Título Original: Watchmen
Roteiro: Alan Moore
Arte/Cores: Dave Gibbons (Arte) e John Higgins (Cores)
Ano: 1986
Editora: Panini
Páginas: 460
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Por volta dos anos 1980 e 1984, Alan Moore que já não era um mero principiante no meio da criação de roteiros para histórias em quadrinhos, porém ainda era um nome desconhecido no meio (até aquele instante ele já havia escrito para a 2000 A.D. e para a Marvel UK), teve de assumir o mensal Monstro do Pântano.Naquele momento ele teve de aprender a escrever uma revista inteira sozinho, e seguiu com o Monstro do Pântano por 40 ou 45 edições. Conforme a sua fase com a HQ terminava, o sentimento de iniciar uma nova história totalmente do zero se estabelecia, quando uma oferta da DC surgiu, ele não pensou duas vezes antes de aceitar, dando o seu primeiro passo para criar o que hoje conhecemos por Watchmen.

Com algumas ideias na cabeça e com grande vontade de iniciar algo novo, Alan Moore convida Dave Gibbons para realizar a arte de toda a nova história em quadrinhos que aos poucos surgia. Os dois já haviam trabalhado juntos em algumas outras histórias, como na série Future Shocks e 2000 A.D. porém, através dessa nova parceria, Alan gostaria de ter a oportunidade de trabalhar com Dave em algo substancial, algo que possuísse uma continuidade. Ele não queria que sua história se interligasse a outras histórias ou tivesse personagens diversos, provenientes de outros mundos ou outras dimensões e universos (coisa que vemos bastante nas HQs).O que ele queria era um começo, um meio e um fim. Além disso, Alan que era fã de vários personagens da finada Charlton Comics, gostaria de utilizar alguns dos personagens da empresa para sua nova história, porém após alguns empecilhos e algumas mudanças de planos, ele decidiu criar personagens novos, aqueles que amamos ou odiamos em Watchmen. Esses personagens tão conhecidos hoje em dia foram inspirados em personagens famosos e icônicos da Charlton, como é possível observar nos extras da edição definitiva.

E foi assim que Watchmen começou a dar os seus primeiros passos, com várias ideias saltitando aqui e ali, Alan Moore e Dave Gibbons criaram uma das histórias em quadrinhos (ou se preferir graphic novels) mais influentes de todos os tempos. Foi pensando em todas as vezes que eu li e reli essa história, todas as vezes que assisti ao filme ou ouvi a trilha sonora, em todo o meu fascínio por esse mundo criado e nos apresentado sem rodeios através de Watchmen (sem contar na presença ilustre do meu personagem preferido de todos os tempos) que eu decidi realizar essa resenha. Aqui eu não vou me ater muito no que acontece na história em quadrinhos (farei apenas um resuminho), o que eu quero fazer mesmo é destacar os vários aspectos da história, as diversas facetas que podemos observar ao longo das páginas, sem falar em alguns de seus personagens e dos extras maravilhosos que estão presentes na edição definitiva.
A história de Watchmen se inicia de forma rápida, brutal, e sem qualquer tipo de flores e fru-frus para enfeitar o que está acontecendo. Tudo começa quando um antigo vigilante mascarado, conhecido como Comediante, é assassinado. O Comediante havia trabalhado por muito tempo para o governo dos Estados Unidos, ele era um dos únicos vigilantes mascarados que não sofreu com a lei que tornou a prática ilegal. Uma vez que estava sobre a proteção do governo ele era enviado para guerras (como a do Vietnam) e também para acabar com revoltas e rebeliões em diversos outros países, resumidamente ele era aquele cara que servia como um auxílio extra ao exército dos Estados Unidos.

O Comediante era o homem que fazia parte da força tarefa, juntamente com o Dr. Manhattan. Por ter estado na guerra e por tantos outros motivos, o Comediante poderia muito bem ter criado diversos inimigos, mas alguém, uma única pessoa, percebeu que seu assassinato não se tratava de um simples ajuste de contas, não se tratava apenas de um velho inimigo buscando vingança. Existia algo mais, algo maior acontecendo. A única pessoa, o único justiceiro mascarado que realmente percebia algo acontecendo, ou que era louco o suficiente para ir atrás de informações, era Rorschach, e ele não ficaria parado vendo mais ex justiceiros morrendo enquanto ninguém fazia nada.

