. Se isso não bastasse, a autora retoma algumas lembranças de seu passado, além de nos contar histórias engraçadas, inspiradoras e deliciosas que viveu. Para finalizar, e deixar o pacote perfeito, nós temos a presença ilustre e sábia de uma das minhas pessoas favoritas do livro: Richard do Texas.

Eu posso
facilmente dizer que essa parte foi uma das que mais me emocionou, justamente
por ser recheada curiosidades e conceitos dos quais
eu acredito e faço de tudo para seguir. Tentei gravar cada frase, cada letra, cada vírgula dentro de mim, e sempre vou agradecer a autora por ter escolhido ir para aquele retiro na Índia, e não para… sei lá, a Coréia! Nessa parte do livro eu chorei muito, de tristeza, de emoção e de alegria, e posso dizer que até chorei de orgulho, por ver que a autora estava crescendo, amadurecendo e compartilhando tudo aquilo com várias pessoas. 
Depois, temos
a parte final, a parte em que a autora termina sua viagem e vai para a Indonésia. É lá que a autora encontrou o equilíbrio que tanto buscava, o equilíbrio perfeito entre prazer e religião, mas ao mesmo tempo que o encontrou ela o perdeu. É na Indonésia que tudo começa, que toda a jornada de conhecimento e fé se inicia, e é lá que ela deve terminar. Nessa parte nós encontramos a minha segunda pessoa favorita de toda a história, um velho e sábio guru chamado Ketut. Nessa etapa do livro nós temos poucas lembranças, mas muitas histórias vividas pela autora. Para fechar com chave de ouro, porque muitas vezes a vida nos presenteia com ótimas surpresas, é lá que Lizzy conhece Felipe, seu marido, seu casamento longo, segundo Ketut.
“Então é essa a lição final? Quando você
sai pelo mundo para ajudar a si mesma, acaba inevitavelmente ajudando… Tutti.”
Eu não vou
mentir, esse livro me encantou. Eu adoro, e tenho um certo apreço por livros com histórias reais, com
pessoas reais. Livros de autores que tiraram um tempinho de suas vidas corridas e decidiram escrever sobre o
que sabem e também sobre o que não sabem, sobre o que passaram em suas vidas e sobre o que
aprenderam. Esses livros, como muitos outros, são capazes de nos ajudar, nos fazem lembrar que as pessoas também passam por
momentos difíceis, mas adivinhem só, todos nós somos capazes de dar a volta por
cima, deixar a poeira abaixar e seguir em frente. E
embora muitos tentem diminuir a autora, e tentem fazer parecer que o que ela passou não é nada, ou então, não é nada comparado ao que outras pessoas passam, eles não pensam que seu sofrimento pode ter sido terrível para ela. Ninguém, a não ser ela sabe como
foi passar por tudo aquilo, e sabem porquê? Porque a forma como eu sinto e vejo
as coisas não é a mesma que você sente e as enxerga.
A autora abordou problemas com os quais diversas mulheres sofrem com depressão; divórcio; relacionamentos que não dão certo; falta de fé, e a lista só cresce. E nenhum deles é pequeno, muitas vezes esses problemas deixam, mulheres em pedaços, muitas vezes, tudo o que precisamos é de uma mão amiga, ou um livro que nos mostre que sim, alguém já passou por isso e quer que você saiba que vai passar, uma hora sempre passa! E quando você olhar para trás e lembrar de tudo aquilo vai se sentir leve e feliz, da mesma forma como, após o término do livro, você vai se sentir leve.
A escrita da
autora é uma delícia, por vezes vai te fazer sorrir de orelha a orelha, vai te
fazer gargalhar e em outras, dependendo do quão durão, ou durona você for, vai
te fazer derramar algumas lágrimas. Além disso, a mistura entre reflexões sobre o passado, curiosidades e relatos sobre suas viagens foram muito bem encaixadas, estão misturadas ao longo do livro. Eu não senti dificuldade alguma na leitura, muito pelo contrário, me senti mais motivada a ler, pois a cada nova parte havia algo novo me esperando. 
Eu sei que muitos acham esse um livro para mulheres, e talvez ele seja, mas eu gosto de pensar que não se deve classificar livros, para homens ou para mulheres, gosto de pensar que qualquer um pode ler o que bem entender. E se você busca um livro leve, mas cheio de surpresas a cada nova página, relatos e muitos ideais, esse é um livro ótimo para colocar na sua lista!
“No final das contas, talvez seja mais
sábio se render à milagrosa abrangência da generosidade humana e simplesmente
continuar dizendo obrigada, para sempre e com sinceridade, enquanto tivermos
voz.”

rela
ciona
dos