A Cura – Crítica

16 fev, 2017 Por Nina Novaes

The Cure for Wellness

Lançamento: 16 de fevereiro de 2017
Com: Mia Goth, Dane Dehaan e Jason Isaacs
Gênero: Terror Psicológico

Depois do grande sucesso do começo dos anos 2000, “O Chamado”, Gore Verbinski volta com um novo filme de terror psicológico: “A Cura”. Mais uma vez envolvendo água e poços, o diretor tenta inovar ambientando a história em uma espécie de sanatório de luxo.
Lockhart (Dane DeHaan) é o personagem principal e o estereótipo de Wall Street. Um jovem esgotado por sua própria ambição que trabalha para uma grande empresa de negócios em Nova York. Ele é incumbido da tarefa de ir atrás do diretor da empresa (CEO) que está em um retiro terapêutico em um spa nos alpes suíços. A volta dele para Nova York é primordial para a empresa. Lockhart se vê encurralado por seus superiores a completar essa tarefa com sucesso. Ainda focado no trabalho, ele parte para Suíça tendo em mente que tudo isso seria muito fácil.
Aos poucos mudamos do cenário moderno para entrar em um vilarejo com construções antigas, muito verde e um castelo no topo de uma colina. Entre a estação de trem e o castelo, Lockhart não demonstra nenhum interesse na conversa fiada do motorista até o seu notebook parar de funcionar. O motorista revela que a cidade é cheia de histórias, que o local onde atualmente funciona o spa, já tinha sido de um barão há 200 anos e que os aldeões incendiaram em retaliação.

Ao chegar no seu destino, um lugar com ar celestial com todos usando roupas brancas e transparecendo uma calma impensável comparado a Nova York, Lockhart encontra o primeiro empecilho: o horário de visitação já tinha acabado e ele não teria acesso ao seu chefe. Frustrado pelas intransigências do local, Lockhart pede para que o motorista o leve para um hotel. Antes de sair da propriedade, ele avista uma menina (Mia Goth) de vestido azul o encarando. E o que parecia uma tarefa muito fácil, acaba por virar um grande problema quando ele sofre um acidente de carro e, por falta de opção na região, o jovem executivo acaba voltando para o suposto spa, agora na condição de paciente.

O filme gira em torno das tentativas de Lockhart: falar com o seu chefe, descobrir os segredos que envolvem esse local que faz com que as pessoas não queiram mais ir embora, a relação da água e os fossos com tudo isso e, ainda por cima, a verdadeira história do incêndio.

A tentativa de solucionar inúmeros problemas, mais as inúmeras versões da mesma história do incêndio, deixou o roteiro confuso e arrastado. Além do fato do diretor não conseguir manter uma estética única das filmagens, que hora parecem sair de um filme cult e hora de mais um blockbuster qualquer. Para piorar, quase nada do filme me convenceu como espectadora. As motivações apresentadas pelos personagens pareceram muito fracas e não consegui sentir empatia por nenhum deles. O terror psicológico acaba se perdendo na confusão e dá espaço para uma espécie de freakshow trash. Algumas coisas não são explicadas direito, mesmo o filme tendo mais de duas horas, e o final mais pareceu um filme de aventura da década de 1990 misturado com Piratas do Caribe (um dos trabalhos do diretor Gore Verbinski).

As músicas instrumentais tensas lembraram bastante “O Chamado” (2002) – talvez o ponto mais positivo somado a fotografia -, assim como uma cena onde diversas imagens desconexas aparecem. Mas se for para comparar esses dois thrillers psicológicos, “O Chamado” teve uma cronologia de acontecimentos muito melhor, o terror estava muito mais presente, deixando o espectador realmente tenso, e todas as peças se encaixaram no final. Infelizmente, não foi dessa vez que o Gore Verbinski conseguiu realizar o mesmo feito de 2002. Talvez se você for assistir com menos expectativas do que eu, você saia menos frustrado.

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