Título Original: Contos Amargos
Autores: Alessandra Morales, Allana Machado, Bruno Catão, Paulo Vitor Mendonça
Ano: 2016
Editora: PenDragon
Páginas: 100
Compre aqui

Primeiramente, preciso agradecer a Alessandra Tapias por ter confiado a mim, uma das primeiras resenhas da sua antologia de estreia em parceria com os outros três autores. Juntos, Alessandra, Bruno Catão, Allana Machado e Paulo Victor Mendonça, tecem estes contos amargos, juntos surpreendem os leitores com histórias verossímeis, que podem estar acontecendo em qualquer lar pelo mundo, no seu vizinho, no apartamento ao lado, na casa da esquina. 
A dor, a doença, os problemas em si, não param de acontecer, eles estão presentes no nosso dia a dia, e por vezes, driblamos eles quando nos convém, até o dia que não há mais como. As vezes, o time adversário está em tão maior número que é impossível não querer mais ver. Simplesmente já está dentro da nossa casa.
Totalizando 16 contos, cada autor é responsável por quatro, e os temas são variados, porém, todos, completamente reflexivos, reais, pesados e até mesmo chocantes para os leitores mais fracos. Aqui, veremos, principalmente, contos sobre o câncer, depressão, relacionamentos abusivos, agressão, sequestro, bullying, sociopatia e incesto. Também teremos a presença de um ser da mitologia grega que leva o nome de seu conto. É como se fosse a morte trabalhando como uma atravessadora da vida.
Inclusive, isso foi uma das ferramentas que Bruno usou para amarrar seus quatro contos, o que para mim foi uma jogada genial, finalizando o ciclo de suas histórias. Gostei da delicadeza sombria que a Alessandra tratou seus contos, principalmente a forma que ela insere a visão de uma criança na narrativa. Allana é corajosa e audaciosa, confesso que senti um misto de medo e admiração diante sua mente. Por fim, Paulo Vitor completa o time, trabalhando os mesmos temas com sabedoria, mas igualmente aos quatro, de forma perturbadora.
Uma das doenças abordadas no livro, que na atualidade continua sendo subestimada, é a depressão. A depressão continua sendo um tabu, um assunto não levado a sério entre muitos meios e pessoas. No conto “Doença Silenciosa”, o autor mostra uma reflexão clara da maneira que uma pessoa pode sucumbir diante a depressão sem que perceba.

Os temas dos contos são abordados por diversos pontos de vista, o que amplia ainda mais a reflexão do leitor. Teremos desde a ótica de uma criança, com toda sua inocência, diante aos horrores de uma doença como o câncer, até a coragem de um senhor que luta contra a doença como um verdadeiro pugilista. A depressão também é abordada pelas diversas formas que ela pode atacar. Vai desde a manifestação mais comum em um jovem adulto à uma mulher que sobrevive ao luto de forma depreciativa. Por fim, temos a doença manifestada no conto de uma jovem mãe que sofre de depressão pós-parto, e talvez, a forma mais intratável e difícil de digerir, principalmente entre as mulheres.
Não vou falar muito mais sobre os outros contos, pois não quero estragar a experiência que foi finalizar está leitura, principalmente na atual situação que, nossa já corrompida, sociedade se encontra. As manchetes estão por todos os lados, no jornal, na novela, chovendo por nossa time-line. Assim como o presente, o livro é um choque de realidade, uma dose de verdade para as almas que ainda se recusam a acreditar na maldade e na fragilidade humana. Estamos todos aqui a mercê do improvável, dos horrores da vida que podem ser silenciosos, internos ou externos. A vida não é sempre bela, a vida é amarga com fragmentos doces.

rela
ciona
dos