Título Original: Não Quero ser Lembrado
Autor: Lucas Rezende
Ano: 2016
Editora: Empíreo
Páginas: 192
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Não quero ser lembrado é o romance de estreia do autor nacional Lucas Rezende e lançamento da editora Empíreo.
Bernardo está perturbado – ou seria satisfeito? – ao lado do corpo da esposa Patrícia. É assim que o livro começa. Após esta trágica apresentação, saltaremos no tempo, entre o passado e o passado-recente e acompanharemos de que maneira Patrícia e Bernardo se conheceram, namoraram e se casaram. O progresso da obra é feito em uma espécie de contagem regressiva para o desfecho, uma ferramenta bastante imersiva e que mexe com a ansiedade do leitor.
Antes de entender melhor a sua relação com Patrícia, iremos adentrar na mente perturbada e extremamente frágil de Bernardo sem resguardos e a maneira pelo qual, durante anos pareceu não se enquadrar na sociedade. Durante a leitura, o leitor vai entendendo e enxergando a verdade por trás de sua face, alguém com claros problemas de convívio, insegurança e autoestima. 
Durante a leitura das 190 páginas de Não quero ser lembrado, veremos que ainda criança, Bernardo descobriu que não precisava ser para sempre o perdedor. Que ele poderia se olhar no espelho e ver algo temível, que poderia tomar as rédeas de sua vida, algo que o deixaria satisfeito consigo mesmo. É na sua infância que desperta os primeiros indícios da sua verdadeira personalidade, algo que o moldaria para sempre. Detalhes, ações e desejos peculiares que fariam parte da construção da sua personalidade e do seu comportamento. O reflexo de como seria sua adolescência e sua vida adulta, que depois de anos o levaria ao fundo do poço.

Com a chegada de Patrícia em sua vida, uma pessoa totalmente diferente comparada a Bernardo, é possível notar uma melhora. Bernardo consegue se abrir para a parceira e mostra a ela os cantos mais obscuros da sua mente. Livre das amarras que o prenderam durante muito tempo, como se isso fizesse parte de sua libertação, que junto a ela parece, enfim, se curar do caminho sombrio que o levou até aquele momento. Bernardo vai falar sobre seus traumas da infância, suas memórias e de seus episódios de violência. 
Confesso que as passagens onde a essência do personagem se mostra mais vil me causou repulsa  e desconforto, quase que não consegui acompanhar a descrição das cenas, porém, depois de já ter absorvido a história, vejo que sem isso, talvez a personalidade e as atitudes de Bernardo não fossem tão convincentes e nem tão amedrontadoras. O fato, sem dúvidas, enriquece a leitura, causando ao leitor um misto de sentimentos. É verdade que para os leitores mais sensíveis, estas passagens podem ser demais.

Não quero ser lembrado é aquele tipo de livro que nos leva a pensar sobre as maldades espalhadas pelo mundo. Quantas mentes intoxicadas estão à espera de um gatilho? Mesmo sendo uma ficção, a história contida neste livro pode muito bem ser real, e é. Quantos Bernardos podem estar por aí? E quantas Patrícias ainda poderão existir? Os reais sociopatas estão por aí, vivendo entre nós todos os dias e o pior, não há como sabermos de suas existências em nossas vidas e quando há, pode ser tarde demais. 
Ao final, o leitor mesmo por dentro do desfecho da história, ainda é surpreendido. Lucas Rezende prova que não revelaria o “desfecho” do seu livro sem um bom motivo. A leitura é bastante pesada, é intensa, é extremamente psicológica e agoniante em alguns momentos, mas sem dúvidas, é um ótimo livro. Bernardo pode não querer ser lembrado, mas sem dúvidas eu e qualquer leitor que conclua este livro se lembrará desta história. Parabéns.

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