Blade Runner 2049

Lançamento: 05 de outubro de 2017

Com: Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Ana de Armas, Sylvia Hoeks
Gênero: Ficção Científica, Suspense, Ação

Trinta anos após os acontecimentos de O Caçador de Androides, encontramos uma Califórnia mais desenvolvida tecnologicamente, mas com a mesma atmosfera sombria e decadente. Após a Corporação Tyrell falir, resíduos do seu proposito foram resgatados pela empresa de Wallace (Jared Leto), criador de uma nova geração de replicantes, mais desenvolvidos e aparentemente mais leais aos humanos.
Os modelos foragidos que se revoltaram anos atrás, ainda são vistos como uma ameaça e precisam ser “aposentados” pela polícia de Los Angeles. K (Ryan Gosling) é um replicante desta nova geração e também um Blade Runner, um caçador. Enquanto cumpre seu dever, K se vê diante de um mistério que pode colocar em cheque sua dedicação com aos humanos. A segurança desse novo sistema pode ser abalada e quem sabe, também servir como fagulha para reavivar o fogo de uma nova revolução.
Blade Runner, o Caçador de Androides é uma adaptação de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas, livro lançado em 1966 pelo autor e gênio, Philip K. Dick. Blade Runner 2049 é mais que um reboot, é uma sequência que recebe uma moldagem digna de ser revisitada. Por muitas vezes vimos, e ainda veremos, diretores e produtores falharem neste quesito por visarem apenas o lucro e a oportunidade, mas aqui, isso definitivamente não acontece e os fãs podem agradecerem por estarem diante de um clássico que recebeu tanto respeito ao ser reavivado.



Denis Villeneuve resgata toda a essência original dirigida originalmente por Ridley Scott, creditado como produtor executivo desta vez. Ele imprime uma nova adaptação, mas sem perder a base do antigo. Para que tudo isso funcionasse, um nome bastante conhecido voltou para fazer parte do longa. Hampton Fancher, um dos roteirista originais, ganhou o apoio de Michael Green e é uma pena que Vangelis, não tenha retornado para a nova adaptação. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch reproduzem e reinventam a trilha sonora épica e emblemática que Blade Runner teve e continua tendo.

Aliás, a edição e mixagem de som como um todo está impecável, casando perfeitamente com as cenas ao longo da trama, principalmente mais perto do terceiro ato quando o personagem de Harrison Ford entra em cena. O visual e a estética do filme continuam estonteantes e ousados. Como o longa se passa 30 anos após o anterior, aqui temos aspectos pós-guerra bem notáveis, os letreiros neons recebem uma guinada com outdoor e anúncios holográficos enormes e o contexto dessa civilização adaptada a uma Los Angeles escura e bastante molhada, também destoa bastante da paleta de cores de uma Las Vegas completamente devastada e inabitada.

A interpretação de Ryan Gosling é bastante ponderada, feito desempenhado devidamente pelo ator que precisa representar as diversas facetas de seu personagem, um replicante que ao longo da trama se vê surpreendido por diversos tipos de descobertas e sentimentos. Eu achei que o papel lhe caiu como uma luva e vice-versa. Jared Leto é meu queridinho, então posso ser suspeita para falar, mas acho que aqui ele tem a chance para se retratar com Hollywood, mas não que ele precise realmente provar seus méritos. Fãs nostálgicos poderão matar a saudade de alguns personagens e de um enredo que continua muito discutido. Talvez alguns mistérios ainda não tenham sido solucionados, mas eu acredito que nada tira a satisfação de um fã por voltar aos cinemas para reviver uma história tão marcante da década de 80.

Blade Runner 2049 reascende o debate sobre a nossa existência nos cinemas. Afinal, o que nos torna mais humanos e dignos de perpetuarmos a nossa espécie? Há 50 anos, Philip K. Dick criava histórias com estas divagações e nesta adaptação, assim como ocorreu com os personagens Deckard e Rachel em O Caçador de Androides, teremos as relações de humanos com replicantes destacados por diversas vertentes, algumas mais profundas e outras um pouco mais artificiais, mas todas importantíssimas para o andamento da trama.

A ficção científica é, e ainda será por muito tempo, fonte inesgotável de ótimas histórias para o cinema e que acima de tudo, podem proporcionar discussões relevantes para a nossa existência. Enquanto tivermos filmes assim para apreciar e profissionais com tanto talento e respeito para tornarem estes cenários futuristas possíveis aos nossos olhos, as salas dos cinemas estarão cheias. Os fãs do gênero agradecem, Blade Runner está vivo e não é apenas uma cópia do seu antecessor, é um filme que se sustenta e ainda abre portas para o futuro.

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