Título
Original:
Slated
Autora:
Teri Terry
Ano:
2012
Editora:
Farol Literário
Páginas:
430
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Sempre
fui da opinião de que com uma facilidade quase absurda é possível descobrir o
melhor e o pior de qualquer gênero literário. Isso graças a diversidade de
opções que conseguimos encontrar hoje em dia, tanto nas livrarias físicas
quanto nas virtuais, e principalmente nas virtuais. 
Lembro que quando era mais
nova sempre foi bem complicado encontrar esse ou aquele livro, até mesmo descobrir
livros novos era uma coisa diferente naquela época, pelo menos sempre foi para mim. Hoje, em compensação, as
coisas estão mais fácies. Porém com essa facilidade veio também as famosas
febres literárias. Até um tempo atrás a distopia era um dos gêneros literários mais
comentados, procurados e adaptados, e apesar de toda essa febre estar
esfriando, confesso que ela foi capaz de conquistar um espaço especial no meu
coração. Já vi algumas ideias bem fraquinhas por aí, mas meu coração se enche
de amor toda vez que encontro uma joia no meio de tantos e tantos livros para se ler.

“Então
eu a construo, tijolo a tijolo. Fileira a fileira. Uma torre alta, como a da
Rapunzel, mas esta não tem janela, nenhum lugar para jogar os meus cabelos. ”

Reiniciados
foi uma grata surpresa, uma joia adorável que me mostrou diversas facetas,
construiu mistérios sem respostas e me deixou com os nervos à flor da pele. Com
uma premissa que a princípio pode parecer simples e sem grandes rumos, essa obra
nos joga para todos os lados sem muita informação. Ela nos faz sentir como se
estivéssemos sem lembranças, como se não soubéssemos exatamente em quem
confiar, como se a desconfiança reinasse em cada página e fosse necessário
extremo cuidado ao tomar esse ou aquele segredo como verdadeiro.
Kyla
é uma reiniciada. Em seu mundo, reiniciados são aqueles que receberam uma segunda chance. Porém ao
conseguir esse novo destino para suas vidas eles devem abrir mão de quem foram,
de suas peculiaridades, de tudo o que os tornava o que eram, devem deixar para trás sua história. Uma vez dentro do
complexo destinado ao procedimento e readaptação desses jovens, somente sairão sendo novas pessoas, somente sairão quando estiverem definitivamente reprogramados. Para que isso possa acontecer todas as suas lembranças devem ser apagadas. Como pequenos bebês, inocentes e sem qualquer noção do mundo exterior eles devem aprender tudo do início, e para garantir
que estejam sempre na linha lhes é adicionado um Nivo. Esse terrível aparelho é capaz de
monitorar seus níveis de felicidade, raiva e tristeza, garantindo assim que os
novos membros da sociedade sejam mantidos sob constante vigilância até o momento em que atinjam a idade considerada segura para a retirada do controlador.

“Minhas
memórias se foram, mas parte de mim se lembra. Meu corpo, meus músculos. Como a
mão esquerda com o lápis. ”

Apesar
de todos os detalhes, de todos os procedimentos, aulas, normas e aconselhamentos,
Kyla é diferente. Quando é adotada por uma nova família e lhe é dado um novo
mundo cheio de descobertas e possibilidades, ela encontra uma mãe nervosa,
porém adorável que não quer nada mais do que sua proteção e seu bem e parece
saber muito mais do que aparenta. Encontrará um pai ausente e misterioso,
alguém que se esforça muito para ser o que não é. 
Quando finalmente é inserida
a um novo começo ela descobre que a realidade pode não ser exatamente aquilo
que lhe foi prometido. Uma vez em sociedade ela deve manter as aparências,
esconder seus segredos, agradar a todos e evitar encrenca, mas nada será capaz
de impedir que segredos, intrigas e tudo aquilo que se esconde pela superfície venha
à tona. Quando todos são mais do que aparentam e se descobre que o que havia
sido apagado pode estar vivo dentro de si, tudo pode se direcionar para o caos
em apenas um passe de mágica. 
Quando
menos esperamos nos vemos imersos em um mundo de segredos, aparências e muitas
mentiras. Nada é o que parece ser. As informações são como migalhas, são
jogadas ao leitor apenas para deixa-lo ainda mais ansioso, perdido em outro
mundo, um mundo do qual sabe muito pouco, assim como a personagem principal.
Quando iniciamos a leitura iniciamos uma jornada em conjunto com a
protagonista, o que lhe é mostrado é o que sabemos, as informações são escassas
e nos fazem pensar, criar teorias, nos fazem querer mais. Assim como Kyla
queremos entender, descobrir o que existe dentro do livro. Observamos tudo à
procura de pistas, porém não é possível confiar completamente em qualquer
palavra, assim como os personagens, elas podem nos enganar.

“E
se não sou uma nova pessoa, seja lá o que eu tenha feito, ainda está aqui,
ainda é parte de mim, escondida em algum lugar. ”

Teri
Terry
definitivamente sabe conduzir uma história. Esse é o primeiro livro que
leio da autora, e mesmo assim, quando o finalizei estava de queixo caído ansiando por mais.
Com uma escrita simples, porém muito bem pensada ela nos cativa com uma trama
cheia de segredos e suspense. A sociedade criada pela autora é muito mais
elaborada do que parece e não segue uma premissa básica ou vista em qualquer outro livro por aí. A autora brinca com a história que serve como plano de
fundo da mesma forma como brinca com seus personagens. Ela cria intrigas,
mentiras e nos mantém presos em um mundo de tensão, porém tudo vale a pena
quando descobrimos motivos e segredos escondidos.
Como
se não bastasse uma história cheia de intrigas e mistérios, uma escrita e trama
geniais, ainda somos apresentados a personagens muitíssimo bem elaborados. Cada
personagem possuí sua própria personalidade e se mantém fiel a ela. Não existem
decaídas, momentos em que percebemos deslizes, cada ação e sentimento é
condizente com cada situação, nada é forçado. Tudo o que vemos nos é
apresentado da melhor forma possível e nos faz sentir os sentimentos certos.
Quando
um livro é bem escrito nós sentimos o coração aquecer, quando os personagens
são cativantes nós sentimos carinho e raiva, quando os mistérios de uma obra
nos intrigam e fazem com que possamos sentir cada confusão apresentada,
percebemos que estamos frente a frente com aquele algo mais. Passei muito tempo
escrevendo resenhas por aqui, mas infelizmente nem todos os livros que
compartilhei com vocês possuíam aquele algo mais, possuíam aquele segredo
sagrado que somente os melhores possuem. 
Mais uma vez tive a chance de me
deparar com esse segredo e é a melhor coisa do mundo ser capaz de trazer um
pouquinho desse mistério para vocês. Os segredos e as aparências são realmente
as palavras capazes de expressar esse livro, e ainda sim, não são capazes de
dizer nada sobre ele, e é assim mesmo que deve ser. Quando uma obra é realmente
surpreendente ela só pode ser compreendida completamente através da leitura,
sendo assim, deixo aqui meu pedido para que todos, cada um de vocês, se aventure
pelas palavras dessa obra.

“A
junta recomenda a finalização. Doutora Lysander tem o controle. Novo tratamento
realizado. Monitorar os sinais de regressão após o novo tratamento.
Recomendados vigilantes extras. A junta recomenda o término se houver
reincidência. ”

rela
ciona
dos