Fences

Lançamento: 2 de março de 2017 
Com: Denzel Whashington, Viola Davis, Russell Hornsby
Gênero: Drama
O Oscar 2016 foi marcado pela crítica da falta de representatividade negra nas indicações. A hashtag #OscarSoWhite (em português, Oscar Tão Branco) correu o mundo e a Academia sentiu o peso desse erro. Em 2017, a premiação conta com 14 negros indicados em diversas categorias. Um Limite Entre Nós é um dos destaques que contribui para essa representatividade.
Dirigido e estrelado por Denzel Whashington, ele interpreta Troy Maxson, um homem de família que trabalha como lixeiro na década de 1950. Ao longo do filme, nós vamos conhecendo a história de sua vida e os seus valores apenas através dos seus discursos e interações com os outros personagens. Ao seu lado temos Viola Davis como sua esposa, Rose Lee Maxson, uma mulher que dedicou a sua vida a família.
Em linhas gerais, nós descobrimos que ele saiu cedo de casa e acabou preso por anos. Já com a idade avançada, após sair da cadeia, ele entrou para a Negro Leagues – liga de basebol destinada apenas para jogadores profissionais negros. Durante todo o filme, vemos a frustração dele por nunca ter participado da liga principal. Cory (Javon Adepo), o filho do seu segundo casamento, é o mais atingido por essa frustração, sendo constantemente desencorajado pelo pai a não seguir carreira esportiva alegando que jogadores negros só ficam no banco.
Ele também não tem uma boa relação com o seu filho mais velho, Lyons (Russell Hornsby), músico que aos 34 anos só passava na casa do pai para pedir dinheiro emprestado.



Troy também se vê constantemente responsável pela condição do seu irmão, Gabriel (Mykelti Williamson) que sofre de problemas mentais após ter lutado na Segunda Guerra Mundial. Responsável pelo irmão, Troy recebeu o dinheiro da indenização pelas sequelas da guerra e usou para dar entrada na hipoteca de sua casa.

O filme faz uma analogia interessante com a ideia de “cercas” (no original, Fences). A pedido de sua esposa, Troy está construindo uma cerca no quintal e existe uma tentativa constante de união da família por parte da Rose Lee, como se ela tentasse criar uma cerca envolta deles. Quando terminei de ver o filme fiquei com a sensação de que o Troy Maxson era o filme, mas enquanto escrevia essa crítica, percebi o quanto os outros pilares da história são primordiais para ele ser quem ele é. Ele não seria ninguém sem a sua esposa e filhos. 
Denzel Whashington dá um show de interpretação com falas longas e um personagem muito complexo com os seus altos e baixos durante todo o filme. Como diretor, eu achei incrível o fato dele dispensar o uso de flashbacks para contar as histórias passadas do personagem. Tudo está nas falas e interpretação! Confesso que senti falta da sua indicação como diretor. Viola Davis traz uma interpretação intensa, como sempre. Os dois são fortes candidatos para as categorias de melhor ator e atriz coadjuvante, mas será que eles vão conseguir desbancar o casalzinho de hollywood, Ryan Gosling e Emma Stone de La La Lad: Cantando Estações?

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