American Sniper

Lançamento: 19 de Fevereiro de 2015
Com: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes
Gênero: Biografia, Guerra, Drama
Sniper Americano é mais uma adaptação literária, o filme foi inspirado no livro autobiográfico American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History, que foi escrito logo depois de sua dispensa da marinha. Aqui no Brasil o livro foi lançado pela editora Intrínseca.
Chris Kyle era um pacato cowboy do Texas, até o dia que os atentados de 11 de setembro abalaram sua moral. Neste dia, Kyle resolve se juntar as forças especiais da marinha, e posteriormente, acabaria servindo na Guerra do Iraque. Lá ele se destaca e acaba virando um atirador de elite, o sniper mais letal da história militar dos EUA, com mais de 160 mortes oficializadas pelo pentágono.
Ao longo do filme vamos acompanhar as decisões cruciantes que Kyle deve tomar durante suas missões, dentre elas decidir executar até mulheres e criança, ele decide em poucos segundo quem deve morrer e quem deve viver. As missões, são separadas em temporadas mas o grande macete da história de Kyle não é acompanhar sua ação em guerra, – que também é bem explorada durante o filme -, mas sim o seu estado após tudo isso. Kyle tem dificuldades de retomar a sua vida normal, pois está muito abalado e sofre de estresse pós-traumático.


O personagem lida com dois ambientes totalmente diferentes, ele tenta se reabilitar ao conforto de sua família tentando deixar, pelo menos por um tempo, de lado as cenas guerra. Mesmo longe das batalhas Kyle se vê aprisionado num conflito sem fim em sua mente. Um simples ruído em sua volta o deixa tenso. Tudo em sua volta pode ser uma ameaça. Como exemplo, o som de uma furadeira é assemelhado ao som de um aparelho de tortura iraquiana. Nestas partes temos imagens e sons muito bem sincronizados, Oscar merecido a edição de som.

Quando Kyle finalmente larga o exército, mesmo longe de tudo isso, ele sabia que precisava ajudar quem viveu ou viveria as mesmas experiências, pode-se dizer que ele largou a guerra mas a guerra nunca largou ele. Por este motivo, Kyle se envolve num programa de ajuda a ex-militares, dentre eles feridos fisicamente e psicologicamente, militares assim como ele. Este era um modo de Kyle continuar envolvido com o exército e manter sua mente ocupada. O que ele não contava que um dos seus colegas de programa, um veterano fuzileiro naval interrompesse todos seus planos.

A atuação do Bradley Cooper para mim foi perfeita, comparado aos seus outros filmes, sem dúvidas esta foi a que ele se saiu impecável, ultrapassando até Trapaça (já resenhado aqui), até então o melhor filme do ator na minha opinião. Além de sua atuação, a semelhança física com o verdadeiro Chris Kyle é surpreendente, o ator e produtor engordou 20 quilos para se parecer mais com um soldado. É uma pena que entre os indicados ao Oscar, na categoria de melhor ator tivessem tantos talentos.

Devo ressaltar também a atuação de Sienna Miller que faz a esposa de Chris, Taya Kyle. Ficou nos ombros dela suportar a distância e a responsabilidade de criar seus dois filhos, sabendo que seu marido estava em um país inimigo podendo perder sua vida a qualquer momento. Sienna conseguiu captar todos os dilemas sofridos por Taya e transmiti-los na telinha.

O filme é norte-americano e não julga seu protagonista. Ao retornar Kyle é visto como herói e isso também passa a atormentá-lo, toda esta responsabilidade em suas costas ajudam a piorar o seu estado, pois para ele todos seus feitos faziam parte apenas do seu dever. Aqui temos a parte que envolve mais polêmica na adaptação, o que rendeu muitas críticas é justamente a divisão de opiniões.

De um lado temos aqueles que têm Kyle como uma lenda e de outro temos aqueles que acreditam que com todas as vidas tiradas por ele o tornavam um assassino. Dando minha real opinião, acredito que Kyle tenha sido um herói pois serviu seu país e cumpriu seus deveres. E que a verdade seja dita, o filme e envolto de muita tensão, é um drama com certeza, mas também envolve e prende o telespectador de uma maneira sem igual.

Sniper Americano é a história de um patriota, com início, meio e fim. Com cenas chocantes e com aquele final revoltante o filme te comove. Chega ser difícil de falar sobre o desfecho, depois de tudo que Kyle passou, ter o destino que teve, deixa qualquer telespectador impressionado e tocado por sua história. Acredito que com a publicação do seu livro, Kyle conseguiu o que buscava, mesmo não sabendo do seu desfecho, saberia que seria lembrado e honrado. É uma história real em todos os sentidos e como sabemos, são raras as histórias reais que tem finais felizes.

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