Título Original: Wolf by Wolf
Autora: Ryan Graudin
Ano: 2016
Editora: Seguinte
Páginas: 360
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No mais novo livro da autora de Cidade Murada (resenha), Ryan Graudin nos apresenta um mundo onde o Eixo venceu a Segunda Guerra Mundial. As grandes potências mundiais são a Alemanha e Japão e para comemorar a vitória, anualmente é feita uma corrida de motocicletas através da Ásia e Europa, chamada Tour do Eixo. O vencedor ganha dinheiro, fama e no caso da última vencedora, primeira mulher a vencer a corrida, ganha a oportunidade de conhecer Adolf Hitler pessoalmente no Baile da Vitória. Adele Wolfe pretende refazer o feito, porém agora, os riscos que corre são ainda maiores. 
Yael faz parte da Resistência e conspira contra o Führer. Assombrada pelos horrores que viveu nos campos de concentração, Yael sofreu diversos experimentos na mão do Anjo da Morte. O médico liderou uma série de testes em prisioneiros e por este motivo, Yael desenvolveu uma mutação, que acabou lhe ajudando em sua fuga. Atualmente, ela é uma arma poderosa da Resistência e está nas mãos dela a execução do golpe de Estado capaz de ascender a chama de uma grande revolução. Para isso, Yael precisa ganhar a corrida e também convencer a todos que é a verdadeira Adele Wolfe.
A leitura de Lobo por Lobo se mostrou surpreendente. Não apenas pelo pano de fundo histórico, mas também por sua trama ficcional, ritmo de narrativa e caracterização dos personagens. Com capítulos separados entre o passado, onde descobrimos a origem de Yael, e o presente, somos instigados a continuar com a leitura. Desta maneira, o livro se enquadra em um bom pageturner, onde é preciso conhecer cada detalhe e acontecimento. 

“Adeus. Era sempre um adeus, não? Ela nunca conseguia dizer adeus em voz alta.”

O fato de toda história ocorrer em uma corrida, contribui com que os momentos de ação sejam de tirar o fôlego e cheios de adrenalina. Cenas dignas para uma corrida onde quase tudo é permitido e todos ali querem ganhar. Intrigas e traição é permito, vale tudo pela vitória. São nestas cenas que Yael tem que se provar, pois muitos estão correndo em suas costas, seu senso de dever e a pressão a motiva e é ainda maior em cada deslize.

Falando sobre os personagens, é interessante de acompanhar a ligação de Yael com Felix Wolfe e também com Lucas Löwe, que claramente tem um passado com Adele, uma história mal resolvida que poderá comprometer o sucesso de Yael em sua missão. Lobo por Lobo apesar de apresentar um conteúdo bastante completo, inicia como uma boa base introdutória para a continuação da duologia. O final é daqueles arrebatadores e saber que ainda não temos a continuação em mãos me deixou angustiada por alguns dias. 
A edição da Seguinte está bastante bonita e apresenta uma capa condizente com a história. A diagramação é simples, mas ótima para a leitura. Encontrei alguns erros ortográficos que se repetiram na edição e infelizmente, senti falta de uma ou outra nota de rodapé, ou até mesmo de um glossário no final do livro. Eu ainda não sou fluente em alemão, mas tive que deduzir muitas das expressões utilizadas pela autora. Porém, é claro que isso são pequenos detalhes que não atrapalham do entendimento e desenrolar da trama.

Eu concluo esta resenha dizendo que é possível questionar desde o início da leitura o “e se?”. E se Hitler tivesse vencido a guerra, e se o Partido Nazista continuasse ativo com proporções, agora, mundiais? E se o Japão tivesse apoiado a Alemanha Nazista? Como estaríamos hoje? Esta e outras várias questões são abordadas, não só em Lobo por Lobo, mas também estão presentes em diversos livros que exploram esta possibilidade. Ryan utiliza isso como pano de fundo, como um leque de hipóteses na sua história, mas sem deixar de mesclar a ficção. Com sua liberdade criativa, a autora instiga o leitor com nuances do que poderia ser real, é uma história envolvente, repleta de revelações e de momentos grandiosos.
Lobo por Lobo, apesar do toque fantástico, é mais um livro para relembrarmos do que o ser humano é capaz quando lhe dão poder. Hitler pode ter perdido a guerra, mas sementes que foram plantadas há 70 anos continuam germinando na nossa população. Ódio, racismo e preconceito continuam presentes em nossa vida e histórias como Lobo por Lobo funcionam como um alerta, um lembrete que todos somos iguais e dignos da vida. Mais uma vez Ryan Graudin está de parabéns por atingir através do seu livro, muitos jovens leitores.

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