Resenha: Ligeiramente Seduzidos

Título Original: Slightly Tempted
Autora: Mary Balogh
Ano: 2016
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
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É chegada a hora do quarto livro da série Os Bedwyns da autora Mary Balogh. Ligeiramente Seduzidos é um lançamento de maio da Arqueiro e apesar de integrar uma série, pode ser lido separadamente. Porém, visto que cada livro falará sobre um irmão da família, é claro que spoilers aparecerão por aí, então, leia por sua conta em risco.

Morgan está passando uma temporada de festividades em Bruxelas na Bélgica. Sendo ela a mais nova dos Bedwyns, ela é uma boa observadora, já presenciou todas as experiências de seus irmãos e tirou lições para a sua própria vida. Portanto, apesar de inocente, ela se acha experiente por tudo que já escutou e viu. Diante isso, não demora muito até que Morgan perceba a presença extravagante do Conde de Rosthorn, uma notável atração na cidade, e suas intenções com sua aproximação.

Gervase Ashford, Conde de Rosthorn, se aproxima de Morgan motivado apenas pela vingança. Obviamente que num primeiro momento ele a acha atraente, porém, muito nova. Mas na realidade, nada disso importaria diante suas reais intenções com a dama. Ao saber que Morgan é a irmã mais nova de Wulfric Bedwyn, a quem culpa pelos seus nove anos longe da Inglaterra, Gervase dedica boa parte do seu tempo para conquistar a moça, para que depois possa arruiná-la.

"Tenho que lhe roubar um beijo. E já que a senhorita, de forma tão corajosa, alegou que não permitirá que lhe roube um segundo ou um terceiro, devo fazer o melhor possível no primeiro."


Apesar de todo plot principal, que envolve o desejo de vingança de Gervase e o envolvimento dele com Morgan, também seremos agraciados pelos acontecimentos históricos da época e pelas subtramas que envolverão personagens secundários e um em especial, muito querido por nós. E nossa... como Mary me deixou aflita neste livro, como ela conseguiu judiar do meu coração em tão poucas palavras e me emocionar com grandes atos de Morgan.

A autora me surpreendeu neste volume. Mary Balogh trabalha muito mais profundamente o contexto histórico neste livro do que em seus anteriores. Neste, a autora detalha acontecimentos históricos sobre a guerra, algo inédito para mim nos romances de época. O clima de tensão e crueldade é presente durante todo o tempo, o que influencia diretamente nas atitudes dos personagens. O clima do livro faz com que as emoções aflorem muito mais e rapidamente.

A trama é muito mais instigante, seremos brindados por um enredo envolto a traição, desentendimentos, revelações e segredos, mas é claro, como um contraponto, seremos confortados pelo acolhimento desta família. Como qualquer romance de época que se preze, os protagonistas não se abalam pelos escândalos iminentes e nem descartam uma boa sedução, mesmo Morgan com sua pouca idade, afinal ela é uma Bedwyn. 


Anotem este nome. Morgan Bedwyn disparou na frente como minha Bedwyn preferida, o duque que me desculpe, mas ela com apenas 18 anos se mostrou uma mulher madura e de personalidade, muito mais que Freyja poderia ser. A jovem, apesar da época, onde a sociedade não perdoava mesmo em tempos de guerra, não se abala pelas fofocas e esquece totalmente as ditas convenções sociais do qual uma jovem dama deveria se regrar. Ela simplesmente faz o que é necessário pelos outros, por ela e por sua família. 

Apesar de nascida em berço de ouro, Morgan, não aceita o rótulo de "inocente demais" para as atrocidades da guerra e na Bélgica, perto das trincheiras de ingleses, franceses o do resto da Europa, é que Morgan entende a importância das mulheres na guerra, do lamento e do luto das noivas e das esposas que se despedem dos seus maridos sem saber se um dia os verão novamente. 

É com esta realidade que Morgan cresce durante a trama e se prova uma das mulheres mais viscerais e corajosas de toda esta série. Ser, provavelmente, dona de um dos maiores dotes da Inglaterra, não impede que Morgan arremangue suas mangas e ajude homens que vêm lutando por sua pátria. Diferente do resto da nobreza, ela não foge, ela luta à sua maneira, alcançando um simples copo d'água, fazendo curativos, amputando membros, segurando a mão daqueles que estão partindo. Pequenos gestos que engrandecem esta pequena mulher.

As atitudes impulsivas e caridosas de Morgan chamam não só atenção da população, mas também surpreende Gervase que logo percebe ter julgado mal e direcionado erroneamente sua prestação de contas contra Wulf para ela. De fútil a uma mulher respeitável, com fibra e determinação. É assim que ele começa a enxergá-la. 


Uma coisa interessante de ser ver é, diante este conflito entre Gervase e Wulfric, a autora abordará um assunto pouco visto em livros históricos e provavelmente na própria Europa do século XIX. Eu não vou falar que desfecho é este, pois seria um baita spoiler, mas fiquem atentos quando a verdade do problema desses dois, que aflorou o desejo de vingança de Gervase, vier à tona. Achei o assunto relevante e interessante para os leitores. 

Paro de falar por aqui, pois de jeito nenhum, gostaria de tirar a gostosa experiência de leitura que é Ligeiramente Seduzidos. A autora continua apostando alto em seus personagens carismáticos, trabalha melhor sua trama romântica, mas também as secundárias que vão muito além do romance. Sutilmente, assuntos como preconceito e problemas sociais, servem para dar o toque final neste livro. Em meio a guerra, o luto e a sociedade, Balogh mais uma vez, nos prova que o amor não chega numa bandeja de prata, é preciso batalhar para que ela chegue até você.

Sem dúvidas um dos meus preferidos da série, e o final, me faz querer para ontem os próximos volumes. A série ainda receberá mais dois livros que completarão a coleção. Até os próximos livros e confiram as resenhas dos outros livros da série.



Um comentário

  1. Oi, Joi!
    Não li nenhum livro dessa série, mas estou apaixonada por essas resenhas! Quer ler logo, beiijos
    Borboletas de Papel | Fanpage

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