Título Original: Doomsday
Book
Autora: Connie
Willis
Ano: 2017
Editora: Suma
de Letras
Páginas: 573
Estamos
no século XXI. A humanidade, que ao longo de sua breve história, já havia
enfrentado as mais diversas epidemias bravamente superando cada uma delas,
agora sofre com pandemias assustadoras.
O avanço da ciência e medicina garantiu
a criação dos mais diversos medicamentos e tratamentos de prevenção, porém,
como a beleza da natureza está na capacidade de evolução de cada ser vivo, os
seres microscópicos que pretendíamos evitar desenvolvem defesas contra nossas
próprias defesas. Por muito tempo a humanidade encontrou-se em um entrave entre
a invasão de inimigos invisíveis e nossa capacidade de combate-los.
O
ano é 2054. Anos se passaram desde a última pandemia. A ciência e medicina
avançaram a um patamar tal que, o homem já não sofre por qualquer tipo de
doença. A tecnologia prosperou, fomos presenteados com um dos maiores sonhos e
desejos de todo apaixonado por ficção científica, agora, historiadores são
capazes de viajar ao passado e observar tudo o que realmente aconteceu nas
páginas de nossa história.

“Nenhuma das coisas com
que a gente se preocupa jamais acontece. Acontece uma que a gente nunca pensou.

 

A
rede é capaz de enviar historiadores para o passado. Ela foi desenvolvida de
forma a garantir a maior segurança tanto para quem fica, quanto para o indivíduo
que será lançado para um ponto temporal específico e que lá deve permanecer até o
dia combinado, quando a rede será reaberta e o trará novamente para seu devido
ano. Todas as viagens realizadas, todos os testes tripulados e não tripulados, todos
os cálculos mais seguros estão baseados em viagens para o século XX, porém,
tudo está prestes a mudar pois Kivrin, uma jovem historiadora, realizará a
primeira viagem para a Idade Média.
Os
cálculos foram realizados, a garota estudou, aprendeu a se defender e se
comunicar na linguagem da época, tomou todas as vacinas e reforços necessários
para uma viagem desse porte, porém, no momento em que a levam para o passado,
Badri, o técnico responsável pela checagem dos cálculos e membro da equipe de
maior confiança de Dunworthy, adoece. Não demora muito para que a doença se
espalhe pelo presente/futuro, chegando ao ponto de estabelecer-se uma
quarentena, impedindo assim a utilização da rede, o que lançará Dunworthy e
pessoas que o destino coloca sabiamente em seu caminho, à uma corrida contra o
tempo para garantir a segurança daqueles que ainda estão vivos, e de sua
protegida, perdida no passado.
O
Livro do Juízo Final
, lançado originalmente em 1992, o ano em que esta pequena
padawan nasceu, é possivelmente um dos melhores livros que tive a chance de ler
nesse ano de 2017. As 573 páginas escondem dentro de si toda a realidade do
passado e os desafios do futuro. Em momento algum observamos eventos, situações
ou a própria história da humanidade construída de maneira romantizada. Tudo é
apresentado da forma como deveria ser, real, cruel em diversos momentos, triste
e traumática, mas, permeando cada dificuldade, encontramos o sentimento de
esperança.
O
período da Idade Média é apresentado com olhares de historiador, a cultura
patriarcal é facilmente percebida, a forte crença na religião em momento algum
é diminuída, as doenças são tão verdadeiras que podemos sentir e enxergar os
cenários, animais e pessoas que afetou profundamente. Da mesma forma, o
futuro é plausível e não perde em nada a realidade e por vezes, desafios que encontramos no passado. Apesar de toda tristeza – e na terceira parte não pude
evitar derramar algumas lágrimas – e dificuldades enfrentadas por absolutamente
todos os personagens, Connie Willis nos brinda com esperança, fé e a mais
pura bondade humana. É impossível finalizar o livro e não sentir um aperto no
coração, mas também, a certeza de que a bondade ainda reina na essência humana.
Como
se não bastasse, todas as características de uma maravilhosa história de ficção
científica estão presentes no livro. Connie Willis não ignora o fato de que seu
leitor é capaz de compreender fatos, informações e eventos, sem realmente
conhecer todos os detalhes por trás do que está sendo mostrado. Compreendemos o
significado do vocabulário, as leis que regem o funcionamento da rede, os
eventos que construíram o futuro como o observamos ao longo da história, o
avanço da ciência e tecnologia atuais e ainda, o contexto real do período
da peste. Tudo acontece sem nos darmos conta de que realmente estamos
aprendendo e agregando novas informações. A autora sabe que seus leitores
possuem capacidade de compreender sem que todas as informações estejam
presentes, e isso, faz com que nossa conexão com a história cresça ainda mais.
O
Livro do Juízo Final
é uma obra completa, fascinante, apaixonante e profunda.
Repleto de informações, por vezes transforma-se em uma espécie de romance
histórico e, quando retorna para o futuro, destaca toda a contextualização de
uma ótima ficção científica. Nada é deixado de lado, nada é feito ao acaso,
nada é feito de qualquer jeito. Todos os diversos personagens são aprofundados
na medida certa, todos os eventos estão interligados e, mesmo que você tenha a
sensação de saber qual será o desfecho, ele terá significado somente após a
leitura da página final.


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ciona
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