Resenha: Suicidas

Título Original: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 432
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Suicidas, o primeiro livro de Raphael Montes, ganhou neste ano pela Companhia das Letras uma nova edição desta história, que originalmente fora lançada pela Benvirá. 

Em Suicidas, a delegada Diana Guimarães, tentará pela última vez, resolver um caso envolto a muito mistério. Há um ano, nove amigos reuniram-se em um porão para participar de uma Roleta Russa, um jogo de azar onde os participantes colocam uma bala no tambor de um revólver para atirarem em suas próprias cabeças, porém, não se sabe por qual motivo, a "brincadeira" resultou na morte de todos. 

Com a descoberta de uma nova prova, Diana reúne as mães desses jovens para lhes apresentar um caderno, escrito por Alessandro de Carvalho, um dos envolvidos na Roleta Russa, com detalhes do jogo. Enquanto a delegada lê os acontecimentos ocorridos naquele mesmo porão, as mães, ao mesmo tempo que sofrem e choram com os relatos narrados por Diana, precisam achar respostas para os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio.

Raphael Montes se utiliza de três diferentes formas de narrativas e perspectivas para contar esta história. Primeiramente teremos os capítulos em que acompanharemos a delegada e as mães dos amigos lendo e comentando todas as anotações de Alessandro referente ao fatídico dia. Nestas partes, é possível se emocionar e criar empatia pelas famílias dos jovens, que, mais vez, são confrontadas com a realidade que seus filhos passaram. As reações dessas mães são muito genuínas, tenho certeza que, se lêssemos algo assim, o detalhamento da morte de um ente querido, demonstraríamos as mesmas reações. 

"É impressionante a atração humana pela desgraça alheia."


Em outros capítulos teremos contato com o caderno de Alessandro. Com ele somos transportando para o porão da casa no momento em que eles se reuniam para a Roleta Russa, há um ano. Sem dúvidas, essa narrativa é a mais intensa e perturbadora, em alguns momentos até chocante, pois não é nada fácil ver a crueldade dos acontecimentos, por vezes tive que parar um pouco a leitura e simplesmente respirar, me lembrar que eu estava lendo apenas um livro.

A terceira ferramenta que Raphael Montes utiliza para esta história é o diário de Alessandro, e através dele acompanhamos relatos específicos do dia a dia do jovem. Por este diário que conheceremos os personagens mais profundamente, além do modo como eles se conheceram e viraram amigos. Juntando esses relatos com os acontecimentos do porão, descobrimos o motivo que levou cada um a decisão de aceitar a Roleta Russa e o modo como esse assunto entrou em discussão.

Desta forma, com a vida desses jovens representados pelas memórias de Alessandro, antes do jogo, no dia e um ano depois, o leitor fica imerso a esta história sem direito a volta. A leitura é frenética e uma vez envolto a esta trama é impossível parar. Saber o que realmente ocorreu com estes jovens e tentar descobrir, o que está por trás dos planos de Alessandro e com um possível livro que ele havia começado a escrever, torna tudo mais assustador e conflitante por vários motivos. 



A escrita do Raphael Montes é muito envolvente e forte, ele não tem pena do leitor e apresenta cenas fortes e chocantes com muita clareza e detalhes. Algo realmente muito impressionante para um autor que escreveu esta sua primeira história com apenas dezenove anos. O autor mantém presente um terror psicológico ao longo de todo o livro através da pressão que os personagens estão submetidos dentro daquela sala. As cenas de ação são extremamente descritivas, portanto, se você é mais sensível para este tipo de leitura mais agressiva, esteja avisado. 

Todos os personagens são muito bem construídos e têm personalidades bem marcantes. Aqui todos eles se revelam inteiramente para o leitor, que compreende as mais ocultas características. Todos eles, aos poucos, se revelam sem máscaras, sem camadas, mostrando quem realmente são e do que são capazes. Alessandro se destaca por ser peça principal desde quebra-cabeças, porém Zack também ganha seu destaque na trama. Os dois amigos estão diretamente relacionados com praticamente todos os acontecimentos e reviravoltas do livro.

