Into The Woods

Lançamento: 29
de Janeiro de 2015
Com: Meryl Streep; James Corden; Emily Blunt; Anna
Kendrick; Chris Pine; Johnny Depp; Lilla Crawford; Daniel Huttlestone.
Gênero: Musical
É muito difícil
e complicado para mim destrinchar e analisar todos os detalhes presentes em um musical. Na maior parte do tempo eu não sou uma pessoa de
musicais, não sou fanática, mas confesso que tenho um certo carinho estranho pelo gênero. 

Assisti poucos durante minha vida e gostei de uma parcela extremamente
reduzida desse pouco. Eu não sei dizer o que isso revela sobre mim, mas até
hoje, meus musicais preferidos são Mamma Mia! e Sweeney Todd. Para aqueles que
devem estar se perguntando, sim, eu já assisti Os Miseráveis, mas por incrível
que pareça, apesar das maravilhosas atuações, de meu amor pela música “Do You
Hear The People Sing”
e da minha afeição pela história, eu não gostei do musical.
Porém, um certo filme surgiu para entrar na minha lista de favoritos, e, apesar
de possuir alguns pontos fracos, eu devo dizer que é um filme que vale a pena
ser visto.


Caminhos da
Floresta
foi mais uma jogada arriscada da nossa querida máquina de dinheiro Disney. O musical em
si é uma adaptação cinematográfica de um musical da Broadway. A trama é
razoavelmente simples, mas por trás de toda sua simplicidade residem questões complexas e extremamente interessantes, ela foi capaz de unir de maneira brilhante e original
diversos contos criados pelos Irmãos Grimm, como João e o Pé de Feijão; Chapeuzinho
Vermelho; Rapunzel e Cinderela, porém o que torna o filme belíssimo ou um
tremendo desastre, são diversos aspectos relacionados, desde a atuação do
elenco escolhido, até a forma como a adaptação foi produzida.
Tudo se inicia
em uma pequena vila de um próspero reino… bem, esse detalhe não fica
explícito durante o filme, mas, se tratando de uma história onde os contos de
fadas se unem para formar um novo conto de fadas, acredito que não estou
cometendo nenhum delito ao acreditar que o reino era próspero, rsrsrs. Durante
um dia comum, em uma manhã ensolarada, diversos personagens (criados pelos
Grimm ou pelos próprios criadores do musical) fazem desejos. Um destes desejos vêm de um Padeiro (James
Corden) e sua mulher (Emily Blunt), que sonham em ter um filho. Em meio a
cantoria e apresentação dos principais personagens da nossa trama, surge a
bela, encantada e maravilhosa Meryl Streep, em seu papel de bruxa. A bruxa aparece
para o Padeiro e sua mulher e propõem uma troca, caso os dois conseguissem
todos os ingredientes para uma poção que quebraria sua maldição, ela daria um
filho ao Padeiro e sua mulher.

É na busca
pelos ingredientes para a poção, e na ligação que a floresta tem com todos os
personagens da história, que reside a graça do musical. Nesse novo conto de
fadas tudo está intimamente conectado, as histórias de cada personagem se
cruzam com a trama principal vivida pelo Padeiro, sua mulher e a bruxa, as
atitudes de um personagem, ou as escolhas do Padeiro e sua mulher, indicam o
rumo que a história irá seguir, e indicam também como a história dos demais
personagens irá se desenrolar. 

Todos se encontram na floresta, todos buscam
algo na floresta e ela, até certo ponto, atende seus pedidos, mas também faz com que reflitam, faz com que entendam mais de si mesmos e dos outros. Quando João (Daniel
Huttlestone) precisa vender a sua vaca, é o Padeiro que possuí os feijões
mágicos que servirão de troca pela vaca que não dá leite. Quando Cinderela (Anna Kendrick) foge
do palácio e “acidentalmente” perde um de seus sapatinhos, é a mulher do
padeiro que a convence a lhe entregar o outro sapato. E assim, cada personagem
têm suas vidas tocadas pelo casal principal dessa história.

