Entrevista Internacional – Randy Susan Meyers

03 out, 2015 Por Raissa Martins

Olá leitores!  Li Mentiras que Confortam (resenha aqui) e gostei tanto do livro que fui atrás da  autora, Randy Susan Meyers, importuná-la para me conceder uma entrevista, hahaha! Como sempre, foi difícil traduzir e em alguns pontos não está ao pé da letra porque há expressões em inglês que não usamos em nossa língua. Mas espero que gostem!

♥ entrevista postada originalmente no O Outro Lado da Raposa.

Randy nasceu no Brooklyn, Nova York, onde ela rapidamente trocou suas bonecas por livros, tornando-se uma leitora insaciável. Passou por muitas transformações e até chegou a protestar nas ruas pelos seus direitos, ela diz que estava pronta para mudar o mundo. Mudou-se para a Califórnia, atrás de seus sonhos. Se mantinha por lá lá vendendo doces. Depois de algum tempo, Randy voltou para Nova York, agora já casada e com outros negócios. Randy teve filhos e depois que eles foram para a faculdade é que ela teve tempo de realmente se dedicar por inteiro à escrita.

Para saber mais, acesse seu site e seu facebook.
(colocarei as perguntas e resposta em inglês e português)
1) Where the book idea did came from? (The Comfort of Lies) Your characters are real people characteristics? Tell us a little about the message the book imparts. 
1) De onde surgiu a ideia do livro? (Mentiras que Confortam) Seus personagens tem características de pessoas reais? Nos conto um pouco sobre a mensagem que o livro passa.
I didn’t give up a baby for adoption nor adopt a child, but with every pregnancy scare I had, I wondered about the choices I might make. Infidelity? I struggled with the issue in ways that all owed The Comfort of Lies to come frighteningly alive in my mind (and hopefully on paper.) I haven’t suffered through all of my characters’ crises but I’ve been close enough to imagine them all far too well.

Writing this book drew me to dark places and gloomy themes (falling hard for a man who isn’t yours; learning your husband has cheated; an unplanned pregnancy; thinking that you’re not cut out for mother hood; giving up a child for adoption; wrestling with the pull towards work and the demands of motherhood; failing at work.)

Blowing up emotional truths into a “what-if” novel forced me to visit past sins of my own, sins that were visited upon me, and sins that had always terrified me as my future possibilities. People disappearing, or not being what or whom one thought—these themes are at the core of my writing and my life. The Comfort of Lies is not autobiographical—but I drew on bad times and exploded those stretches into “could be far worse” and “what if.”

I examined that thin line teetering between morality and absolution. These are themes I seem to visit in all my writing: the many ways women approach motherhood, fear of truth, for giving others for sins and forgiving oneself for sins.

There something a little creepy about knowing that when friends, family, neighbors, and mailman read the novels I wrote, that they’re probably thinking: So that’s what she thinks about when she has sex! Oh, that’s how she really views her kids! My God, she lies to her husband?

No matter how much I insist that no, the mean cheating husband is not really a faintly disguised version of my husband (or ex-husband), I’m quite sure that their nod of agreement translates to, Sure. I just bet.

How to explain a writer’s joyous transmogrification of demons into fiction? How to tell someone that no, that is not my mother, my sister, my husband, but a stew of the emotions and fears and love that I’ve absorbed. Philip Roth said it well in an interview (that I can’t locate) where he explained how it was the very goodness of his mother that allowed him to write about awful mothers. I understood that, because it was only after I entered a warm loving relationship that I could explore the darkest parts of myself without fear.

I’ve tried to explain my work process, in answer to those knowing glances about my characters: No. It’s not me—it’s nuggets of all my fixations blown up into a world of crazy. It is, as I read in The Nobodies Album, a novel by Carolyn Parkhurst, the butter that I can finally put in the cookies, a phrase from Parkhurst’s main character, a writer, who muses:

“There’s an analogy I came up with once for an interview who asked me how much of my material was autobiographical. I said that the life experience of a fiction writer is like butter in cookie dough: it’s a crucial part of flavor and texture—you certainly couldn’t leave it out—but if you’ve done it right, it can’t be discerned as a separate element. There shouldn’t be a place that anyone can point to and say, There—she’s talking about her miscarriage, or Look—he wrote that because his wife has an affair.”