Essa é apenas a premissa básica de Watchmen, é apenas o pequeno palco que servirá de base para uma trama muito bem elaborada, uma trama que é muito maior do que um simples homem buscando por pistas e respostas. Através dessa história Alan Moore conseguiu refletir sobre como a sociedade reagiria ao surgimento de justiceiros mascarados, quais seriam as consequências de termos, soltos por aí, uma quantidade razoável de pessoas que buscavam defender outras pessoas, de pessoas que estavam cansadas de sair de casa e verem inocentes sendo assaltados, homens sendo espancados, bandidos andando soltos sem qualquer tipo de justiça. Esses justiceiros “ajudavam” a polícia em seu trabalho, e com o tempo (o que foi muito esperto de Alan por sinal) provocaram uma greve na polícia, o que culminou com uma lei que declarava a ação de justiceiros totalmente ilegal.
Além de abordar a questão dos justiceiros mascarados, a HQ aborda a questão dos super-heróis. Através dela nós podemos refletir sobre como seria um mundo em que um homem tivesse poderes,
pudesse se tele transportar de um lugar a outro em questão de segundos, pudesse observar a menor partícula dos seres vivos ou do próprio universo ou ainda, como seria o mundo se nele morasse um único homem com uma inteligência suprema?! Certamente, o país que tivesse esses homens como aliados seria considerado superior em relação aos outros. Mas o que isso causaria nos outros países, quais pressões eles deveriam sofrer?! Como pessoas comuns reagiriam a tais seres?! Através da história nós observamos a possibilidade de uma terceira guerra mundial, observamos o quanto a tensão entre os países aumenta, percebemos que alguma coisa deve ser feita para que o mundo se alinhe na direção da paz e não da guerra, e é exatamente isso que um certo personagem
decide fazer.
Dentre tantos outros aspectos importantes, geniais e incríveis dessa história, eu não poderia deixar de comentar um pouco sobre o meu personagem preferido. De tantos personagens icônicos, bem elaborados que nos foram apresentados, o meu preferido sempre será o Rorschach. Esse personagem é aquele que engatilha toda a história, é ele que se recusa a sair das ruas quando a lei de ilegalidade é aplicada, ele tem seus princípios, tem sua própria justiça e de maneira alguma vai contra suas próprias convicções. O que mais me chama a atenção em Rorschach é que apesar de seus métodos brutais, ele busca a justiça, ele responde a brutalidade da sociedade com sua própria brutalidade, ele luta para que aqueles que fizeram o mal paguem suas dívidas aqui na terra. Rorschach é o elemento principal das minhas cenas preferidas, como as da prisão, as conversas com o psiquiatra, os trechos de seu diário (maravilhosos por sinal, meu sonho é que lancem o diário dele em formato de livro) ou ainda a discussão com o Doutor Manhattan. Eu poderia ficar horas e horas falando sobre a profundidade desse personagem, sobre seus princípios, sobre como ele se manteve fiel a tudo o que acreditava mesmo até o final da história, mas acredito que o que disse até agora já é o suficiente!
Outra coisa maravilhosa que Watchmen nos traz são as pequenas histórias paralelas de pessoas comuns. Nós podemos observar os pensamentos de um jornaleiro, uma pequena parte da vida de um psiquiatra, um garoto lendo uma HQ. E essa é a melhor parte! Aqui nós temos uma HQ dentro da HQ. Em Watchmen nós podemos ler trechos de Contos do Cargueiro Negro, uma história em quadrinhos de piratas que se mistura a história principal da graphic novel, e que após o lançamento do filme, virou desenho e foi lançado em dvd.
Sei que já falei muito, mas acreditem em mim quando digo que eu poderia muito bem ficar horas comentando sobre os diversos aspectos, todos os detalhes dessa história. Eu poderia divagar tanto que em certo momento não saberia mais o que me levou a tais pensamentos. Mas para finalizar, eu tenho que dizer que recomendo Watchmen para todos os amantes de histórias em quadrinhos e mesmo para aqueles que estão se apaixonando agora. Peço que leiam, peço que se deixem levar por esse mundo tão distante e ao mesmo tempo tão próximo do nosso.

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