Título Original: A Ilha de Martim Vaz
Autor: Jonuel Gonçalves
Ano: 2017
Editora: Prismas
Páginas: 140
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De Jonuel Gonçalves, o livro A Ilha de Martim Vaz, lançado originalmente em 2015, ganhou sua terceira edição em 2017. O romance falará sobre vidas que se cruzam em épocas e lugares diferentes. Um grupo de casais muito semelhantes e unidos pela escravatura. O assunto é retratado de diversos ângulos, mas também sob olhar daqueles que viveram na pele a escravidão.
A Ilha do Martim Vaz é um terreno desabitado que durante séculos serviu como ponto de passagem na rota do tráfico de escravos entre a África o Brasil. No local foi encontrado por um marinheiro mestiço, um manuscrito perdido que daria partida ao desenvolvimento desta trama. 
Dentre as outras histórias que encontraremos estão a de uma mulher, filha de uma escrava que encontrou sua redenção, a história de um casal que viveu muitas dificuldades para ficarem juntos até os dias de hoje, onde os mesmos registros foram reencontrados no Rio de Janeiro. Jonuel Gonçalves proporciona ao leitor uma viagem intercontinental, uma viagem que vai do século XV ao século XXI e que de forma fragmentada, nos confronta com estas histórias que foram se unindo e se transformando nesse conjunto de manuscritos e de relatos reais da vida. Estes papeis que servirão como pano de fundo para o livro, registros onde veremos o quanto estas histórias se conversam, mesmo quando tão distantes.

“Avisei os meus companheiros pra não se dizer palavras ao capitão, atirei o bauzinho ao mar guardei o rolo nas calças e voltamos para bordo zarpando pouco depois rumo ao porto do Rio de Janeiro.”

Enfrentei um pouco de dificuldade ao longo da leitura. Mesmo com suas poucas páginas, a leitura pode parecer um pouco confusa, pois mudamos de perspectiva, tempo e espaço constantemente. Porém, após algumas páginas é fácil se acostumar com tal formato e desfrutar da grandiosa mensagem que A Ilha de Martim Vaz quer passar. O poder sob os mais fracos aqui é retratado por diversos sentidos, será o tema principal da leitura, seja ela através da escravatura, das leis e dos diversos outros tipos de opressão, dependendo da época para onde seremos transportados. 
Diante de um tema tão pesado, é possível criar certa intimidade com os personagens, de forma que possa ser possível torcer para que estes consigam ultrapassar seus limites e de enfim concretizar seus sonhos. A vida de alguns desses personagens não foram desenvolvidos de forma suficiente aos meus olhos. Quanto ao desfecho fica totalmente a critério da imaginação do leitor, algo que pode também agradar. 
Ainda assim, em forma de memórias, o livro fala sobre a resistência a opressão, sobre a defesa dos perseguidos, sobre desigualdades e sonhos interrompidos. Aqui o amor será retratado como norma maior para a vida. Um guia que não se abala pelas regras da política, pelos preconceitos da sociedade ou até mesmo pelos preceitos da religião. O amor deve ter as rédeas de nossas vidas. Um livro para se refletir diante os dias atuais, aqui teremos um tema que durante muitos anos permearam o suficiente as nossas vidas, mas que não devem mais.

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