I hope I never forget the phrase (and that I always give proper thanks to Parkhurst) about “the butter in cookie dough”. What a perfect capture for fiction—taking the elemental issues with which one struggles, giving those problems to one’s characters, and kneading those thorny emotional themes that haunt into the thoughts, minds, and actions of those characters until, hopefully, you can beat that sucker into submission.

Then move on to the next one.

How do you explain to a neighbor that your lifelong struggle with a mother obsessed with vanity became a character’s need to re-invent herself as a cosmetic tycoon? That your daily struggle with weight grew into a character’s morbid obesity? That your lonesome childhood morphed into a Dickensian orphanage?

How do you answer the questions, “Where did you get that idea?” There’s not a book club I’ve visited that hasn’t asked me that question about my book, and while the answers I give are honest: a childhood incident, the work I’ve done, a letter to the editor I read—those are the answers about the book’s recipe.

Now, thanks to Pankhurst, I have the answer to how the emotions marbling the story really came about:

It’s the butter in the cookies.


Eu não dei um bebê para adoção e nem adotei uma criança, mas com todo o medo da gravidez eu me questionei sobre as escolhas que fiz. Infidelidade? Eu lidei com a questão do jeito que todos deveriam. Mentiras que Confortam veio de uma forma bem viva e real em minha mente (e espero que no papel também). Eu não sofri através de todas as crises dos meus personagens, mas eu estive perto o suficiente para imaginá-los muito bem.
Escrever este livro me atraiu para lugares escuros e temas sombrios (se apaixonar perdidamente por um homem que não é seu; descobrir que seu marido te traiu; uma gravidez não planejada; achar que você não foi feita para a maternidade; dar uma criança para adoção; Dar duro no trabalho e ser mãe; falhar no trabalho). Trazendo a tona verdades emocionais em um livro cheio de “e se” me forçou a visitar meus próprios pecados passados. Pecados que me visitaram e pecados que sempre me apavoraram.
Mentiras que Confortam não é uma autobiografia, mas eu o rascunhei em um momento ruim e isso explodiu em trechos de “poderia ter sido pior” e “e se”.
Eu examinei essa linha fina que oscila entre moralidade e absolvição. Esses são temas que eu pareço usar em toda a minha escrita: as muitas maneiras que as mulheres lidam com a maternidade, o medo da verdade, o ato de perdoar aos outros e perdoar a si mesma.
Existe uma coisa estranha em quando amigos, família, vizinhos e o carteiro leem meu livro, parece que eles estão provavelmente pensando: Então é isso o que ela pensa quando está prestes a transar! Nossa, é assim como ela realmente vê suas filhas! Meu Deus, ela mente para o marido?
Não importa o quanto eu insista que não, o marido mentiroso e traidor não é uma versão mal disfarçada do meu marido (ou ex marido). Eu tenho quase certeza de que aquele aceno positivo com a cabeça significa “claro, eu aposto que não”.
Como explicar a satisfação do escritor em transcrever seus demônios para a ficção? Como explicar que não, aquele personagem não é minha mãe, minha irmã, meu marido, mas ainda assim as emoções, medo e amor são sentimentos reais que vivi?
Philip Roth disse em uma entrevista (não sei onde) que sua mãe foi muito bondosa em permitir que ele escrevesse sobre mães terríveis.
Eu entendi isso, porque foi só após eu ter entrado em um relacionamento quente e amoroso é que pude explorar as partes mais escuras de mim mesma sem medo.
Para explicar melhor meu processo de escrita posso usar uma fala de uma escritora, Carolyn Parkhurst, que em uma entrevista foi perguntada sobre o quanto do que ela escreveu era autobiográfico. E ela disse: “A experiência de vida de um escritor de ficção é como a manteiga em um cookie. É uma parte crucial do sabor e textura – você certamente não poderia deixar de fora – mas se você fez certo pode ser discriminado como um elemento à parte. Não deve ser um lugar que qualquer um pode apontar e dizer, “Aqui! Ela está falando sobre seu aborto espontâneo” ou “Olha, ele escreveu isso porque a mulher dele teve um caso”. “
Graças à Carolyn Parkhurst eu tenho a resposta sobre de onde as emoções do livro saíram.
É a manteiga do cookie! 

