Título Original: Traitor of the Throne
Autora: Alwyn Hamilton
Ano: 2017
Editora: Seguinte
Páginas: 440
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A Traidora do Trono é o volume dois da trilogia A Rebelde do Deserto da autora Alwyn Hamilton. Por ser uma continuação, esta resenha poderá conter spoilers.
Amani jamais imaginou que sua fuga da Vila da Poeira fosse transformar sua vida tão completamente. Seu desejo íntimo de ser livre, deixou de ser apenas dela e agora faz parte da rebelião. O Príncipe Rebelde deseja tomar o poder, dele por direito, em busca de igualdade entre os povos e contra o pai, o Sultão tirano de Miraji. Ao lado de Jin, irmão do príncipe, Amani descobriu sua real importância nesta causa e que pode contribuir muito mais do que ser apenas a melhor atiradora do deserto.
Como uma demdji, descendente de um djinni, A Bandida de Olhos Azuis possui poderes extraordinários e com o deserto em suas mãos, ela auxilia a rebelião em diversas batalhas, porém num descuido, ela é traída e acaba virando prisioneira do próprio Sultão, no palácio de Miraji. Ao mesmo tempo em que tenta arrumar uma forma de fugir num lugar que parece ser ainda mais perigoso que a própria guerra, Amani acaba descobrindo o outro lado da moeda, quanto mais tempo passa dentro do palácio, mais o sultão semeia a dúvida sobre quem é realmente o vilão neste país.

“A alvorada estava mais próxima do que o crepúsculo quando retornei ao harém. Eu odiava o silêncio. Tornava meus medos mais audíveis.”

Com certeza, A Traidora do Trono é a melhor continuação do ano. Sem poupar o leitor, a autora Alwyn Hamilton vai tecendo sua história, nos envolvendo numa trama destemida de acontecimentos e reviravoltas, tudo que qualquer leitor ama. O ponto alto desta fantasia é sem dúvidas, o fato dela trabalhar os cenários do deserto e tudo aquilo vinculado a cultura árabe. Aos olhos dos leitores, a descrição dos cenários, as características dos personagens e seres, os detalhes dos vestuários, tudo contribui para que o leitor se sinta ainda mais imerso nesta história incrível.

Uma vez imersos e encantados por este mundo, é fácil se envolver com o enredo e com estes personagens. Amani é fantástica. Determinada, fiel e muito forte, ela é uma guerreira, que entrega tudo para uma causa que o acaso se encarregou de recruta-la. Mas longe dos membros da rebelião e de seus amigos, ela também demonstra outra faceta, ela é humana, fraqueja, hesita e duvida das próprias forças e de suas próprias convicções por muitas vezes. Neste turbilhão de emoções, Amani se mantém fiel, principalmente ao seu coração.
Alwyn Hamilton criou personagens incríveis e deixou claro que personagens femininas não precisam e nem devem se prender em clichês batidos. Eu sou completamente apaixonada por Shazad, por toda sua inteligência e fé na causa rebelde. Sem dúvidas os rebeldes não seriam os mesmos sem todas as suas estratégias. Queria muitos falar mais sobre cada uma dessas mulheres aqui, mas citar cada uma delas poderia abrir uma brecha para spoilers e eu realmente não quero estragar a experiência de leitura de ninguém. Mas todas são autossufientes, sobreviventes que não medem esforços para continuarem escrevendo suas próprias histórias. São delas as cenas mais impactantes do livro. Quanto ao romance, que foi tão mais presente no primeiro livro, em A Traidora do Trono ele acaba tomando pouquíssimo espaço, inclusive ele até poderia não existir que não faria nenhuma diferença na trama. Ele é presente, acontece, mas só agrega.

Novos personagens são inseridos na trama, que envolvem e surpreendem o leitor. Gostei que cada um ganhou espaço para provar suas motivações na trama e o aprofundamento necessário para que criemos empática e nos importemos com eles na história. A maioria desses novos personagens exercem um papel crucial no desenvolvimento da trama, então fiquem de olhos abertos sempre que um entrar em cena.

A Traidora do Trono amadurece a história, traz novas perspectivas e planta novas incertezas na cabeça do leitor. Aqui temos uma nova visão sobre a política de Miraji, trazendo à tona um perigo que pode vir de fora. Estes conflitos são percursores para que Amani, consiga analisar toda a situação do país com outros olhos e perceba que nem tudo será tão glorioso e heroico para os rebeldes. Como os capítulos são curtinhos, a leitura é bastante dinâmica e a velocidade dos fatos deixam tudo mais envolvente. As vezes chega a ser difícil se recuperar a tempo de um acontecimento a outro. Irão acontecer muitas coisas aqui e Alwyn não tem medo de moldar sua história para chocar o leitor, então preparem-se para sentir, vibrar, chorar e dar aquele suspiro de alivio de vez em quando.
O final é arrebatador, daqueles que nos faz questionar sobre o futuro da rebelião e para onde esta guerra vai nos levar depois de tantas peças caídas. Sem dúvidas, um pequeno aquecimento para onde Alwyn Hamilton está nos levando. O terceiro e último volume da trilogia, intitulado lá fora como Hero of The Fall, tem data de lançamento marcada para março de 2018. Me resta apenas esperar que a Seguinte lance simultaneamente este pequeno novo calhamaço que a autora está preparando. Leiam A Rebelde do Deserto e se rendam a Traidora do Trono, tenho certeza que cada página vai valer a pena.

Confira a trilogia A Rebelde do Trono:
3. Hero of The Fall

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