O Conto da Aia | Margaret Atwood

29 dez, 2017 Por Joi e Bel

Título Original: The Handmaid’s Tale
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 368
Ano: 2017
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O Conto da Aia é um romance distópico, da escritora canadense Margaret Atwood, que originalmente foi publicado em 1985, intitulado O Conto da Serva, mas que mesmo após 32 anos, continua atual. Lançado no início do ano no Brasil, pela editora Rocco, o livro se tornou um dos mais comentados e vendidos em todos os países. Mas, por que um livro tão antigo, nos deixa com a sensação de algo novo?
Após passar por diversas catástrofes, radiação, proliferação de DSTs e guerras civis, o que outrora fora os Estados Unidos da América, agora é a República de Gilead. Com a queda crescente na taxa de natalidade, devido a bebês natimortos, com deformações e até abortos espontâneos abundantes, um golpe de Estado é aplicado e um governo teocrático e totalitário toma o poder. A sociedade é dividida em castas. Nada de jornais, revistas, livros, música, filmes. As pessoas perderam tudo o que tinham, até suas funções. As mulheres nada mais são, do que propriedade do governo, para procriação.
Somos conduzidos durante a narrativa, a rotina de uma pessoa que vive nessa ditadura, de uma aia. Dentre as milhares de mulheres que se tornaram inférteis, as aias são as que ainda estão em período reprodutivo, e que portanto, ainda são capazes de dar à luz. Conhecemos então, Offred, que assim como as outras, não é possível sabermos seu nome verdadeiro, pois até isso, elas perderam o direito.

“Somos úteros de duas pernas, isso é tudo: receptáculos sagrados, cálices ambulantes.”

Offred é quem nos conta a sua luta. Uma mulher forte, que mesmo sofrendo, busca encontrar sua filha e marido que lhe foram tirados. Ela presta serviços ao Comandante, um homem mais velho, de cabelos grisalhos e uma alma de jovem, e sua esposa, Serena Joy, uma mulher ríspida e manipuladora. Rita e Cora são as Marthas da casa. Elas são como governantas. Rita se mostra muito crente e áspera. Em contra balanço, temos Cora, com seu jeito afável e atencioso. Nick é o motorista do Comandante e na maior parte da narrativa, ele se mostra mais neutro e sempre muito discreto.

O Conto da Aia nos proporciona experiências maravilhosas. Creio que por ser um futuro que não nos parece nem muito distante, nem difícil de acontecer, a obra nos coloca dentro dela. Sofremos com angustias, temores e até pequenas alegrias que nos são proporcionadas, pois criamos uma enorme empatia com a protagonista. O livro segue uma linha parecida com 1984 e Admirável Mundo Novo outros dois clássicos do gênero distópico. 
Margaret Atwood explora com maestria, diversos assuntos, como questão de gênero, religião, ciência, política e até ambiental, de modo a deixar a história bem real e atual. O enfoque principal é o ser humano, o quanto ele representa e qual o seu valor para a sociedade. A leitura é fácil, mas um pouco cansativa. Ao nos encaixar de forma incrível naquela realidade, acabamos passando por momentos de muito desconforto, sentimos até certo peso, o que acaba cansando. Mas o fato é que ficamos ávidos por saber o que vai acontecer. Me chamou muito a atenção, o fato de a autora desenrolar a história no presente, no passado e até no futuro, de forma fluida e difusa. A forma como foi quebrada a quarta parede, ou seja, como o narrador falou diretamente com o leitor, em um momento em que não se esperava, foi surpreendente.

“Conto, em vez de escrever, porque não tenho nada com que escrever e, de todo modo, escrever é proibido. Mas se for uma história, mesmo em minha cabeça, devo estar contando-a a alguém. Você não conta uma história apenas para si mesma. Sempre existe alguma outra pessoa. Mesmo quando não há ninguém. Uma história é como uma carta.”

A obra enquanto objeto é linda, sua capa dialoga muito bem com o que é apresentado ao longo do livro. A diagramação é ótima, o que permite uma leitura fácil, como foi mencionado. O livro não possui muitos artifícios visuais, mas é rico em conteúdo. E uma coisa que me chamou muito a atenção, foram os títulos de cada unidade, alguns se repetiam, mas outros, entretanto, me deixavam com extrema curiosidade quanto ao seu conteúdo.
O Conto da Aia é um livro excelente e muito recomendado para quem gosta de livros de distopia. Ele não possui sequência, mas é um dos dezesseis livros de romance da autora. A autora ainda transita em outras temáticas, como ficção curta, livros infantis, poesias e contos. Temos diversos títulos traduzidos da autora, como O Assassino Cego, Dicas de Imensidade, A Tenda e o recém lançado, Vulgo Grace. O Conto da Aia possui uma adaptação, a série The Handmaid’s Tale, transmitida pelo canal Hulu; e agora, Vulgo Grace também será adaptado para uma série, pelo Netflix. Pra quem gosta de distopias ou que tenham interesse em livros com uma pegada mais social, não deixem de aproveitar essa leitura. Vale muito a pena!

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