Resenha: Origem

04 jan, 2018 Por Bruno Bastos

Título Original: Origem
Autor: Dan Brown
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
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Dan Brown dispensa apresentações, um dos maiores escritores contemporâneos e grande best-seller, lançou em 2017 seu sétimo livro, o quinto com o protagonista Robert Langdon, que inclusive já teve três obras adaptadas ao cinema, Código da Vinci, Anjos e Demônios e Inferno.
Em Origem, Robert Langdon irá reencontrar um antigo aluno seu, ateu fervoroso e apaixonado por ciência e tecnologia, o bilionário Edmond Kirsch. Ele vai até um famoso museu da cidade espanhola de Bilbao, para uma apresentação que segundo seu ex-aluno, será reveladora ao ponto de mudar o destino da humanidade. Chegando lá ele coloca um fone de ouvido que vai lhe dando ordens para ir a determinados lugares do museu, antes da apresentação, até encontrar pessoalmente Kirsch, que lhe explica que sua descoberta irá mudar o rumo da história.Kirsch descobrira de onde viemos e para onde vamos depois da morte, ele tinha a resposta verdadeira, contara ela apenas a três religiosos, com a intenção de saber o que eles achavam disso e o que eles previam para o futuro após a descoberta ser revelada. Os três pediram a ele que não revelasse o que descobrira, pois, um caos se instauraria, mas ele se diz certo do que irá fazer e não dá opção aos demais.

Permitir a ignorância é dar poder a ela.

Com uma fórmula já bem conhecida por seus leitores, parece meio óbvio o que acontecerá, não? O problema? Entre a ambientação de onde Langdon se encontra, passando por explicações tecnológicas, até chegar, enfim, no encontro dos dois velhos amigos e para depois passar para a revelação estrondosa, se vai quase um terço do livro. Todas estas páginas, até acontecer o que todo mundo sabe que irá acontecer ou vocês estão achando que o Elon Musk da ficção irá realmente conseguir concluir sua revelação assim, tão fácil? Antes de abrir o livro, tudo que acontecerá nele está bem claro.
Todos os livros de Dan Brown tem como objetivo fazer o leitor refletir se o que está acontecendo nas suas páginas é realmente real, como a fantástica explicação que ele cria para o Santo Graal em O Código da Vinci, mas ele esquece completamente da realidade em Origem, se deixa levar por problemas que o autor julga importantes, mas que pra maior parte da população é uma solução, como o caso da tecnologia, que ele tenta se utilizar para traçar um paralelo entre o fim dos tempos com a dependência das pessoas, sendo que uma coisa não consegue ter nada a ver com a outra, mesmo ele fazendo muito esforço.
Um dos fatores positivos é que os livros de Dan Brown continuam apresentando sua carga histórica, geográfica e, nesse livro principalmente, até geopolítica. Ele sabe ambientar muito bem o leitor, talvez por isso perca muito tempo com descrições banais deixando de lado a ação. Em Origem ele consegue, inclusive, traçar o paralelo da questão religiosa que separa a capital da Espanha, Madrid, da região da Catalunha, onde se encontra Barcelona. Em tempos de guerra pelo separatismo da região, a diferença religiosa e opressora entre as duas cidades fica muito clara e belissimamente exemplificada no livro. Então, se você quer aprender sobre porque Barcelona e arredores querem se separar do resto da Espanha, Origem é um ótimo livro, caso queira somente um livro de ficção com muita ação, eu definitivamente não o indico.

Para finalizar, a resolução da história não convence, a explicação das coisas não faz sentido e a importância dada, ao ponto de acontecerem algumas mortes, não tem nenhum cabimento. Origem talvez tenha sido a maior decepção nas minhas leituras de 2017, digo decepção porque eu ainda esperava algo de Dan Brown, achei que ele pudesse inovar e tinha certeza de que pelo menos seria coerente, mas não foi, não conseguiu me convencer da sua ideia e as duas estrelas que ganha na minha avaliação vão para o projeto gráfico da Arqueiro, além do fato já mencionado de que a parte geopolítica da obra é realmente uma aula.

Eu conheço muitas pessoas que têm um preconceito enorme com livros de Dan Brown, até Origem eu não tinha, claro que me decepcionara um pouco com Inferno achando que mais uma vez era apenas mais do mesmo, mas nada que me fizesse parar de ler seus livros. Não vou deixar de comprar o próximo livro dele. Provavelmente, ainda darei mais uma chance, mas se for bom estará me surpreendendo. Sugeriria ao autor uma mudança de ares para seu personagem principal ou então que lançasse algum livro fora desse universo criado. Você poderá conferir as minhas impressões do livro também neste vídeo. O melhor livro dele para mim ainda é Fortaleza Digital, que não tem como personagem principal o professor de Harvard.

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