Título Original: The Girl With a Clock for a Heart

Autor: Peter
Swanson
Ano: 2014
Editora: Novo
Conceito
Páginas: 285
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Quando soube que
esse livro seria lançado pela editora Novo Conceito, no final do ano passado, confesso que uma grande curiosidade começou a surgir. Por motivos que eu não
sei decifrar, e confesso que não sei dizer com precisão o que se passava na
minha mente naquela época, senti que essa história traria algo surpreendente,
traria um clima de Garota Exemplar (já resenhado aqui).  Então vamos a resenha!

George Foss é um homem acomodado, ele trabalha em um emprego estável, mora no mesmo apartamento a vários anos, vai sempre ao mesmo bar e possuí uma relação de vai e vem com a mesma mulher a algum tempo. Olhando apenas por esse ângulo já podemos perceber uma fórmula básica sendo seguida pelo autor, mas existe muito mais tempero comum nesta história.

“Ele entrou
naquela casa fresca, esperando ser consumido pelo medo assim que pusesse os pés
lá dentro. Em vez disso, sentiu uma sensação surreal de tranquilidade, como se
estivesse num sonho acordado. ”

Como homem acomodado que é, e sem grandes
expectativas em sua vida, George se vê instigado
quando encontra, no bar que costuma frequentar, uma mulher extremamente parecida com
uma antiga namorada da época da faculdade. Decidindo ir até a mesa da moça para
verificar se ela é a pessoa que pensa que é, George estará fazendo muito mais
do que ir apenas bater um papo. Quando menos perceber ele será adicionado a uma
grande teia de mentiras, conspirações, assassinato e manipulação.
A fórmula de A
Desconhecida
é simples. Pegue um homem acomodado; então adicione um amor de faculdade que
terminou de forma brusca, nunca foi bem resolvido e desapareceu de repente e
sem deixar rastros; para completar acrescente intrigas,
assassinatos e uma dívida de dinheiro com algum bandido importante. Unindo todos esses fatores você terá uma história de suspense clássica, uma fórmula que funcionou muito
bem em vários livros e filmes ao longo da história, porém, nesse caso, ficou
sem sal. Foi como se no meio de ingredientes tão comuns nos faltasse o fator
inovação, algo que unisse todos os elementos em algo instigante e emocionante.
O problema com
esse livro é que a narrativa é morna. Pelo menos, em minha experiência com a
leitura do livro, não houve conexão com a história, identificação, não houve aquele momento em
que você percebe que algo está para acontecer e fica esperando ansioso pelo que
vem a seguir. A leitura foi mecânica, sem grandes pontos altos, sem
reviravoltas surpreendente ou revelações admiráveis. 

Apesar de ter em suas mãos
uma boa história, senti que Peter
Swanson
não foi capaz de aproveitar o potencial que ela oferecia. Esse é aquele tipo de livro que te frustra pela possibilidade de que poderia ter sido algo maior do que realmente é. Mas
não me levem a mal, por favor, não pensem que odiei esse livro, minhas críticas não estão relacionadas ao fato de que não
gostei da obra, pois eu gostei. Elas estão direcionadas o potencial que não foi aproveitado, a perca do fator surpresa e a falta que senti por encontrar apenas o fator comum.

“George olhou
para as outras fotos em cima da televisão. Havia vários retratos de colégio da
mesma garota, mas nenhuma de Audrey. ”

Outro ponto que
me irritou e fez com que a leitura se tornasse menos atraente, foi o próprio personagem
principal. O que
prejudicou a história, pelo menos para mim, foi observar um adulto maduro e
consciente de coisas que ocorreram no passado e não foram nada agradáveis,
optar por seguir os mesmos caminhos, optar por deixar suas dúvidas de lado e
agir como um tolo. Em vários momentos o personagem faz escolhas bobas, dignas
de um adolescente, coisa que ele não é mais e que por seus sentimentos e pensamentos o levam para situações que poderiam ter facilmente sido evitadas. Caso o
autor tivesse modificado um pouco a personalidade de George, e alterado de forma
simples a maneira como ele é inserido em toda a confusão desse livro, acredito que a
narrativa se mostrasse mais instigante e bem montada.
Mas não estou
aqui apenas para criticar. Mais uma vez venho parabenizar a editora Novo
Conceito
pelo trabalho realizado em suas publicações. Apesar de possuir uma formatação simples A
Desconhecida
é um livro belo em sua simplicidade. Sua edição proporciona uma
leitura agradável e, o que me deixou mais feliz foi o fato de que não encontrei
nenhum erro de revisão ao longo da leitura. São detalhes como esse que deixam os leitores mais animados, felizes com a edição que possuem em mãos e ansiosos pelos novos lançamentos!
Para finalizar,
preciso destacar novamente que gostei desse livro e achei sua história
interessante, mas a forma como ela foi escrita, moldada e pensada fez com seu
potencial ficasse para trás e não atingisse o nível máximo. Um suspense é bom
quando nos deixa instigados, nos faz querer desvendar os mistérios por trás de
cada página, faz com que nossas mentes trabalhem como loucas para tentar identificar
a verdade por trás das mentiras, e infelizmente, isso não aconteceu nesse
livro. 

Pensava que esta seria uma história incrível e instigante, seria uma narrativa confusa (no bom sentido) e maravilhosa. Não nego que as minhas expectativas estavam nas alturas com relação ao livro, pois adoro um bom suspense. Mas é como dizem: “quanto maior a altura, maior a queda”, e apesar de garantir que minha queda não foi terrível, tenho que dizer que esperava mais, muito mais dessa história.

O suspense existe sim, mas foi mal executado, criando uma narrativa sem
muitos atrativos que não nos leva para uma jornada de descobertas e confusão.
Pensando em tudo isso, recomendo e não recomendo A Desconhecida. Deixo a
critério de cada leitor decidir por ler ou não esse livro, e peço que aqueles
que já o leram, me digam o que pensaram dessa história, o que acharam do resultado final e se o livro atingiu suas expectativas ou não.

“O que estou
dizendo é que talvez as pessoas nas quais nos transformamos sejam a realidade
de quem somos. ”

rela
ciona
dos