Título Original: The Coldest Girl in Coldtown
Autora: Holly
Black
Ano: 2013
Editora: Novo
Conceito
Páginas: 382
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Eu sempre fui
apaixonada por vampiros, desde pequenina eu era fascinada (e confesso que também
morria de medo) destes seres sombrios. Desde então o meu amor por eles só cresceu, e aquele medo
que eu tinha no começo simplesmente desapareceu com o tempo. Os vampiros conquistaram um
lugar no meu coração que somente Dorian Gray (que não é exatamente um monstro)
consegue alcançar. 

Eu sou aquele tipo de pessoa que lê qualquer coisa relacionada a
vampiros, e confesso, não tenho nenhum problema em admitir que li os três livros da série Crepúsculo e cheguei até a
página cento e alguma coisa do último livro. Por esse motivo eu vou contar um
segredo para vocês, e acreditem, tudo o que estou dizendo agora têm um motivo
para estar aqui. Eu acho a história de Crepúsculo aceitável (a dos dois
primeiros livros foi boa), mas eu nunca, NUNCA, gostei do que a Meyer fez com
os meus amados e maravilhosos vampiros, assim como não gostei da forma como ela
conduziu a sua história.

Considerando
tudo isso que acabei de falar e salvando algumas das minhas opiniões e
considerações sobre o universo e a natureza dos vampiros para mais tarde, afinal, tudo está interligado, eu tenho que dizer
que tive nada menos do que uma maravilhosa surpresa ao completar a leitura de A
Menina mais Fria de Coldtown
. Nunca pensei que encontraria um livro de vampiros atual que fosse tão bem escrito e instigante quanto este, e é claro, não poderia deixar de compartilhar essa história com vocês.
Neste livro nós
observamos como os humanos se comportariam caso houvesse uma infestação de
vampiros, acompanhamos uma sociedade que acredita ter encontrado a melhor forma
de conter os surtos desses monstros sombrios, percebemos que o vampirismo vem sendo encarado
como uma doença, ou melhor, ele se tornou uma epidemia que encontra
dificuldades em ser contida. 

Os Estados Unidos (sim, sempre eles) parecem ter
encontrado a melhor solução para os problemas causados pelos vampiros. Para
conter os surtos e “evitar” a propagação desta praga, eles criaram as Coldtowns,
que são grandes áreas de quarentena permanente (tá certo isso produção?!),
estas áreas podem até mesmo tomar cidades inteiras. As Coldtowns funcionam de
maneira livre e orgânica, uma vez criadas, elas são capazes de prender até
mesmo os humanos desafortunados, livres da infecção, que não tiveram a chance de
fugir enquanto podiam, homens, mulheres, idosos, crianças e até mesmo bebês indefesos podem ficar presos caso não tenham a chance de fugir. Todas as medidas são tomadas para evitar que essa
infecção se espalhe, e para garantir que os vampiros fiquem presos lá dentro.
No interior de seus muros os vampiros criam as regras, se aproveitam da internet
para criar uma propaganda pesada da beleza do vampirismo, permitem que humanos
fiquem vivos para que possam ter sangue fresco sempre que quiserem. Com o
tempo, foi ficando cada vez mais fácil entrar em uma dessas fortalezas, devido
a beleza e sensualidade que somente vampiros conseguem proporcionar, mas uma
vez dentro de uma Coldtown, sua probabilidade de sair cai para quase zero.

“Porém, os
cientistas continuavam insistindo que os vampiros não eram monstros por
completo. Em teoria, com a fome saciada, eles são as mesmas pessoas que eram
antes, e com a mesma capacidade de fazer escolhas morais. Em teoria. ”

Dito isto nós
passamos para a nossa maravilhosa história, bem, pessoas como eu acham a
história maravilhosa, mas confesso que ela pode não agradar todos os gostos.
Tudo começa em uma agradável festa de adolescentes, realizada em uma casa de
campo afastada da cidade. Nossa graciosa e determinada personagem principal, Tana, estava na
festa e não se lembra muito bem o que aconteceu na noite anterior, tudo o que
ela sabe é que de alguma forma acabou caindo no sono dentro da banheira de um
dos banheiros da casa. Ao acordar ela percebe que está sem o celular, sem suas botas e sem as chaves
do carro, e agora precisa encontrar tudo para voltar para casa enquanto os
raios de sol ainda brilham lá fora. Tana sai do banheiro já pensando no que vai encontrar lá fora, ela se preocupa com o
fato de que todos já devem estar acordados e tomando um ótimo café da manhã, pensa que eles podem tirar sarro dela, fazer piadinhas,
mas a sua preocupação não era nada comparada ao que esperava por ela na sala da
casa.
Sangue para
todos os lados, derramado e coagulando no tapete da sala, pingos e jatos de sangue nas
paredes, escorrendo por entre os móveis e, como se não bastasse, no meio disso tudo, cadáveres. Todos os amigos de Tana estavam mortos. Algum, ou na pior das hipóteses, vários vampiros famintos devem ter
invadido a festa durante a noite e se aproveitado do enorme banquete de sangue
que estava disponível. Tudo o que Tana quer, e precisa fazer agora é sair dali,
sumir o mais rápido possível pois os vampiros que invadiram a festa podem
estar se escondendo em qualquer canto da casa, fugindo dos mortais raios de
sol. 
Tana consegue
encontrar suas coisas e está pronta para sair o mais rápido possível daquele
pesadelo, mas enquanto realizava a sua pequena busca, e quando pensava que o dia não poderia piorar, ela descobre algo
surpreendente. Seu ex namorado e amigo, Aidan, estava acorrentado em uma cama de
um dos quartos da casa, e como se não bastasse, ele estava infectado. Mas o
pior de tudo era que (sempre tem como ficar pior), em um dos cantos do quarto havia um vampiro também
acorrentado. Tana descobre que o vampiro se chama Gavriel, e apesar de estar acorrentado, morrendo de fome e próximo demais aos raios de sol, ele parece calmo o suficiente para auxiliar Tana. Em meio ao perigo
que surge com o pôr do sol, ao mar de sangue que surgiu na sala de estar, e das vozes de outros vampiros que surgem fora do quarto, ela decide tirar tanto Aidan quanto Gavriel daquela
casa de horrores, juntos eles seguirão um caminho sem volta para a Coldtown
mais próxima.

