Título Original: Still Alice
Autora: Lisa Genova
Ano: 2015
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 278
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No ano de 2015, durante a nossa Semana Especial do Oscar, trouxe para vocês minhas opiniões sobre o filme que garantiu o Oscar de Melhor Atriz para Julianne Moore (resenha). A atriz, que a muito me encanta, trouxe uma atuação real e sensível, extremamente emocionante em toda a sua sutileza e cuidado para com a representação da personagem.

Porém, após me emocionar, identificar com certas passagens do filme e apaixonar pela mensagem passada ao espectador, confesso que senti a necessidade de ter acesso a obra que gerou aquela adaptação cinematográfica. Um ano depois, finalmente conheci mais detalhes da história, e hoje venho compartilhar com vocês a mensagem por trás de Para Sempre Alice.

A obra, escrita por Lisa Genova, Ph.D. em neurociência pela Universidade de Harvard, apresenta uma história fictícia totalmente fundamentada na realidade. Apesar de nos cativar através de uma história comovente, o livro é a união perfeita entre realidade e ficção, pesquisa e sentimento, informação e uma mensagem capaz de conectar o leitor à história. Neste livro, iremos acompanhar a trajetória de uma renomada professora de Harvard que descobre ter desenvolvido a doença de Alzheimer.

Já naquela época, mais de um ano antes, havia na cabeça dela, não muito longe das orelhas, neurônios que vinham sendo estrangulados até a morte, em demasiado silêncio para que ela os ouvisse.

A premissa principal do livro é simples, porém é a trajetória da personagem, suas tristezas, decepções, angústias e desafios que transformam essa obra fictícia em realidade exposta aos olhos do leitor. Alice desenvolve a doença de forma precoce, ela que era uma professora renomada, realizava pesquisas e palestras, cuidava da casa e tinha uma vida social ativa, se vê, de maneira repentina, tomada por algo que não pode controlar e que muitos ainda não entendem por completo. Essa doença, muitas vezes relacionadas aos mais velhos de nossa sociedade, é desacreditada no início, os membros mais próximos da personagem se recusam a acreditar que algo assim poderia acontecer, porém como negar algo quando ele está atacando aqueles que mais amamos? Como reagir a uma doença ardilosa e cruel que toma de nós aqueles mais importantes, e nos toma de suas mentes?
Lisa Genova acerta ao demonstrar as mais diversas reações, não apenas de parentes, mas também de colegas, pessoas próximas aqueles que descobrem a doença. A autora demonstra os mais diversos sentimentos, situações, ações e reações daqueles que convivem diretamente com a doença, e é claro, daqueles que a desenvolvem. Nada no livro é embelezado, nada no livro é enfeitado para que pareça agradável aos olhos do leitor. O que a autora nos mostra, de maneira brilhante e impecável é a simples realidade daqueles que, de uma hora para a outra, devem aprender a conviver com a doença que irá tirar muito mais do que sua memória, e que deixará um rastro de tristeza naqueles que mais precisam de força para enfrentar o que está por vir.

O bem-estar de um neurônio depende de sua capacidade de se comunicar com outros. Os estudos têm demonstrado que a estimulação eletroquímica proveniente da ativação de um neurônio e de seus alvos sustenta células vitais.

Como se não bastasse o sentimento e a emoção, o livro apresenta informação. Para aqueles que tiveram contato direto com a doença, a obra pode esclarecer certas dúvidas e comportamentos, porém, acredito que o elemento principal aqui é a mudança de olhar. Muitas vezes, pacientes com Alzheimer irão nos irritar (sem a intenção, é claro), irão se esquecer, irão entrar ou talvez até mesmo nos colocar em situações difíceis, porém, a obra e a trajetória de Alice são capazes de mudar nossa perspectiva. Ela direciona nosso olhar para o que realmente acontece por trás daquelas ações, daqueles sentimentos, e como o paciente, o portador da doença se sente em meio aquele turbilhão de sentimentos que surgem ao longo de seu destino desconhecido.Porém, apesar de trazer conforto, informação e uma história para aqueles que conhecem ou vivenciaram de alguma forma a devastação da doença, a obra também é uma recomendação para todos
aqueles que nunca tiveram contato com o Alzheimer. É necessário conhecer para entender, e entender para tentar mudar nossas ações, mas para aqueles que realmente nunca tiveram contato com a doença, a obra surge como uma luz, como um elemento capaz de tocar e nos fazer abrir os olhos para algo que até hoje não possuí uma cura.

Para Sempre Alice é comovente, sensível, instrutivo e único. Onde tantos livros pecam pelo excesso de pesquisa, ou pela falta de sentimento, a obra dosou os dois elementos de uma maneira brilhante e soube aproveitar o melhor lado de cada um. Muito mais do que outro livro a ser lido, a obra deve ser sentida, compreendida, pois sua força e personagem principal carregam consigo a  mudança de visão que muitos precisam, bem como, a compreensão que tanto falta para pessoas ao redor do globo. Acima de tudo, a obra enxerga a doença com um olhar humano, e nos mostra a angústia de pacientes e familiares, deixando claro a todo momento que mesmo no meio de tudo, nunca estamos sozinhos.

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