Título Original: The Demonologist: The Extraordinary Career of Ed and Lorraine Warren
Autor: Gerald Brittle
Ano: 2016
Editora: Darkside Books
Páginas: 268
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Em setembro de 1926, nascia, no estado de Connecticut, um garotinho adorável e com todas as características que unimos para considerar uma pessoa “normal”, porém à sua frente surgia um caminho único, caminho este que poucos imaginariam – para não dizer acreditariam – existir e que muitos provavelmente teriam receio de enfrentar.Esse garotinho se chamava Ed Warren, hoje conhecido e destacado como um grande demonologista. Não muito distante de Ed, no ano de 1927, nascia Lorraine, uma garota graciosa que veio ao mundo com o dom de ser uma clarividente e médium de transe leve. Admirada por muitos, e de uma sabedoria que conquista até os mais despreocupados Lorraine era a peça que faltava na equação que se formou no dia em que Ed nasceu. Essas duas almas únicas estavam destinadas a se encontrar, porém, muito mais do que unir-se em matrimonio, Ed e Lorraine Warren se uniram também para trilhar uma tarefa dura e incompreendida, a de auxiliar pessoas com problemas ligados ao sobrenatural.

Você provavelmente já ouviu falar do casal Warren, aquele par de “caça fantasmas” que enfrentam casas mal-assombradas e bonecas demoníacas nos filmes de terror. Você provavelmente já ouviu dizer que, os filmes onde o casal surge como personagens importantes e auxiliam as almas desamparadas de pessoas como eu e você, são baseados em fatos reais. Mas não se engane, o conhecimento do casal, sua trajetória e missão vai muito além do que os filmes poderiam demonstrar, e é sua trajetória, sua sabedoria e conhecimento, seus casos mais sombrios, que iremos desvendar em Ed e Lorraine Warren: Demonologistas.

Ed e Lorraine Warren iniciam sua carreira no ano de 1940, porém, até o ano de 1970 o casal permanece, digamos, no anonimato. Os casos que atendiam e o trabalho que faziam, até aquele momento não era divulgado, conhecido pelo público, mas nunca deixou de ser único e de grande valor para aqueles que lidavam com o desconhecido e não faziam ideia de como se livrar dele. O início de seu aparecimento ao público, do conhecimento e divulgação do nome dos dois, bem como, de tudo o que vinham fazendo levará então, no ano de 1976, o casal para o caso Amityville e a partir disso, garantir que mais e mais pessoas pudessem contar com seus serviços e conhecer seus nomes. Levando os dois para uma espécie de fama, e trazendo grandes responsabilidades.
Quanto mais casos atendiam, mais o casal descobria e assim foi se tornando possível construir um conhecimento especializado sobre o mundo sobrenatural, as características dos espíritos humanos e inumanos, bem como quais são ou podem ser as intenções de um espírito com relação a família, pessoa ou objeto que manipula ou tenta manipular. Muito mais do que sua trajetória, a obra escrita por Gerald Brittle, nos apresenta casos com os quais o casal lidou e informações obtidas ao longo de toda a sua trajetória. Tudo repassado ao leitor por meio de citações do próprio casal e a condução didática e certeira do autor.
Após finalizar a leitura da obra, confesso que alguns aspectos específicos surgiram em minha mente. O primeiro está direcionado com o tratamento dado as informações passadas para o leitor e, desse aspecto, surgem dois detalhes que considero interessante abordar nessa resenha. Tenha em mente portanto, daqui em diante, que a abordagem do livro é específica, direta, com um toque acadêmico, porém acessível ao leitor.
O que percebi, entendendo então a abordagem do autor, foi a falta, ou talvez omissão, de detalhes importantes que fariam diferença ao longo da obra. Logo na introdução encontramos explicações relacionadas a abordagem utilizada e as informações contidas no livro, porém, destaca-se que serão também explorados aspectos científicos relacionados aos casos dos Warren. Apesar de existirem informações importantes, justificativas e uma abordagem séria sobre o assunto, senti falta de uma visão “mais científica”, de informações exploradas sob um prima diferente, da real união entre o sobrenatural e os dados científicos que os confirmem, do discurso científico e metodológico capaz de convencer muitos. Sei que isso poderia pesar a narrativa, torna-la até mesmo maçante, mas considerando a importância que essa obra possuí e o fato de que Ed e Lorraine são profissionais sérios, esse detalhe poderia ter sido explorado.
O segundo detalhe pode se tratar de uma “chatice” minha, da necessidade e desejo de uma leitora que enxerga a obra com o olhar sério que possuí. Assim, digo que senti falta de uma bibliografia, sim, uma bibliografia. Ao longo do livro o autor se aproveita de citações de personagens importantes, bem como, outros autores ligados ao tema da demonologia. Da mesma forma, ele faz uso da citação de títulos de obras que se mostram relevantes para o contexto. Assim, talvez fosse interessante fornecer a bibliografia, o material utilizado para complementar a obra, tornando-a, ao meu olhar, mais completa.
Por fim, considero Ed e Lorraine Warren: Demonologistas, um aviso que não quer ser ouvido. Nossa sociedade, vivendo na era da comunicação e informação, possuindo todo o tipo de acesso a conhecimentos nunca antes vistos e compartilhados, insiste em achar que é capaz de controlar a tudo e todos. A popularização de tabuleiros Ouija, as brincadeiras com o obscuro, a banalização do mundo espiritual nos torna reféns de algo que não entendemos, mesmo fingindo entender. Acredito que o importante do livro, além da trajetória do casal e de todo o conhecimento compartilhado, é justamente o aviso, a mensagem de que não devemos mexer com aquilo que desconhecemos.
No fim, não importam suas crenças, seu ceticismo, sua religião, o aviso é claro e simples. Após anos e anos de descrenças, da criação e estabelecimento de religiões que nos precaviam do desconhecido, após anos e anos em que desaprendemos a importância da prudência e do “ter cuidado”, os Warren nos aconselham a não brincar com o que desconhecemos. No final do dia, quando desejamos contatar o outro lado, devemos estar preparados, pois algo pode responder, e podemos não gostar da resposta.

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