“Nós nos
cultivamos debaixo de tantas ilusões em relação a nós mesmos até que somos
desnudados. Estando infectados, sendo vampiros, somos sempre nós mesmos. Talvez
até mais nós mesmos do que jamais fomos antes. ”

A Menina Mais
Fria de Coldtown
é tudo o que um livro sobre vampiros atual deveria ser, ele é aquele tipo de livro que leva os amantes de vampiros de volta aos clássicos, mas também nos apresenta uma visão atual e moderna destes monstros sem precisar alterar sua natureza e características.
Holly Black conseguiu demonstrar de uma maneira primorosa toda a beleza,
sensualidade, imortalidade que somente os vampiros conseguem apresentar, mas
também nos mostrou de uma forma maravilhosa todo o sangue, crueldade, maldade,
e monstruosidade que esses seres possuem. A autora se aproveitou dos clássicos
para criar a sua história, e isso fez com que essa leitora aqui se apaixonasse
por cada capítulo, cada frase, cada palavra escolhida pela autora. Aqui os
vampiros possuem fome, fome de verdade, uma fome insaciável de sangue, e aqui é
difícil controlar essa fome. Neste livro vampiros morrem ao serem expostos aos
raios de sol, morrem com estacas de madeira eu seus corações, mas também são
belos, são instigantes, muitos ainda possuem certa humanidade.
A autora soube dosar muito bem todos os elementos necessários para uma boa história de vampiros. Ela não teve medo algum de usar sangue, e muito sangue, ao longo da história. Não teve medo de criar momentos de reflexão, em que os personagens pensam sobre o seu passado, suas escolhas e seu futuro. É um romance com vampiros da forma como ele deve ser, perigoso, assustador e ao mesmo tempo, tentador. Outra coisa que
me encantou e me fez pular de alegria foi o fato de que todo o livro é escrito
em terceira pessoa! Que falta que eu senti disso. Que alegria é ler um livro em
terceira pessoa, que maravilha é sentir que um narrador especial está te
contando a história, que graça é os segredos de cada personagem de maneira irrestrita, sem precisar observa-los pelos olhos de uma única pessoa!
Por fim, temos
a edição de encher os olhos da Novo Conceito. Em
primeiro lugar eu tenho que parabenizar a editora por manter a capa original. O fato é, que eu sou apaixonada pela capa original desse livro, e acho que ela é
perfeita em sua própria beleza e estranheza, por isso agradeço a editora por
manter a capa. Em segundo lugar nós temos o grande cuidado demonstrado com relação ao livro, mais uma vez a Novo Conceito mostrou que é possível trazer, e criar elementos chamativos e belos, nos mostrou que os livros não precisam ser tão tradicionais. Neste exemplar cada página possuí gotas de sangue derramado, espirrado, gotejado, bem, em um livro de vampiros e, em um livro que transborda sangue, nada
mais justo do que dar esse toque final ao exemplar. Meu único
desejo era de que, esses pinguinhos fossem impressos em um tom bem apagado de
vermelho (eu posso sonhar, não posso?!). O único ponto que deixou a desejar, e que eu preciso destacar é que, pelo menos no caso do exemplar que eu tenho aqui comigo (primeira impressão), ainda existem uma certa quantidade de erros na revisão, são
erros pequenos, mas que atrapalham um pouco a leitura.
A Menina Mais
Fria de Coldtown
é um livro perfeito, envolvente, instigante, é o tipo de livro
que qualquer amante de vampiros irá gostar. Aqui a autora não tem medo de criar
cenas fortes, que fazem o leitor imaginar tudo com a maior realidade possível,
neste livro nós somos levados para o passado, mas também acompanhamos o presente.
Aqui o sangue, sentimentos, cenas impressionantes e segredos se reúnem para formar uma obra completa, uma obra que ensina a
certos autores, como um livro de vampiros deve ser.

“… pensando
no jogo de beber que havia jogado na casa da fazenda, pensando na história que
nunca terminara, pensando em uma moeda girando sem cair, nem cara, nem coroa. ”

rela
ciona
dos