Resenha: A Bela e A Fera

27 fev, 2018 Por Izabela Neves

Título Original: La Belle et la Bête
Autoras: Madame de Villeneuve e Madame de Beaumont
Editora: Zahar
Páginas: 238
Era uma vez…

Talvez essa seja a expressão mais marcante na vida de muitas pessoas. Quem não se lembra de, diversas vezes, cair nos braços de Morfeu, ao ouvir tais palavras prosseguidas por grandes histórias com magias, reinos distantes, fadas, bruxas, anões e dragões?

É fato que muitos que aqui leem, já dormiram embalados por uma voz aconchegante, a quem vos contava sobre mundos cheios de mistérios e encantos, que conhecemos docemente como Contos de Fadas. Contudo, acredito que não há conto de fadas mais bonito e extraordinário que a história de A Bela e A Fera.
Para aqueles que, infelizmente, ainda não conhecem a história em questão, no conto, conhecemos a jornada da jovem Bela. A moça pertencia a uma família de comerciante, que costumava ser conhecida por possuírem uma nobreza, não apenas financeira, mas também espiritual. Entretanto, de revés, vemos essa família sofrer os diversos tipos de desventuras. Em meio ao apego à última esperança que lhe resta, o pai de Bela se vê em apuros, quando, por obra do destino, se torna refém de uma Fera. Para se salvar, entretanto, uma de suas filhas deve dar a vida pela do pai, voluntariamente. Será um pai capaz de permitir tal feitio? E o amor de uma filha é incondicional ao ponto de dar a vida por um pai?
São questões complicadas de se pensar, contudo, apesar de tamanho sofrimento, Bela troca sua vida pela do pai sem pestanejar. A filha do comerciante possuía uma bondade e virtuosidade suprema, fato responsável pelo apelido que recebera. Mas o que Bela não esperava, era que tal sacrifício iria transformar sua vida.

“Embora todas as suas filhas fossem bonitas, a caçula era a mais admirada, sendo chamada por todos, desde bebê, de Bela.”

Contos de Fadas são conhecidos por apresentarem, em sua maioria, um final feliz com uma bela lição de moral. Em A Bela e A Fera, a autora busca por intermédio de um maravilhoso romance, nos apresentar, em suma, o amor verdadeiro. A história nos mostra que o amor deve ser livre de rótulos, de artimanhas e mesquinharias. Amar não deve envolver o plano físico e intelectual dos seres, mas deve transcender ao plano espiritual. Só se pode amar quando se tem um coração puro e sincero.
Acredito que, em uma sociedade que se encontra doente por uma ilusão de perfeição, que procura muito mais nas pessoas o que elas têm do que são, esse conto de fadas faz-se mais do que urgente em se tornar realidade. Tristemente, vivemos atualmente, numa sociedade altamente egoísta e fútil, que se encontra obstinada em competir entre os seus indivíduos por quem possui mais. 

Bom, quanto a obra, não satisfeita em publicar uma das mais lindas histórias de princesas, a editora Zahar ainda nos brindou com uma lindíssima edição de luxo especial de bolso. O livro se divide em quatro partes, sendo a primeira, uma apresentação; a segunda, a história por Madame de Beaumont; a terceira, a história por Madame de Villeneuve; e, por fim, a cronologia de vida e obra das autoras. 
A história escrita por Madame de Villeneuve é a primeira e original história de A Bela e A Fera, de 1740. A narrativa apresentada pela autora é mais descritiva e extensa, sendo considerada propriamente, um romance. A escrita dessa autora é fantástica e me cativou bastante. Já a história que foi escrita em 1756, por Madame Beaumont, é mais singela e direta. A narrativa não conta com muitos detalhes ou possui elementos elencados, o que é mais característico de Conto de Fadas.

“Prefiro o senhor com sua feiura àqueles que, sob a pele humana, escondem um coração falso, corrompido e ingrato.”

Foi interessante ler as duas obras, para perceber, principalmente, a grande disparidade entre elas. Particularmente, gostei muito mais da história em forma de romance. Devido a isso, me incomodou bastante, o fato da ordem em que se apresentam os textos ser invertida, ou seja, não ser cronológica.
Se por um lado, a ordem como se encontram as histórias não me agradou, por outro, a apresentação foi algo que me surpreendeu, e se faz imprescindível. Rodrigo Lacerda, autor responsável por tal artimanha, nos expõe uma breve revisão histórica incrível. Por meio desta, descobri que há um fato histórico que não só está diretamente ligado ao conto, como pode ter servido como inspiração. Não obstante, o escritor ainda nos mostra outros exemplos de histórias, relacionadas ao amor de um ser humano e um ser animalesco, dando inclusive como exemplo, o nosso famoso boto-cor-de-rosa.
A leitura de A Bela e A Fera foi muito valiosa e fica como uma ótima indicação para quem gosta de Contos de Fadas/Romance. A editora Zahar ainda conta com vários outros títulos clássicos como Peter Pan, O Mágico de Oz, Alice no país das Maravilhas, O Lobo do Mar, O Morro dos Ventos Uivantes, dentre outros. O investimento na editora é algo que vale muito a pena, não apenas pela ótima seleção de obras, como também, pelo excelente trabalho artístico estético. Fica a dica para essa leitura!

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