2) You always been interested in writing?
2) Você sempre se interessou por escrever?
Yes, yes, and yes! I always loved writing (and in fact co-authored a nonfiction book in my twenties) but due to circumstances (single-parenting, working two jobs) it took many years before I could concentrate on my truelove (besides my children and 2ndhusband)of fiction.

One of the main advantages in waiting to write is this: I believe using emotional experience from the past gives me greater control in my work than I had when I was writing from fresh wounds. When I look back at some of my earlier work (unpublished!) I see that I was far less able to be honest. I was not able to write without “the reader over my shoulder.” It is obvious to me (with much wincing) how much I was writing to either heal my own past or justify decisions I’d made. Now I don’t feel that constraint.

And, very important, now I can have a calm life while in fusing my work with every bit of drama I can squeeze in, living by these words from Gustave Flaubert:

“Be regular and orderly in your life, so that you may be violent and original in your work.”
Sim, sim e sim! Eu sempre amei escrever (na verdade eu até fui co-autora de um livro de não-ficção quando tinha vinte anos), mas devido às circunstancias (mãe solteira, que trabalha em dois empregos) levou vários anos para eu me concentrar em meu verdadeiro amor (além de minhas filhas e meu segundo marido) por ficção.
Uma das muitas vantagens em esperar para escrever é: eu acredito que usar minha experiência emocional do passado me da controle no meu trabalho, mais do que eu tinha quando eu escrevia com as feridas frescas. Quando olho para meu recém terminado trabalho (não publicado!) eu vejo que fui muito mais capaz de ser honesta. Eu não era capaz de escrever sem “o leitor sobre o meu ombro”. É óbvio para mim como eu estava escrevendo para ou curar meu passado ou justificar as decisões que tomei. Agora eu não sinto mais essa limitação.
E, mais importante, agora eu posso ter uma vida calma enquanto trabalho com um pouco de drama em meus livros. Eu posso viver por essas palavras de Gustave Flaubert:
“Seja normal e ordenado em sua vida de modo que você pode ser violento e original em seu trabalho.”
3) Who are your favorite writers?
3 ) Quem são seus escritores favoritos? 
I have so many that naming one or two would be unfair to the others. My influences include Lisa Alther, Rosellen Brown, Susan Isaacs, Paul Theroux and Alice Walker.
Eu tenho tantos que citar um ou dois seria injusto com os outros. Minhas influencias incluem Lisa Alther, Rosellen Brown, Susan Isaacs, Paul Theroux e Alice Walker.
4) How is the feedback from your readers?
4) Como é o feedback dos seus leitores? 
My greatest joy has been meeting with book groups and getting email from readers. I feel that my books have touched them and they have touched me. 
Minha grande alegria tem sido me encontrar com grupos de livro e receber emails de leitores. Eu sinto que meus livros tem tocado eles e eles tem me tocado também.
5) Do you have any tip for the new writers?
5) Você tem alguma dica para novos escritores?
Be patient! Write the very best book you can before rushing into trying to publish. Read, read and read some more. Expect to write at least five (minimum!) drafts of your novel. Let each draft cool down between revisions. And find a writer’s group. 
Seja paciente! Escreva o melhor livro que puder antes de tentar publicar. Leia, leia e leia um pouco mais. Espere para escrever pelo menos (no mínimo) cinco rascunhos de seu livro. Deixe cada rascunho esfriar entre as revisões. E ache grupos de escritores.
Então, espero que tenham gostado tanto da entrevista quanto eu!

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ciona
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