Título Original: The Wrath and The Dawn
Autora: Renée Ahdieh
Ano: 2016
Editora: Globo Alt
Páginas: 336
Amazon – Saraiva

Muitos já devem ter escutado sobre o clássico, O Livro das Mil e Uma Noites. Um livro com histórias narradas por uma única pessoa, Sherazade. A esposa de um rei louco que após ser traído por sua primeira esposa, desposava e mandava executar suas noivas a cada amanhecer. Sherazade, através de suas histórias, conseguiu escapar desse terrível destino, despertando a curiosidade do rei a cada nova história que contava. 
Baseada nesta história, Renée Ahdieh criou a sua própria releitura, A Fúria e a Aurora envolverá muito mais do que o já conhecido. Com um tom mais sensível e doce, o romance apresenta uma fantasia encantadora e viciante. Um livro que irá te levar diretamente para as areias quentes do deserto de Khorasan e agora vou apresentar de que forma, Renée vem conquistando milhares de admiradores da sua obra por aí. 
Com apenas 18 anos, o califa Khalid é conhecido por ser um monstro. Não se sabe o motivo, mas a população de Khorasan é assombrada pelos hábitos do rei assassino. Todo dia uma nova jovem é apresentada ao rei, ele as desposa e ao amanhecer autoriza sua execução. Todas são mortas da mesma forma, por um lenço de seda em volta de suas gargantas. Após perder sua melhor amiga, Sherazade busca vingança e decide se voluntariar para ser a nova noiva do rei. Seu plano é simples, sobreviver o máximo possível, para enfim ter a chance de executar o rei com as próprias mãos. Libertando não só a si, mas um povo aterrorizado pelas barbaridades deste reinado. 

“Lá no final do imenso salão estava Khalid Ibn al-Rashid, o califa de Khorasan. O Rei dos Reis. O monstro dos meus pesadelos.”

A narrativa é intercalada pela perspectiva de Sherazade e de Tariq, prometido e amigo de infância de Sherazade antes de estar noiva do rei. Através dos olhos de Tariq, acompanharemos o outro lado da história, que envolverá não só a reação e o envolvimento da família de Sherazade diante aos fatos, mas também teremos como segundo plano a reação do povo de Khorasan com esta realidade estabelecida já há alguns anos. Teremos também um âmbito mais político da história e nesta parte que se desenvolvera os jogos de interesse e poder da trama.  
Sherazade é a típica personagem feminina que nos desperta os mais variados sentimentos, desde orgulho a temorosidade pelos seus atos, é incrível o quanto ela é determinada e inteligente, usando não só de sua sagacidade para sobreviver, mas também da sua beleza para seduzir o rei. Khalid também é um personagem igualmente incrível, que transmite todas as nuances de um rei atormentado e cheio de segredos. É interessante revelar todas as camadas de Khalid e sentir o quanto sua realidade é tão dolorida quanto ter que conviver com seus atos.
Outra personagem que se destaca é a acompanhante e serviçal de Sherazade, Despina. Seus diálogos com a protagonista rendem boas risadas. Despina e destemida e não possui papas na língua, confronta Sherazade ao mesmo tempo que a encoraja e a ajuda, eu amo cada cena com ela. No próximo volume, Tariq e Jahandar, pai de Sherazad, prometem desenvolver a trama mais profundamente, principalmente se falando do futuro deste reinado. Achei que os episódios focados na queda do reino interessantes, e confesso que ao final da leitura, fiquei surpreendida e ansiosa pelo desfecho das coisas. Não há como descobrir de que maneira os fatos irão se desenvolver daqui da frente.

“Uma perda é sempre uma perda. E a lição é sempre a mesma.”

A narrativa da autora é incrível, as páginas simplesmente viram sem o leitor perceber. É uma leitura gostosa de ser feita e completamente envolvente. Renée Ahdieh de prende com as palavras, com a emoção e com as surpresas que libera a cada página. O romance do casal também é muito bem desenvolvido, ela é bastante direta no desenrolar do relacionamento desde o início, envolvendo, tramando e seduzindo o leitor para no fim, percebermos que estamos tão envolvidos ao ponto de não querermos ficar longe de Sherazade nem por um minuto.

Eu amei cada página que li, eu, particularmente amo romances, principalmente quando somos brindados com uma pitada de fantasia na história. Nunca tinha lido nada que compreenda o Oriente Médio e passar por esta experiência foi fascinante. A autora soube descrever e ambientar o leitor de uma forma bastante imersiva, aguçando a minha imaginação para cada detalhe, desde a disposição das almofadas no quarto de Sherazade, a maquiagem e os costumes, assim como também para as típicas comidas que os personagens comem ao longo do livro. Além disso, a autora utiliza em sua narrativa uma ferramenta que todo leitor agradece nestes tipos de enredo. Expressões e palavras em árabe irão aparecer constantemente ao longo da leitura, mas se você não é nenhum expert na linguagem, a edição da Globo Alt conta com um glossário com o significado de todas estas expressões no início do livro.
De forma geral, A Fúria e a Aurora não é apenas um romance, existe muita coisa envolvida por trás desta história e isso é tudo que mais me atraí como leitora. Uma boa contextualização com um romance para complementar ou um bom romance com um ótimo pano de fundo político, com esta fórmula é impossível não se encantar. A continuação de A Fúria e a Aurora foi lançado no começo de 2017 e este é o livro que encerra a história de Sherazade. Em breve trarei também a resenha de A Rosa e a Adaga.

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