Título Original: Bridget Jones: The Edge of Reason
Autora: Helen Fielding
Ano: 2016
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 395
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Vinte anos após o lançamento de O Diário de Bridget Jones, finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro livro da série e me apaixonar por essa personagem cheia de problemas, dramática, carismática e muito, mas muito engraçada. O amor bateu tão forte que a história da personagem foi capaz de derreter esse coração de gelo que sempre encontra problemas nas histórias fofas, fica com raiva dos personagens em histórias românticas e principalmente, odeia indecisões acentuadas e dramatismo exagerado. Mas nesse caso a fórmula deu certo, e, após me encantar pelo primeiro livro, não poderia perder a chance de conferir o segundo.
Acompanhando os acontecimentos do primeiro livro, No Limite da Razão nos agracia com uma pontada de esperança e algumas irritações logo no início da narrativa. Bridget Jones, após todos os acontecimentos do livro anterior, finalmente conseguiu se entender com Mark Darcy, e agora, finalmente, para a alegria de todos, estão juntos e felizes. Como um casal adorável de livros fofos deveria ser. Porém, não demorou para que as coisas começassem a desandar e o livro me mostrasse tudo aquilo que sempre me irrita nesse estilo de obra.

Sem sombra de dúvida, está tudo bem. Eu amo Mark Darcy. Às vezes ele é meio assustador, mas no fundo é muito bom e carinhoso. Isso é ótimo. Eu acho.

Conforme avançamos na narrativa, e a esperança passa a falhar, surge no horizonte a irritante, egoísta e mimada Rebecca. A personagem já havia me incomodado no primeiro livro, porém, aqui ela recebe um palco maior, digno de toda a sua vontade de crescer em status e riqueza. Com um piscar de olhos a personagem passa para o ataque e move montanhas e rios, cria estratégias e fórmulas, faz de tudo para que o relacionamento do nosso querido casal dê errado e adivinhem, no final, ela fique com o adorável, rico, educado e maravilhoso Mark Darcy.Porém, não foi Rebecca quem mais irritou essa rabugenta leitora, foi a própria personagem principal que dá nome ao livro. No momento em que iniciei a leitura, esperava, ansiava por um pequeno amadurecimento, gostaria de ver a personagem percebendo as coisas de uma maneira um pouco mais adulta e um pouco menos manipulável. É sua neura, seus dramas, suas amigas cheias de opiniões para dar, sua falta de profissionalismo, o ódio ao sexo oposto disfarçado de feminismo e tantas outras coisas que levam a personagem ao fundo do poço, e consequentemente, corrompem seu relacionamento com Darcy.

Apesar de um início difícil, é necessário passar por ele, através dele, enfrentar tudo de cabeça erguida, passar pelas páginas de irritação e frustração, pelos momentos em que sentimos vontade de entrar na história e dar aquela chacoalhada na personagem. Pois é com o fundo do poço que a personagem cresce.
Quando já estava perdendo a esperança, no momento em que a certeza me assombrava e o feitiço liberado no livro anterior mostrava-se enfraquecido, quando, lentamente voltava a ser aquela leitora ranzinza, a história começa a mudar e mostrar que aquele amadurecimento que tanto desejei no início da história, está começando a surgir. Mas será necessário ao leitor muita paciência, boa vontade e esperança para ver que, perto do final, a personagem realmente evolui e amadurece.

Pulamos meio metro para trás, sobressaltadas. Era o Mr. Darcy. A mesma voz podre de chique, profunda e imperturbável que tinha proposto casamento a Elizabeth Bennet na BBC.

Enquanto o amadurecimento não chega, iremos voltar ao bom humor e toda a graça que somente Bridget Jones é capaz de trazer. Tudo aquilo que gostei no primeiro livro, as piadas, os momentos engraçados, a indecisão e dramatismo acentuados da personagem que geram cenas maravilhosas e bem-humoradas está presente neste livro, porém, é necessário passar pelo início complicado para chegar até ele. Ao contrário de O Diário de Bridget Jones, em que do início ao fim iremos encontrar um livro que mantém o padrão, bom humor, cenas dignas de uma comédia romântica e toda a representação da “imagem” feminina, nossas neuras e dramas reais e irreais, neste livro, percebemos três momentos específicos que podem agradar ou desiludir o leitor. Devemos passar pelo início difícil, pelo miolo que nos lembra toda a graça e bom humor da personagem, e então chegar ao momento em que ela cresce e amadurece.
Não me arriscaria em classificar Bridget Jones: No Limite da Razão como um livro melhor do que o primeiro, porém, da mesma forma, não sou capaz de dizer que ele é um livro ruim ou uma decepção. Essa obra, apesar de não ter me encantado tanto quanto o início da série, conseguiu mostrar que conheço o meu lado leitora o suficiente para reconhecer estratégias e fórmulas que não me agradam, para perceber quando seria interessante um personagem evoluir, mas também mostrou que, quando insistimos em uma obra, quando acreditamos que a mesma ainda possuí algo para nos mostrar, podemos encontrar elementos que nunca seríamos capazes de encontrar caso desistíssemos da leitura. Para os fãs da personagem, a obra é totalmente válida e com certeza merece ser lida. Mas não posso negar que com as decepções e acontecimentos desse livro, tenho um medo profundo do que pode acontecer a seguir. Assim, como diriam meus companheiros de Castle Black: “My watch is ended”.

Afaguei seu cabelo e beijei sua cabeça. Depois disse o que eu sentia, do fundo do coração. E o milagre, quando terminei, foi que ele me disse que sentia exatamente o mesmo.

Confira a crítica da última adaptação da série, O Bebê de Bridget Jones.

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