Resenha: Noturno

29 set, 2017 Por Izabel Wagner

Título Original: Nocturnal
Autor: Scott
Sigler
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas:
512
Você
já sentiu medo do escuro? Temeu pelo momento em que as luzes se apagassem e os
monstros que, a princípio existem apenas nos cantos mais sombrios de sua mente,
surgissem em toda sua crueldade, barbárie e forma grotesca diante de seus
olhos, prontos para devorar, despedaçar, assassinar a pobre alma que cruzasse
seu caminho?
Nos
túneis subterrâneos de São Francisco escondem-se criaturas misteriosas,
assassinos por natureza, cruéis em sua forma de matar, e agora, eles estão
agindo com maior frequência, estão tomando coragem e se aventurando pela noite
escura, fazendo vítimas que, aparentemente, não possuem qualquer ligação entre
si.
Ao
descobrir o corpo de uma das vítimas, um símbolo estranho que se repete em cada
nova cena de crime e um cheiro forte que parece afetar profundamente nosso peculiar
policial Bryan Clauser, leitor e personagem irão adentrar em uma caçada pela
verdade, por monstros reais, pelas trevas que tomam conta da cidade e tiram a
vida de inocentes. Juntamente ao corpo da polícia de São Francisco, de um adolescente
solitário, de uma adorável legista e de monstros de aparência
bizarra, seremos devorados por uma obra que, apesar da quantidade considerável
de páginas, prende o leitor do início ao fim.

“Bryan tirou uma folha de papel do bolso. desdobrou-a e a passou para Pookie. Ele olhou a imagem: um triângulo inacabado com um círculo cortando as linhas abaixo das pontas, um círculo menor no centro.”


Noturno
possuí um ritmo frenético, quase alucinado. A leitura é fluida, cativante e instigante, prendendo o leitor por meio de um detalhamento minucioso de cenas,
ambientes, atividade rigorosa dos agentes da polícia e de toda a ciência que
permeia o trabalho de um legista. O livro é detalhista na medida certa, sabendo
integrar as descrições as cenas de ação. Porém, é o mistério que vai sendo
desvendado pouco a pouco, sem nunca deixar o leitor sem perguntas e respostas,
que garante o tom certo para a obra. Muito mais do que uma história do gênero
policial com um pezinho no gênero do terror, a obra equilibra ação e mistério, deixando até mesmo os leitores mais exigentes curiosos para
chegar ao final.
A obra também apresenta a vantagem de construir, diante dos olhos do leitor, cada cena, paisagem e ambiente em que a narrativa se desenvolve. É muito fácil sentir-se presente, enxergar cada detalhe em sua mente, captar as características de cada cena de crime ou espaço fechado, tornando a experiência ainda mais rica, quase cinematográfica e, citando Umberto Eco, não me venham dizer que os autores se inspiram no cinema para escrever suas obras, foi o cinema quem aprendeu com as construções literárias.
Scott Sigler é um autor americano de ficção científica e horror, principalmente. Best-seller no New York Times, Noturno é o seu primeiro livro que chega aqui no Brasil que originalmente fora lançado no formato de podcast em 2007. Além deste trabalho do autor, lá fora já foram publicados mais de dez livros sob sua autoria, todos sempre cortejando as melhores referências do terror e da fantasia. É importante mencionar que Scott se inspira muito na ciência forense para criar suas histórias, proporcionando uma base científica aos seus enredos e personagens. 


Noturno
é uma leitura instigante, divertida, surpreendente e construída de forma a conduzir o leitor
sem que perceba as várias páginas sendo viradas. Com um ritmo bastante acelerado e constante, o livro é conduzido com bastante ação, detalhes nas descrições e mistérios
na medida certa, a obra conquista o leitor e o leva para passear com monstros e
policiais pelas ruas sombrias de São Francisco. Deixe-se devorar por essa obra,
e garanto que não irá se arrepender.


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