Título Original: The Night Sister
Autora: Jennifer McMahon
Ano: 2017
Editora: Record
Páginas: 378
AmazonSaraiva

Um hotel falido, três amigas, uma torre, uma família com histórias obscuras e muito mistério. É isso que você vai encontrar em A Torre do Terror.
O livro conta a história de um hotel abandonado em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, chamada Londres, assim como a capital inglesa, que servia como caminho para caminhoneiros e viajantes que se deslocavam para grandes cidades do país. Porém uma grande rodovia é construída e o hotel acaba perdendo clientes, até virar apenas um esqueleto esquecido. Alguma semelhança com Psicose e O Iluminado? Total! E a autora faz questão de mostrar isso no livro.
Fundado pelo avô de Amy, uma das personagens principais do livro, junto com as irmãs Pyper e Margot, amigas desde a infância, o hotel guarda histórias, medos e lembranças, tanto de sucesso como de mistério e terror. Amy guarda na memória os relatos da tia, que vivera no hotel e contava tudo que fazia e acontecia lá durante a áurea época do local e da cidade. Quando criança o trio de amigas era muito apegado e vivia fazendo traquinagens pelas dependências do hotel, mas havia a torre abandonada, a qual nenhuma delas gostava de ir. pois era cheia de lendas, de aparições de animais fantásticos e escabrosos nas histórias contadas pela avó de Amy a ela.
A família de Amy é muito problemática e um grande mistério também permeia o passado deles. Será que Amy conseguirá se manter sã, mesmo com todas as sombras que parecem existir no hotel onde ela mora com a família? Só lendo A Torre Negra para descobrir.
O livro é muito bem construído, os capítulos são divididos em anos, indo e voltando do passado a todo tempo. Também há uma subdivisão com o nome de cada personagem sobre o qual o capítulo corresponde, trocando o interlocutor a todo momento, criando inúmeros narradores, assim como as três amigas individualmente, a tia de Amy e o policial da cidade, também amigo de infância do trio. Isso tudo fluí muito bem durante a narrativa.
Acho bem arriscado o autor trabalhar com a troca de décadas durante a narração. Utilizando essa maneira de escrita, é muito fácil algo se perder nesse meio, mas McMahon soube utilizar esse recurso muito bem, deixando o livro muito bem desenvolvido e sem falhas. Nada é mal explicado, o fim é bem amarrado, utilizando-se do terror e também deixando claro que se inspirou em outras grandes obras para escrever sua própria história, inclusive, a autora faz menção a elas constantemente no texto. Um exemplo disso é a tia de Amy, que é fã de Psicose e vive mandando cartas para Alfred Hitchcock, contando sobre o hotel da família e sobre o seu sonho de ser atriz e participar de um filme dele. Esses relatos sempre que aparecem, formam capítulos independentes da história, ganhando até uma fonte diferente da do restante do livro. 
Quanto a edição achei as páginas um pouco transparentes, as vezes as letras de outras páginas ou até ilustrações, podem ser vistas na página que você está lendo. Nada que interfira na leitura, mas que fica um pouco aquém do que eu gosto. Fora isso, nada a reclamar. O livro tem uma capa simples e bonita, comparando com a capa americana, ficou bem superior, nosso capista teve muito bom gosto qualidade. 
O final do livro me deixou um pouco decepcionado. Achei que tudo aconteceu rápido demais, meio “jogado”, apesar de bem explicado. Poderia ter sido mais romantizado, mais descrito, mais extenso, nem que fossem por cinco páginas a mais, o leitor já ganharia muito. De qualquer forma, meu sentimento durante a leitura era de medo, McMahon consegue misturar coisas reais e fantásticas, sem revelar se o que está sendo especulado é realmente real ou apenas imaginação, se alguém pode ser tão cruel ou é tudo fruto da cabeça de alguém. Ela valoriza muito isso durante sua escrita, mas no final, ela simplesmente acaba, fria e sem todo cuidado que teve no decorrer da obra. Ficou devendo um pouquinho pra mim.

Nunca tinha lido nada de Jennifer McMahon, mas sei que ela já tem outros livros traduzidos como Não Diga Uma Palavra e Prisioneiros do Inverno. Apesar de ter gostado muito do livro, acho que não me interessei ao ponto de buscar mais livros da escritora para ler, ela não chegou me tocar a esse ponto, mas para quem sentir vontade de ler mais da autora, temos possibilidades já lançadas por aqui.

A ideia de um hotel com problemas é sempre um prato cheio para uma grande obra e algo que sempre vai me fazer ler um livro, mesmo sem conhecer o escritor, a premissa é muito atraente e as possibilidades de histórias são imensas, a escritora se inspirou muito em Stephen King e Hitchcock, mas faz algo completamente diferente, novo e impressionante. Vale muito a pena ler, é muito agradável sentir essa história.

rela
ciona
dos