Suicidas é um livro extremamente bem elaborado, inteligente e audacioso. Raphael Montes mostra como a mente humana e suscetível a manipulação de uma forma muito bem elaborada e sem deixar temas importantes de fora. Sem escrúpulos ele vai abordar relações familiares, sexualidade, depressão, drogas e vários outros problemas que rondam os jovens universitários. No meio de tudo isso, ele também insere diversas pequenas críticas sobre pessoas que vivem apenas de aparências. Os direitos do livro já foram comprados para virar filme e a história também já foi adaptada para o teatro, sem dúvidas é um grande sucesso que ganhou neste ano, mais uma chance para que novos leitores o conhecessem.



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11 comentários

  1. Achei bem interessante a forma que o livro foi construído, isso de cada personagem ter voz e colocar suas impressões sobre o que leu do livro, é bom vermos a situação por diferentes ângulos.
    Esse desenvolvimento entre o presente e o que já ocorreu também é show!
    Acho ótimo que assuntos como os citados na resenha sejam discutidos, sou universitária, tenho uma grande grupo de amigos e colegas que também são, e acredite, não está sendo fácil.

    Abraço!

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  2. Esse livro parece ser realmente ótimo. Eu já li alguns livros do Rafael, mas eu ainda não li esse. Mas se ele for tão bom quanto os outros, esse é um livro espetacular.

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  3. Oi, Nathy!!
    O livro tem uma estória bem interessante, o Raphael Montes soube como chamar atenção para esse livro dele!! Infelizmente ainda não li nada dele, mas tenho certeza que vou adorar conhecer essa estória!!
    Bjos

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  4. Fiquei super curiosa em ler esse livro!! O jeito como é tratado os fatos, torna a leitura bem mais realista. Esses jovens deviam estam passando por uma depressão profunda para aceitarem jogar esse jogo, estou intrigada para saber como o Alessandro conseguiu convencê-los a participar.

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  5. Oi!

    Bom, há coisas na vida que não tem explicação, mas há algo que motiva. Algo que talvez ninguém tenha percebido? Talvez! Nem sempre é possível buscar respostas que precisamos e queremos saber. A ocasião e oportunidade pode ser de grande revelancia em dado momento fã vida.

    Achei muito importante o autor abordar um tema como esse, que é forte e com cenas fortes, mas que são realistas e podem tá acontecendo neste exato momento, e que nos passa a dor dos familiares e de como eles puderam lidar com isso, e o que pode ocasionar uma pessoa a cometer suicídio. Afinal, há diversos fatores!

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  6. Oi Natasmi.
    Adorei a premissa de Suicidas. Ainda não li nada do autor, mas vejo diversas resenhas positivas sobre seus livros.
    Vou ler Suicidas, já que vai ser adaptado para os cinemas e no teatro! Parabéns para o autor.
    Adoro thrillers psicológicos que desnudam a mente dos personagens e nos mostram quem eles realmente são e do que são capazes.
    Bjs

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  7. Esta semana consegui completar minha coleção com os livros do Raphael(só faltava O Vilarejo). Na minha humilde opinião, Raphael é o melhor autor nacional, sem desmerecer ninguém.
    O autor manda bem demais no que escreve e como já adoro esse lado de mexer com o psicológico, abracei todos os livros.
    Suicidas consegue nos jogar dentro da história. É como viver a agonia, como estar ali vendo e sentindo tudo. Todos os personagens são realmente bem construídos e trazem sua carga emocional em casa página!
    Super recomendo!
    Beijo

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  8. O Raphael não escreve um gênero que leio com frequência mas fico bem feliz pela literatura nacional quando vejo resenhas positivas de seus livros. O suspense parece ser daqueles que roer as unhas e acho que quem curto o gênero vai curtir muito a leitura assim como você ;)

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  9. Adorei a resenha e já me interessei bastante por esse livro, não tinha ouvido falar ainda dele, mas já vai para a milha lista, beijinhos

    http://segredos-sinceros.blogspot.com.br/

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  10. Natasmi!
    Já li outros livros do autor e gostei muito.
    Saber que ele trouxe trechos descritivos das mortes e sem poupar o leitor do lado macabro, me deixou com vontade de conferir esa leitura dele também.
    E que se utiliza de três tipos de narrativa, já me ceixou com vontade de conhecer o livro.
    Desejo uma semana mais que abençoada e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  11. Nunca li nada do Raphael Montes. Sempre fico curiosa com os livros dele. Jantar Secreto e Dias Perfeitos são os que mais me atraem quando vejo resenhas. Mas gostaria de ler todos! hahaha

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