Título Original: The Movie Book
Autor:  Danny Ligh, Louis Baxter, John Farndon, Kieran Grant e Damon Wise
Ano: 2017
Editora: Globo Livros
Páginas: 352
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Publicado em 2015 na Grã-Bretanha, a Globo Livros lançou O Livro do Cinema em janeiro desse ano aqui no Brasil. Ele é o décimo livro de uma série da editora, As Grandes Ideias de Todos os Tempos, que propõem abordar algumas ideias fundamentais de grandes temas, como filosofia, religiões, negócios, literatura, entre outros. 
A proposta do livro é bem simples, mas isso não diminui a sua importância em termos de conteúdo. Ele possui colaborações de estudiosos, roteiristas e amantes especializados na sétima arte. O objetivo do livro é fazer um tributo ao cinema com uma lista de filmes que ajudaram a construir a história da sétima arte até os dias de hoje. 
A grosso modo podemos chamar o livro de “almanaque do cinema”. Ele é dividido da seguinte forma: Visionários (1902-1931), A Era de Ouro do Preto e Branco (1931-1949), Terror e Maravilhas (1950-1959), Rebeldes (1960-1974), Anjos e Monstros (1975-1991), Mundo Pequeno (1992 – Atualidade) e, ainda sobra espaço para, Outros Filmes. No começo de cada capítulo é feita uma introdução sobre os principais avanços e destaques daquele período com direito a uma linha do tempo para o leitor entender melhor a cronologia dos acontecimentos.

Cada filme é tratado de forma particular, alguns recebendo mais páginas que outros, mas todos seguem um padrão que envolve uma ficha técnica com gênero, diretor, roteirista, elenco principal e algumas curiosidades de antes e depois do lançamento do filme. Também é feito um resumo do filme destacando os principais feitos da produção para história do cinema, além de também soltar algumas curiosidades. Alguns atores e diretores recebem destaque com uma minibiografia e uma lista com os principais filmes. Um detalhe que recebe pouco destaque no layout das páginas, mas que é muito interessante, são as indicações de outros filmes relacionados aquele, com título de “Assista também“. O livro é recheado de gravuras e infográficos que enchem os olhos e deixa a leitura mais agradável.

Eu sempre quis ter um livro de crítica de cinema, mas tinha medo de cair em um mar de jargões e referências soltas. O Livro do Cinema tem um linguajar bem simples e se preocupa em contextualizar o leitor ao fazer referências. Apesar de eu acreditar que seja um livro destinado a um público mais amplo, ele também pode ser um prato cheio para cinéfilos com um conhecimento maior. 

Apesar de Hollywood ser a primeira referência que pensamos quando falamos em cinema, esse livro sai um pouco desse eixo e se propõe apresentar a história do cinema no mundo. Até mesmo porque o cinema como Arte surgiu na Alemanha com alguns diretores como Robert Wiene (O Gabinete do Dr. Caligari, 1920), F. W. Murnau (Nosferatu, 1922 – uma adaptação não autorizado do Drácula) e Fritz Lang (Metrópolis, 1927). O livro também fala da transição do cinema mudo, fechando com chave de ouro com Charlie Chaplin, para o falado onde diversos astros do cinema acabaram interrompendo suas carreiras por causa de suas vozes. Já no meio do século XX, o cinema precisou se reinventar para competir com os televisores que começaram a ficar cada vez mais populares. Sabia que o formato de vídeo mais popular hoje em dia, o widescreen, e o 3D começaram a ser utilizados nos filmes em 1950?

Nessas 352 páginas somos convidados a conhecer produções japonesas, francesas, indianas e, inclusive, brasileiras (Central do Brasil – 1998 e Cidade de Deus – 2002). Algumas poucas animações recebem destaque entre os filmes: Branca de Neve e os Sete Anões (1937), A Bela e a Fera (1946), Toy Story (1995) e A Viagem de Chihiro (2001) – e ao meu ver parece ter tido um hiato grande entre A Bela e a Fera até Toy Story no quesito inovações entre as animações. Confesso que fiquei muito feliz de ver entre as indicações O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), uma comédia romântica mágica e maravilhosa, e O Labirinto do Fauno (2006), uma fantasia que se passa no período de guerra dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro.

Minhas grandes frustrações foram não ver nenhum filme estrelado pela Audrey Hepburn entre os indicados e nenhum do diretor John Hughes que trouxe para as telonas o melhor jeito que eu já vi na vida de contar histórias da adolescência. Mas tudo bem, eu imagino o quanto deve ter sido difícil fazer a seleção dos filmes para esse livro.

“Há, naturalmente, omissões e inclusões que algum leitor contestará. Parte da beleza do cinema está em que não há duas opiniões idênticas sobre os filmes. Se este livro fosse só uma lista dos preferidos dos autores, seria diferente do que é. (…) esta obra funciona mais como um atlas de marcos, na esperança de que, se o leitor não encontrar seu filme preferido aqui, haverá outros que cumpram esse papel. E, também, de que eles sejam escolhidos como “o próximo filme a assistir”.”  

Queria poder dividir mais curiosidades que aprendi no livro aqui com vocês, mas isso faria com que a leitura do livro perdesse um pouco do seu propósito e graça. Tenho certeza que revisitarei esse livro diversas vezes, até porque são inúmeras as indicações contidas nele. Porém, eu divido uma última curiosidade que aprendi nesse livro que me fez suspirar: para Ricciotto Canudo, um estudioso italiano, o cinema é a junção de todas as outras seis artes (arquitetura, pintura, música, escultura, dança e poesia) e só na sétima arte podemos vivenciar todos elas de uma única vez.


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