Resenha: Alena

12 jan, 2018 Por Joi Cardoso

Título Original: Alena
Autor: Kim W. Andersson
Ano: 2017
Editora: Avec Editora
Páginas: 120
Amazon – Saraiva

Alena é a primeira graphic novel europeia de horror a ser publicada no Brasil, pela Avec Editora. Sob a autoria do quadrinista sueco Kim W. Andersson, Alena foi a ganhadora de um dos maiores prêmios dos país, direcionado apenas para quadrinhos, a The Adamson Statue. Além disso, em 2015, a graphic novel foi adaptada para o cinema com o mesmo nome. 
Nesta história conheceremos Alena, bolsista numa escola elitista, ela é constantemente alvo de bullying e a principal causadora do seu sofrimento é Filippa, uma das mais populares e arrogantes garotas da escola. Alena parece não ser ouvida naquele lugar e sua melhor amiga, Josefin, a encoraja para que ela não aceite mais as provocações e que caso ela não tome alguma atitude, ela mesmo irá resolver todo o problema. Só há um porém, Josefin está morta há um ano.
Quando Kim W. Andersson veio ao Brasil, para a 63º Feira do Livro de Porto Alegre e também para uma sessão de autógrafos em São Paulo, tive o prazer de conhece-lo pessoalmente. Kim foi muito simpático com cada leitor e garantiu para cada um, o seu autógrafo que levava o rosto da sua protagonista banhada a sangue. Pelas poucas palavras que troquei com ele pude sentir o quanto Kim é apaixonado pelo que faz e o prazer que ele tem em se relacionar com as pessoas. Um reflexo avesso se comparado a personalidade de sua personagem.


Alena é uma adolescente que vive perturbada passado, mas que tenta retomar sua vida e fugir dos fantasmas que a assombram. Ela só deseja respirar livre, mas os poucos momentos de descontração que encontra em Fabian, o único colega que parece se importar com ela, não são suficientes e a rotina de abusos constantes acaba tornando tudo mais difícil e perturbador. É em cima disso que o quadrinista, juntamente com o apoio de Edenborg nos diálogos, irá abordar diversos assuntos, dentre eles o já citado bullying, auto aceitação, relações abusivas, preconceito social e também a homossexualidade. 

O traço de Kim é espetacular. Eu particularmente adoro o traço extremamente expressivo, e este é o modo como o autor trabalha. As reações exageradas dos personagens fazem com que cada sentimento seja compartilhado com o leitor da maneira correta. Além disso, as cores ajudam a compor as cenas e a atmosfera da história. Os tons mais quentes se destacam na paleta mais fria usada como background, o que é ótimo para as cenas com mais ação.

Existem muitas cenas fortes na HQ e aliás, eu poderia julgar até que esta é uma leitura recomendada como 18+. Existe mutilação, violência em todas suas vertentes e muito sangue. Uma característica bem conhecida de outras obras de Kim. Se você é um bom conhecedor de animes também poderá classificar Alena como um romance gore, e é justamente o romance, em determinados momentos desta história, que vai impulsionar os acontecimentos mais relevantes.
A história de Alena é bastante sombria, que de certa forma falará sobre amor jovem, mas com uma pitada de horror. É uma trama que trará para o leitor tormentos reais mixados a um enredo com um tom sobrenatural, que nos faz questionar a veracidade dos fatos, uma vez que temos como narradora uma adolescente conturbada e afetada psicologicamente. Para resolver seus problemas, Alena poderá não medir as consequências e as respostas e o conforto para o seu verdadeiro tormento poderá estar na lâmina de uma tesoura afiada.

Recomendo a leitura para quem já é fã do gênero e para quem deseja sair um pouco de sua zona de conforto. Tenho certeza que a história de Alena irá surpreender e envolver qualquer leitor que aceite adentrar por estas páginas. Além de abordar temas tão pertinentes da nossa sociedade, que geram o tipo de reflexão necessária, é possível se divertir com o que a HQ tem de melhor. Uma história de terror, digna mesmo de um filme, que chegou no Brasil com uma edição belíssima e de um ótimo material feito pela Avec Editora. Alena apresenta um bom enredo, tão bem amarrado que impressiona o leitor até o final. 

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