Jupiter Ascending

Lançamento: 05 de Fevereiro de 2015
Com: Channing Tatum, Mila Kunis, Sean Bean, Eddie Redmayne.
Gênero: Ficção Científica, Aventura, Fantasia.
Há algum tempo eu tive a
oportunidade de conferir o mais novo filme dos irmãos Wachowski (reconhecidos
mundialmente pela trilogia Matrix, e filmes como Speed Racer e Cloud Atlas).
Sempre fui muito interessada em filmes de ficção científica, me encanto com
filmes que são capazes de brincar com as diversas possibilidades que o tema “espaço”
pode oferecer, fico filosofando com os filmes mais sérios que conseguem abordar
diversas teorias e nos transportar para ambientes inusitados, além de ser uma
fã fiel da série Star Wars! Por esses e tantos outros motivos estava com
grandes expectativas com relação ao filme que conseguiu me encantar e
decepcionar ao mesmo tempo, e hoje venho aqui contar minhas sinceras opiniões
sobre os erros e acertos de Andy e Lana Wachowski.
O Destino de Júpiter nos
apresenta a história, como vocês já devem ter imaginado e percebido, de Júpiter
(Mila Kunis). Júpiter é filha de imigrantes, seus pais se conheceram em São
Petersburgo, onde seu pai Maximilian Jones era astrônomo e sua mãe Aleksa era uma
professora de matemática aplicada, os dois se apaixonaram e se casaram. Quando Aleksa
ainda estava grávida, dois assaltantes invadem o apartamento do casal e, em
meio a tentativa de salvar seu telescópio, Maximilian leva um tiro e dá seu
último suspiro. Devido as circunstâncias trágicas da morte de seu marido, a mãe
de Júpiter se dirige para os Estados Unidos, onde passa a trabalhar como
faxineira e aos poucos insere a filha em sua humilde profissão.


Júpiter acorda cedo todos os
dias, sua rotina é simples e regrada, logo de manhã ela prepara o café para sua
mãe e tia, em seguida as três se dirigem para diversas casas e apartamentos da
cidade de Chicago. Em meio as mobílias, roupas e sujeira de pessoas mais ricas
que elas, Júpiter mal pode imaginar que uma incrível coincidência genética
poderia mudar toda a sua vida. O milagre demonstrado pela história se baseia no
fato de que Júpiter possui todos os seus genes distribuídos da mesma forma que
uma grande rainha intergaláctica, morta muitos séculos atrás, esse fato a
transforma em uma espécie de reencarnação da antiga rainha. Pertencente a casa
de Abrasax, a falecida rainha deixou diversas
posses que foram distribuídas por seus três descendentes diretos, Balem (Eddie
Redmayne), Kalique (Tuppence Middleton) e
Titus (Douglas Booth). Os três irmãos possuem motivos diversos para almejar a
Terra e desejar a morte de Júpiter, e é assim que nossa história começa.

Em meio às tentativas de
assassinato e buscas por Júpiter, surge Cane (Channing Tatum), ex legionário;
híbrido de lobo com humano; albino e adepto dos patins voadores, além de
lembrar um pouco o personagem Duende do Homem Aranha. Cane foi contratado para
encontrar Júpiter, protege-la e levá-la com vida até Titus. Porém sua
participação na história e nos acontecimentos do filme cresce à medida em que
ele passa mais tempo com Júpiter e descobre que ela é muito mais do que uma
simples humana. Conforme os dois descobrem segredos e tramas escondidas por
cada um dos descendentes da casa Abrasax, o personagem cria um sentimento de
proteção para com a rainha/faxineira, o que faz com que ele se torne o príncipe
encantado da história, o guerreiro que desafia o mundo para salvar sua donzela,
o cão sem dono que finalmente encontrou um mestre.

Enquanto assistia ao filme,
algumas coisas me incomodaram muitíssimo. A primeira delas foi a interpretação
de Mila Kunis, talvez seja implicância minha, mas não senti uma ligação da
atriz com a personagem. Era como se Mila não tivesse se jogado de cabeça no
universo de Júpiter, como se ela não tivesse se encantado com a história e por
vezes estivesse meio perdida ou entediada (ou talvez sejam apenas as feições
dela que dão essa impressão). Outra coisa que me incomodou muito mais do que a
atuação, foram as cenas de fuga e luta em que Mila aparecia. Mais uma vez
destaco, talvez eu seja o problema e tenha me transformado numa chata de
galocha, mas toda vez que Mila estava presente nas cenas de luta e fuga, eu
sentia que seus movimentos eram extremamente ensaiados, não eram naturais, não
davam a impressão de que tudo aquilo estava realmente acontecendo. 
Outro elemento que me
desapontou muito foi o fato de que, nossa personagem principal, em todo o filme
(com exceção de algumas cenas finais), é a donzela indefesa, aquela que precisa
ser salva e resgatada. Ela é facilmente manipulável, durante diversos momentos do
filme, onde outros personagens mentem, inventam histórias ou simplesmente a
levam de uma nave a outra, a mesma não se dá ao trabalho de refletir, de
pensar em qual caminho seguir, de ter a decência de imaginar as consequências
de seus atos. Isso bate de frente com uma característica da própria personagem,
que no início do filme comenta que sempre espera o pior das pessoas. 
Mas nem tudo é errado, nem
tudo é ruim. Existem SIM, coisas que me encantaram muito neste filme. A
primeira delas está ligada a todos os incríveis profissionais do ramo da
computação gráfica. O que esses profissionais criaram para o filme é pura arte.
Planetas inteiros foram concebidos, castelos, construções monumentais,
espaçonaves belíssimas, tudo foi criado com o maior cuidado, e no final eu
estava mais fascinada com as paisagens e elementos criados do que com a
história do filme! Além disso, não pude deixar de comparar, em vários pontos do
filme, o quanto se buscou inspiração em sagas consagradas como Star Wars e
Senhor dos Anéis. Sei que os olhos mais atentos irão perceber a presença dessas
sagas no filme, de forma singela, ou de forma mais berrante, mas acreditem quando digo que elas estão
ali.
Por fim, devo dizer que adorei
ver o vilão criado por Eddie Redmayne (vencedor do Oscar de melhor ator no ano
de 2015). De tantos nomes presentes no elenco, acredito que ele foi o ator que
melhor interpretou seu personagem, um vilão palpável, decidido e até certo
ponto humano. Apesar dos prós e dos contras
eu não digo que o filme é ruim, ele é interessante em seus erros e acertos e
vale a pena ser assistido. 

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ciona
dos