Título Original: Through the Woods
Autora: Emily Carrol
Ano: 2014
Editora: McElderry Books
Páginas: 208
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Você já passou meses esperando pela oportunidade de ter em mãos uma obra literária que a muito tempo te fascina? Já passou mais de um ano sonhando com o dia em que aquele dinheiro sofrido seria, finalmente, redirecionado para a compra daquele único livro? Já se viu perdido em meio aos comentários de pessoas que leram a obra enquanto você esperava ansiosamente para observar cada detalhe com os próprios olhos?Você já pediu para as estrelas, para a lua e para os céus para que, por favor, por favor, façam com que tudo tenha valido a pena, que aquele livro que tanto te encantou não te desaponte nem mesmo um pouquinho? Eu já vivi cada uma dessas situações, já senti cada um desses sentimentos, e no final, tudo valeu a pena!

Sempre fui fascinada por histórias em quadrinhos, por livros ilustrados, por graphic novels. Admito que não entendo praticamente nada desse universo ilustrado, desse mundo de cores e desenhos maravilhosos, mas gosto de me aventurar, sempre, e na medida do possível, por obras capazes de aliar de uma maneira mágica uma história escrita com ilustrações maravilhosas e cores absurdamente bem escolhidas. Por ter um carinho enorme por livros do gênero, não é de se espantar que tenha me interessado por um livro como o Through the Woods.
Through the Woods é uma graphic novel composta por cinco histórias de terror e suspense. Antes de nos apresentar a cada pequena história, nós iremos encontrar um pequeno prólogo e ao final, um pequeno epílogo. Esses dois elementos, apesar de não estarem diretamente ligados ao universo geral das histórias, podem ser o que, após o passeio fascinante pela obra, se transforma em peça chave para trazer a união que talvez fosse impossível existir entre cinco histórias totalmente diferentes. Mas tudo isso, toda essa união e magia, todo o arremate que encontraremos, todos os sentidos e sentimentos explorados serão recompensados após nossa jornada. São esses pequenos detalhes, esse mistério, essa magia que nos mostra aquela velha fórmula tão adorada, que nos ensinou que em toda boa história de terror, a narrativa precisa te deixar com aquele último suspense no ar, com aquela última pequena angústia, e é justamente isso que o epílogo faz, e que garante a criação de uma obra brilhante.
As histórias contadas vão desde o casamento arranjado que acabou mostrando o lado sombrio do marido e o que ele fez com sua outra esposa, até o sumiço de um pai que saiu de casa e deixou para trás suas três filhas com apenas um conselho, se ele não voltasse em três dias, elas deveriam ir para a casa do vizinho. O que une cada uma dessas histórias é o fato de que, cada uma delas, está direta ou indiretamente ligada a floresta. A floresta é a união, é a liga que faz com que, mesmo distantes, as histórias estejam interligadas (isso e o prólogo e epílogo, não se esqueçam deles). É na floresta que o mal se esconde, é lá que o pior do ser humano aparece, mas também é de lá que vem tudo aquilo que não ousamos comentar, que contém magia e mistério.
As histórias, por si só, são um ponto positivo da obra, porém, o que realmente transforma Through the Woods na maravilha que é, é justamente essa união de boas histórias, criadas pela mente linda e criativa de Emily Carrol, com ilustrações belíssimas e coloração acertada. As ilustrações dessa obra seguem uma linha muito similar a cada nova narrativa iniciada, mas em cada uma delas algo muda. É algo sutil, porém perceptível, e ainda sim, encantador. O traço se mantém basicamente o mesmo, mas quando seguimos para a escolha de cores encontramos o céu! Durante uma trama nós iremos encontrar grande utilização de cores primárias, na outra, iremos encontrar belíssimos tons pastéis, já na próxima iremos encontrar uma atmosfera sombria proporcionada por uma baixa saturação na coloração, o que nos proporciona uma cartela quase em preto e branco. Cada nova estratégia utilizada, tanto nas cores, quando nas breves mudanças do traço, fazem com que a atmosfera mude e a história contada ganhe mais vida, mais mistério, se torne mágica.

A beleza dessa obra é vista pelo todo e pelos detalhes, isso pode soar contraditório eu sei, mas só quem é capaz de perceber a união de cada detalhe, e o detalhe dentro da união, irá entender, ou pelo menos tentar entender o que estou tentando dizer. É por causa da fonte escolhida, da utilização ou não de balões de diálogo, das cores, do traço, são todos os detalhes que tornam essa obra o que ela é. Cada elemento, cada pequeno detalhe é uma obra de arte, foi pensado para funcionar sozinho e com o todo, e é por isso que a obra é tão rica, tão bela, e mesmo sendo um livro com breves histórias de terror, não deixa de proporcionar uma visão única do que deve ser uma maravilhosa graphic novel.

Through the Woods é uma leitura rápida quando analisada através da quantidade de páginas e dos breves diálogos. Mas essa obra não deve ser lida, deve ser sentida, analisada, apreciada. O livro só se mostrará, só será desvendado quando o leitor se deixar levar, se jogar nesse universo, quando o leitor se permitir transformar em espectador dos acontecimentos. Assim como nas histórias, nós também precisamos adentrar na floresta e descobrir seus mistérios e sentir aquilo que nos cerca pouco a pouco. E tudo o que foi adicionado está ali para garantir isso, para garantir que sejamos presos na floresta, e que possamos olhar o mal nos olhos.

Faziam meses que a floresta me chamava, cantava uma melodia encantadora para me conduzir a histórias incríveis. Ela me direcionou, focou minha visão para as cores vibrantes de uma única noite ou para o sumiço de cor nos olhos de alguém, me fez sentir o uivo do vento soando distante. Dentro de suas veias observei o trabalho brilhante de um livro que é muito mais do que uma história, ele nos mostra como é possível unir narrativas sombrias a ilustrações belíssimas. 

Through the Woods é aquele calafrio, aquele olhar para a escuridão e o não saber o que nos espera, ele é belo com todo o seu lado sombrio, e é único por trazer uma proposta criativa para histórias de terror. Assim, te convido a passar pela floresta, te convido a desvendar os mistérios que se escondem pelas arvores, e espero que, assim como eu, saia diferente, mudado, encantado após a experiência única que é conhecer essa obra!

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