Existem ainda
dois elementos que me fizeram amar esse filme, além da forma como a história é contada. Um deles, as músicas
cantadas ao longo do filme. Sei que muitos não se encantaram por certas
músicas, e sei também que muitos sentiram pavor de que a música Into The Woods
é, no mínimo, comprida demais, porém eu, como a não expert em musicais que sou,
me encantei com todas as músicas. Essas músicas possuem muito mais do que uma simples ligação com a história, guardam muito mais do que os diálogos do filme, são elas que guardam e nos mostram o grande trunfo do musical. 

Também me surpreendi com o talento da bela Emily
Blunt
 e me apaixonei ainda mais pela Meryl Streep, que não é uma bruxa simplesmente má, bem como não é totalmente boa, mas sim humana como qualquer um de nós, que comete erros, faz escolhas
erradas, mas que, dentro da história, possuí algumas mensagens muito
importantes para passar. Também me encantei com o talento e a atuação de Lilla
Crawford
e Daniel Huttlestone, as duas crianças do filme. Esses dois mereciam
mais destaque, são pequenos prodígios não apenas no quesito musical, mas no
quesito atuação. 
O último ponto positivo
que gostaria de destacar está ligado as mensagens que o musical quer nos
passar, está ligado ao que sustenta o musical, e que, pelo que pude perceber,
poucas pessoas foram capazes de compreender. Toda a história do filme está
baseada na humanidade dos personagens, em suas escolhas, nas consequências de
suas escolhas. A história foi inspirada pelos contos de fadas, sim, com toda a
certeza, mas o que prevalece aqui são personagens humanos, que erram, que fazem
escolhas erradas, que buscam consertar seus erros, ou que simplesmente voltam a
agir de maneira errada de novo e de novo. 

A complexidade da história está
ligada com as questões éticas que os criadores quiseram nos passar, está ligada
as metáforas, aos simbolismos, a tudo que está por trás daquilo que podemos ver
e observar. Aqui a floresta simboliza o desconhecido, significa o mundo que temos de encarar todos os dias, cheio de possibilidades, mas também cheio de perigos. Aqui nem tudo é preto no branco, assim como no mundo em que vivemos, podemos encontrar felicidade, amor e alegria no mundo vasto e desconhecido que está a nossa volta, mas também podemos encontrar tristeza, solidão e morte. O mais importante nesse musical não é, necessariamente, as músicas, os figurinos e os personagens em si, mas o que cada um quer nos mostrar, quais são as
mensagens que estão sendo apresentadas.

Mesmo com todos
os pontos positivos, e com as maravilhosas mensagens da história, o musical
peca no quesito direção e produção. Uma das coisas que prejudicaram o filme (pelo menos, de acordo com o meu ponto de vista), foi
o tempo e a falta de planejamento, ou talvez tenha sido o planejamento
equivocado do tempo que estaria disponível para o filme. Infelizmente, diversas
cenas e acontecimentos passaram rápido demais, se apresentaram demasiadamente
enxugados, e isso prejudica, ou melhor, prejudicou o entendimento do telespectador, em muitos casos, esses detalhes impedem que a pessoa compreenda o que está sendo passado, entenda o que está nas
entrelinhas. 

Outra coisa que me frustrou foi o fato de que, em determinados
momentos, possuímos cenas belíssimas, muito bem montadas, com a paisagem se
integrando perfeitamente à atuação dos personagens e tudo formando algo de
encher os olhos, porém, em outros casos, nós temos cenas simplórias, que não
fazem justiça aquela beleza que observamos em determinadas partes do filme. O
que senti foi uma certa onda de altos e baixos, quando, o filme poderia conter
apenas altos.

Por fim, faço
um pedido sincero, peço que assistam ao filme, peço que prestem atenção nas
músicas, não a melodia, mas nas mensagens que elas tentam nos passar, peço que
entendam esse musical como algo muito maior do que um simples conto de fadas, ele
não se trata disso. Caminhos da Floresta tenta nos mostrar, tenta nos chamar a
atenção para os ritos de passagem. É um filme cheio de mensagens importantes, que se aproveita dos contos de fada para nos ensinar algo, da forma como todo conto de fadas deve fazer!


rela
ciona
dos