Criado
por:
 Daniel Handler, Barry Sonnenfeld

Com: Neil Patrick Harris; Patrick
Warburton; Malina Weissman; Louis Hynes; Presley Smith;
Gênero:
Drama; Suspense, Aventura
Duração:
8 episódios – 50 minutos
Anos
atrás, a mais diversa gama de leitores, viu-se fisgada pela trágica história de
três irmãos que, durante um dia agradável na praia, receberam a notícia de que
seus pais haviam morrido em um terrível incêndio. Estas três crianças foram
deixadas para trás, abandonadas por aqueles que deveriam olhar por elas. O fogo
levou seus pais, sua casa e todas as boas memórias que algum dia eles poderiam
construir. A promessa de uma vida feliz é jogada para baixo do tapete, toda a
esperança desaparece do horizonte, uma vez que, para seu novo tutor, aqueles
considerados adultos e responsáveis escolheram um vilão maquiavélico. 
Este vilão,
que surge sem ser convidado em nossa história, possuí um plano terrível para
ficar com a fortuna deixada para os três irmãos Baudelaire, porém, mesmo quando
seu plano é descoberto e seus disfarces desmascarados, ele insiste em voltar de
novo e de novo. E, no meio das diversas desventuras destes pobres irmãos,
leitores de todas as idades se encantaram com um narrador carismático e uma
escrita bem-humorada.
Estes
leitores apaixonados, os quais acabei de lhes apresentar, podem ter se
decepcionado quando, por motivos desconhecidos, uma série de filmes não vigou. Porém,
quando a retomada da trajetória dos irmãos Baudelaire foi anunciada, dessa vez
em formato de seriado – e vamos combinar, nada mais certeiro do que criar uma
série de Desventuras em Série – pela nossa querida Netflix, todos os
apaixonados pela perseverança de Violet, Klauss e Sunny viram uma nova
esperança surgir no horizonte. É sobre a retomada dessa história, sobre a graça
de encontrar personagens tão carismáticos na tela da televisão, que venho
comentar com vocês hoje.
A
primeira temporada de Desventuras em Série se propõe a explorar a história dos
quatro primeiros livros, dividindo-se assim, dois episódios para cada livro.
Porém, algo que muitos dos que ainda não leram a obra escrita ou estão
retomando a leitura, não previram, era o fato de que poderiam surgir spoilers
ao longo da primeira temporada. 
Logo no primeiro episódio o espectador recebe
uma informação bombástica, essa informação, esse detalhe que a princípio parece
se tratar de um spoiler, será desenvolvido ao longo de todos os episódios,
unindo-se aos acontecimentos da narrativa principal. O que de início surgia
como um grande furo, no fim destaca-se como uma sacada dos produtores, uma
forma de deixar o espectador instigado e ainda, uma estratégia de fazer com que
quem assistiu o seriado possa criar diversas teorias, mesmo que não tenha lido
os livros.
Assim,
aquilo que no começo do seriado me deixou frustrada e desanimada, acabou se
tornando algo capaz de trazer uma curiosidade ainda maior com relação aos
livros e com a gama de possibilidades presente nas temporadas seguintes.
Quando
comparamos o catálogo diversificado de séries produzidas pela Netflix, além do investimento
diferenciado, depositado em cada um de seus títulos – vide destaque de Stranger
Things
 (resenha aqui) no Super Bowl – torna-se nítida a diferença entre Desventuras em Série e
os demais seriados da companhia. 
Apesar de abusarem da famosa tela verde, dos
cenários serem simples e complementados por computação gráfica, confesso que o
resultado final me foi extremamente agradável. Ao longo de cada cena, o que se
destacava era a forma adorável e certeira com que se utilizou a computação
gráfica para dar conta da falta de cenários maiores e mais elaborados. A
atmosfera, as cenas, a montagem de Desventuras em Série possuí aspecto antigo, nos
lembra algo que víamos antigamente, mas não sabemos destacar com precisão o que
verdadeiramente é. Além de uma história interessante, cada episódio apresentado
é agradável aos olhos, é dirigido de forma brilhante, mostrando que não se faz necessário
um enorme cachê para produzir bom material.
Juntamente
a belíssima forma com que foram dirigidas e elaboradas as cenas, destaca-se
aquilo que, em minha humilde opinião, é a cereja do bolo. Sabemos que o
narrador e autor de Desventuras em Série é Lemony Snicket, são suas palavras
que nos conduzem através das dificuldades dos irmãos Baudelaire, porém, aqui
Lemony Snicket é elevado para o posto de personagem e narrador. A todo momento,
a figura do autor surge para acrescentar algo a história, para compartilhar uma
nova informação, para explicar o que significa essa ou aquela palavra. A forma
como o autor foi integrado ao seriado é brilhante, diferente daquilo que
estamos acostumados a observar. Esse detalhe fecha de maneira
única o produto final.
Tenho
que admitir que, embora Neil Patrick Harris tenha tirado o Conde Olaf de letra,
foi Patrick Warburton quem me surpreendeu. Seu aspecto sério, seus comentários, as piadas separadas para sua figura,
cada cena em que aparecia me foram preciosas. Onde Neil Patrick acerta ao
mostrar seu lado caricato, nos trazendo um Conde Olaf maldoso, cômico,
carismático (se é que isso e possível), não tendo medo de entrar de cabeça em
cada disfarce do personagem. Patrick Warburton me conquistou com cada a pequena mudança em sua entonação, com as sutilezas de seu personagem, com a narração
certeira de uma série que, sem sua figura, não seria o que é!

Desventuras
em Série
, apesar de não possuir o brilho e peso de outros seriados produzidos
pela Netflix, destaca-se como mais uma boa jogada da companhia. A série entretém,
instiga o espectador, promete mais mistérios e quem sabe, algumas revelações. O
elenco agrada, incorpora seus personagens e mostra a que veio. Assim como na
série de livros, aqui encontramos uma história capaz de encantar um público
diverso, uma narrativa bem amarrada, habilmente executada, comprovando que,
quando se trata de seriados, a Netflix já se estabeleceu no mercado e ainda é
capaz de mostrar frescor em suas produções!

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ciona
dos