Título original: How to Talk to Girls at Parties
Autor: Neil Gaiman
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Ano: 2017
Editora: Quadrinhos da Companhia
Páginas: 80
Inspirada
em um conto de Neil Gaiman e maravilhosamente ilustrada pelos irmãos Fábio Moon
e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas transformou-se na melhor HQ que
tive a chance de conhecer até o momento, ao longo desse ano de 2017.
Com o
traço típico dos gêmeos, e uma coloração apaixonante, capaz de nos fazer viajar
pelas 80 páginas dessa história encantadora e instigante, aquilo que poderia ser
apenas uma história “confusa” como declararam alguns, ganha em movimento,
metáforas e reflexões sobre o crescimento e – espero não estar divagando aqui –
a própria feminilidade.
Apesar
da leitura rápida e da pouca quantidade de páginas, além da premissa que, ao
olhar desatento pode parecer simples, a obra destaca elementos que vão além do
ato de conversar e estabelecer uma conexão com indivíduos do sexo feminino em
festas. Aqui acompanharemos a trajetória, ao longo de um único dia, de Enn e
seu amigo Vic, que foram convidados para uma festa onde diversas garotas,
provenientes dos mais diversos cantos do mundo, irão apresentar aos dois amigos
a maturidade que eles ainda estavam por descobrir e alcançar, além de um
poético universo feminino, nunca antes explorado da forma como aqui seremos capazes de presenciar.
“Você não gostaria de deixar um universo bravo. Eu aposto que um universo bravo te encararia com olhos como aqueles.”

Em apenas uma tarde Vic descobrirá a importância de não se brincar com o sexo feminino, de não extrapolar os limites, além da força que guardamos, escondida dentro de nós e que, quando necessária, surge como uma grande explosão capaz de levar consigo aqueles que decidiram cruzar nosso caminho. 
Porém, é por meio de Enn que nos encantamos, percebemos a magia presente nas diferenças entre cada garota, descobrimos sua insegurança quando o assunto é conversar, estabelecer contato com cada personalidade que surgirá em seu caminho e lhe apresentará algo novo. Em apenas uma tarde ele irá descobrir que, mesmo misteriosas, curiosas, peculiares, as garotas não precisam de muito para se conectar com alguém, tudo o que precisamos é de um bom ouvinte, alguém que esteja disposto a perceber nossas diferenças, mas, também, descobrir que no fundo, partilhamos todas da mesma essência.
A
HQ trabalha de forma sublime o amadurecimento e a feminilidade, porém, tudo é
estabelecido de forma a fazer com que o leitor reflita sobre aquilo que vê e
lê. A história pode parecer confusa por não apresentar todas as respostas, por
seguir por um caminho que gosto de chamar de poético, reflexivo. Boa parte da
experiência – e espero, novamente, não estar divagando – está não no ato de
ler a história, mas sim de senti-la, deixar-se levar por tudo o que aqui
encontramos e assim, após a última página, ser capaz de compreender a beleza e nuances aqui
contidas.
Como
Falar com Garotas em Festas
apresenta uma história habilmente construída por Neil
Gaiman
, direciona o leitor para uma breve jornada de descobrimento e
amadurecimento, além de encantar com nuances maravilhosamente trabalhadas. O
traço de Fábio Moon e Gabriel Bá continua certeiro, mas o que realmente chama
a atenção ao longo da HQ é a coloração utilizada. É impossível não se deixar
levar pelas cores escolhidas e sentir a necessidade de admirar cada detalhe dos
quadros aqui ilustrados. Com tanto cuidado e atenção empregado nessa obra,
sinto que será difícil outra HQ tirá-la do posto da melhor que li ao longo
desse ano!


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ciona
dos