Resenha: A Garota que Você Deixou Para Trás

19 maio, 2015 Por Lili Dalpizol

Título Original: The Girl You Left Behind

Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 379
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Virei mega fã da autora
internacional Jojo Moyes, já no
início da leitura de “Como Eu Era Antes de Você”, e estava ansiosa para ler
seus outros títulos, já famosos mundo afora. A minha próxima escolha foi A Garota que Você Deixou Para Trás. Já comentei em outras resenhas, que tenho
um certo receio em ler outros livros, de autores que ganharam o meu coração com
um livro específico, que é bem o que aconteceu neste caso. Pois bem, Jojo é
incrível mesmo. O livro me ganhou já no início, pois sou, desde os tempos de
escola, fascinada pela primeira e
segunda guerra mundial
.

Iniciei esta leitura, sem ler nem
ao menos a sinopse, pois em muitos casos, ela pode contar detalhes que eu
gosto de descobrir ao longo da leitura. Assim, embarquei na jornada de A Garota que Você Deixou Para Trás. Vamos à história?

O livro inicia com a história de Sophie Lefrève, em meados de 1916, em St. Péronne, França. Os alemães tomaram
diversas cidades na Primeira Guerra Mundial, e uma delas é St. Péronne. Sophie
vive agora com a irmã, Hèlene, o
irmão, Aurélien, e os filhos de
Sophie. Eles têm um hotel/restaurante chamado Le Coq Rouge. Agora que a guerra está por todos os lados, já não
tem tantos fregueses como antes, mas de qualquer maneira, não há muita oferta
de alimentos para o restaurante. O marido de Sophie, Édouard, assim como o marido de Hèlene, estão lutando na guerra já há
alguns anos. As irmãs tentam levar a vida da melhor forma possível, mas já
não chegam muitos carregamentos de alimentos, e os alemães já vasculharam o Le
Coq, levando tudo de valor.

“O Kommandant, enquanto isso, era sempre cortês. Cumprimentava-me, se não com carinho, pelo menos com uma espécie de civilidade cada vez mais familiar.”

Créditos da imagem Moça Fresca
Sophie é completamente apaixonada
por Édouard, e somo levados ao seu passado, quando ambos  se apaixonaram. Ele,
um jovem pintor, e ela, uma vendedora em uma grande loja de departamentos.
Contra todas as probabilidades, ela se apaixona pelo homem estranho, lindo e
grandalhão! Édouard é apaixonado por pinturas, estudou na Faculdade de Artes,
mas nada que faz agrada a maioria das pessoas, dada e excentricidade de sua
obra, devido às escolhas de cores. Porém, certo dia, no auge do amor entre ele
e Sophie, ele a pinta e lhe dá a obra
de presente.


“Já não choro pelo meu lar. Não poderia dizer por quanto tempo viajamos pois, os dias e as noites se fundiam, e o sono se tornara um visitante fugaz e esporádico.” 


Agora, no meio da guerra, e longe
do marido, Sophie apega-se ao quadro, e a um passado bom e distante. O belo
quadro está na parede principal do Le Coq, e Sophie orgulha-se dela, mas Hèlene
tem medo que os alemães que possam vir a entrar no hotel, vejam isso como uma
afronta. Os alemães que tomaram a cidade, costumavam alojar-se, e fazer suas refeições
no outro restaurante da cidade, porém, por um infortúnio do destino, o novo Kommandant Friedrich Hencken resolve começar
a fazer as refeições noturnas no Le Coq. Contudo, Sophie ainda consegue ver o
lado bom desta situação, já que eles irão se alimentar ali, carregamentos de
comida irão chegar também, e quem sabe, algumas sobras estarão disponíveis para
alimentar a família.

“E quanto mais a febre subia, menos eu ligava para a falta de comida. A dor no meu estômago era abafada por outras dores. Na cabeça, nas articulações, na nuca.” 


O novo Kommandant aparenta ser um
pouco mais benevolente que o anterior, e Sophie se surpreende com o fato dele
gostar de arte, ainda mais de adorar o quadro que Édouard lhe deu. Sophie tem
medo que os alemães o roubem, mas de certa forma, confia no Kommandant. Após
anos sem notícias do marido, as cartas simplesmente cessaram, Sophie vê apenas
uma saída, uma proposta para o Kommandant. Seu plano não sai como o
planejado, e ela é levada pelos alemães, arrastada pela rua, na frente de todos
da cidade, colocando o seu nome, e de sua família na lama.

Créditos da imagem Moça Fresca

Quase 100 anos depois, somos apresentados a jovem Liv Halston, uma jovem viúva, apaixonada pelo marido morto há mais
de quatro anos, e assim, vive num luto eterno. Mora sozinha, faz alguns
freelances de editora, mas o trabalho está cada vez mais escasso. Como o marido
falecido era um importante arquiteto em Londres, ela vive numa luxuosa
residência, com quase todas as paredes de vidro, mas agora ela já não tem como
arcar com estas despesas, precisa pensar em uma saída. E rápido. Na parede do
seu quarto, está nada mais, nada menos, que o quadro de Sophie. O quadro que  se chama A Garota que Você Deixou Para Trás.

“Liv está branca como papel. Ela está muda, imóvel, com a mão no rosto; sua bochecha está arranhada e o rabo de cavalo, meio desfeito.”

Paul McCafferty é sócio de uma empresa que devolve obras de arte extraviadas
a seus donos legítimos. Em alguns casos, a entrega não envolve a justiça, em
outros, sim. Por uma peça do destino, Paul conhece Liv, e após uma noite
juntos, Paul observa “A Garota” na parede de Liv e fica em choque. Parentes dos
Lefrève estão atrás daquele quadro. E ele hoje vale milhões de libras. Ele terá
que lutar contra Liv. Isso vai acabar com o relacionamento deles, além de leva-la
a falência. A história é intensa, e a
descoberta de cada detalhe da história de Sophie é muito empolgante. Cada
detalhe horroroso pelo qual ela passou, e pensar que estas histórias realmente aconteceram
provavelmente ainda piores. Ver a força de Sophie se esvaindo me deixou com lágrimas
nos olhos por diversas vezes. Em alguns momentos, a Liv me tirou do sério, acho
que tomaria algumas decisões diferentes das dela, mas no fim, ela estava
completamente certa em seu posicionamento.

“Vê Liv, cabisbaixa, maltratada pela opinião pública, as palavras duras de estranhos, a falência iminente. Ele a vê endireitando os ombros, o rabo de cavalo torto, ao entrar em mais um dia de tribunal.”

A única coisa que eu não gostei,
mas é uma questão minha, é que eu fiquei um pouco perdida em alguns momentos.
Não sei se eu é que sou um pouco lerdinha,
ou se isso aconteceu com mais pessoas que tenham lido, mas em diversas falas,
eu ficava perdida. Não sabia quem estava pensando aquilo, ou falando aquilo. A
narrativa ia de personagem em personagem, ia e voltava no tempo. Muitas vezes
fiquei completamente perdida, até ler um bom pedaço e me dar conta que aqueles
acontecimentos já eram de outro personagem.

Com relação a história, adorei. Confesso
que gostei mais de Como Eu Era Antes de Você (resenha aqui), mas OK, pois este livro está
entre um dos meus favoritos ever!
Então, para bater ele vai ser difícil! Não chorei enlouquecidamente, mas
chorei, e o pior, sentia um aperto no peito tão grande, que tinha que parar de
ler e refletir um pouco antes de continuar! Como Eu Era Antes de Você” já está
sendo filmado, e agora é aguardar notícia para a adaptação deste livro também!

XO,
Enjoy!

rela
ciona
dos