Título
Original:
Labyrinth: The Novelization
Autor:
A. C. H. Smith/Jim Henson
Ano:
2014
Editora:
Darkside
Páginas:
272
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Quando
era criança tinha uma paixão arrebatadora por fantasias. Não que hoje, após
conhecer os mais diversos gêneros e ter me aventurado por histórias que nunca
pensei existir, não ame mais esse gênero mágico e encantador, mas para a minha versão criança, tudo era baseado em fantasia. 
Assisti uma lista infinitamente finita de
filmes, me encantei por histórias de fadas, torres de marfim, guerreiros
corajosos, histórias sem fim, porém algumas dessas histórias maravilhosas
acabaram se perdendo em meio a tantas lembranças, guardadas com carinho nas
gavetas mágicas da minha mente. E então, anos e anos se passaram, novas
histórias surgiram para tomar o lugar daquelas que formaram a base para todo o
meu amor por fantasia, e uma delas surgiu para acordar aquela criança
novamente, mostrar algo que somente as antigas fantasias podem
mostrar, trazer novamente o brilho nos olhos da menina que passava as tardes
desbravando filmes fantásticos.

“Ninguém
via a coruja, branca à luz do luar, negra contra as estrelas. Ninguém a ouvia
planando no ar, com silenciosas asas de veludo. Mas a coruja tudo via e tudo ouvia.

O
livro Labirinto é a novelização escrita por A. C. H. Smith do filme de mesmo
nome pensado por Jim Henson, lançado no ano de 1986 e estrelado por David Bowie
e Jennifer Connelly. Quando esta obra surgiu na porta de minha casa, se
mostrava como um segredo, uma incógnita que precisava descobrir uma vez que as
gavetas mágicas que armazenavam lembranças dos filmes assistidos em minha infância
estavam abarrotadas demais para se encontrar qualquer coisa. Ou talvez tudo não
tenha passado de uma grande peça do destino, uma forma de fazer com que a
leitora de 24 anos se encontrasse no labirinto com a pequena criança de seis ou
oito anos que passava as tardes desbravando e conhecendo novos mundos.
A
obra irá nos apresentar a história de Sarah, uma menina de dezesseis anos que
vive com o pai, a madrasta e seu irmãozinho mais novo Toby. Durante uma noite
de tempestade, Sarah é deixada em casa para cuidar de seu pequeno irmão, porém,
após quase perder a cabeça com o choro do bebê ela, em sua inocência e ignorância, acaba
pronunciando as palavras capazes de fazer com que seu irmãozinho seja levado
pelo Rei dos Duendes. Após perceber seu erro e ousar repará-lo, a menina deve enfrentar, dentro
do período estabelecido de treze horas, um enorme labirinto, para assim e somente assim, ter seu irmão novamente. Derrotando, em consequência, vossa excelência o Rei dos
Duendes, quem fará de tudo para vê-la falhar.
Labirinto,
como Jim Henson o pensou, é um conto sobre aceitação e crescimento, porém
também é uma história sobre amizade. Assim como toda boa história de fantasia –
e não estou falando do Reino de Fantasia – a obra apresenta mensagens implantadas
e integradas a toda a jornada dos personagens. Mensagens estas, demonstradas para o
leitor, ou espectador, de uma maneira única, capaz de nos fazer crescer
juntamente com as batalhas enfrentadas por cada personagem. Através das diferenças, das personalidades e do
enfrentamento de situações adversas descobrimos o poder de aceitar o outro por
sua essência. Aprendemos as maravilhas que podemos alcançar e realizar quando aceitamos a ajuda e as peculiaridades de outros em nossas jornadas. E assim, aprendemos
sobre amizade.

“Lâminas
de nuvens cortavam a face da lua. Ela pensou ter visto de relance a silhueta de
uma coruja, lá no alto, as asas totalmente abertas no ar, afastando-se gradualmente.

Amizade
é a força capaz de nos fazer crescer, amadurecer. Amizade é o poder escondido dentro
de cada um de nós, a luz que brilha mais forte nos momentos de dificuldade, é o
aceitar as diferenças e dar as mãos para enfrentar a jornada a nossa frente, é
se arrepender e voltar atrás, é descobrir que não precisamos deixar de ser quem
somos para sermos aceitos. É antes de tudo, ter coragem para saber que erramos e reparar nossos erros, é recitar as palavras certas e entrar de queixo erguido nas profundezas do labirinto.
Mas,
como muitos tão acertadamente perceberam, Labirinto também é um conto sobre a
passagem da criança para a fase adulta. A Sarah do início de nossa história era
imatura, se emburrava com ações que não entendia, pensava saber as verdades por
trás de seus pais e madrasta, mas a, o mundo adulto é muito mais complexo do
que sua cabecinha de dezesseis anos poderia imaginar. Ao enfrentar o labirinto,
olhar o Rei dos Duendes nos olhos e mostrar que estava pronta para enfrentar
sua jornada, mesmo sem saber das dificuldades que surgiriam, Sarah nos
mostra o enfrentamento à vida. A personagem nos instiga, olha em nossos olhos e mostra que não tinha medo
de seguir para o desconhecido. A Sarah que volta do labirinto é outra versão de si mesmo, é
uma menina capaz de aceitar, de ver o mundo com outros olhos, e essa é a lição
que o Labirinto nos trás de uma maneira tão bela.
Como
se não bastasse toda a magia dessa história maravilhosa, seus ensinamentos e
mensagens, ainda recebemos extras de deixar qualquer fã do filme fascinado. Aqui
encontramos ilustrações e croquis de Brian Froud, colaborador de Jim Henson na
empreitada de dar vida a suas ideias. E para fechar com chave de ouro, e nos
inspirar ainda mais, encontramos trechos inéditos dos cadernos de Jim no
momento em que transformava o Labirinto em um projeto que se transformaria
nesse filme que guardamos com tanto amor em nossos corações!
Quando
iniciei a leitura dessa obra era apenas a leitora de 24 anos cheia de amor por
livros e histórias fantásticas, porém, ao entrar no labirinto novamente fiz um
caminho diferente do de Sarah. Dessa vez reencontrei aquela garotinha
apaixonada por fadas e dragões, aquela criança fascinada por mundos que somente
a fantasia é capaz de criar e percebi o quanto essas histórias fazem falta em nossas vidas. Muito mais do que uma novelização de um filme que
muitos assistiram em sua infância, Labirinto é uma mensagem capaz de nos
encantar através dos anos, mesmo após termos saído de nossos casulos e enfrentado o Rei dos
Duendes. Muito mais do que revisitado por grandes fãs, crianças que o
assistiram quando novas e se esqueceram de sua magia, essa obra deve ser
passada para as novas gerações, pois existe algo que somente a fantasia é capaz
de nos mostrar e é através dela que espalhamos as sementes de magia pelo mundo.

“Do
lado de fora da janela escura, a coruja branca, um símbolo da observação e da
espera, estivera empoleirada com suas garras cravadas em um galho por todo esse
tempo. Agora, alçava voo por sobre o parque, em silenciosas asas de veludo,
subindo em direção a lua cheia. Ninguém a viu, branca à luz do luar, negra
contra as estrelas da imensidão. ”

rela
ciona
dos