Red Sparrow

Lançamento: 1 de março de 2018
Com: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Jeremy Irons
Gênero: Suspense, Espionagem
Depois de ter sua carreira como bailarina destruída e sem renda para os cuidados especiais da mãe, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence acaba cedendo à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto russo, para virar uma Sparrow. Uma agente treinada para usar a sedução na espionagem e seu corpo como uma arma.
A partir daí iremos acompanhar o treinamento de Dominika até sua primeira e derradeira missão, e, não há fração para falhar neste caso. Dominika precisa de aproximar de Nathaniel Nash (Joel Edgerton), o único agente da CIA que possui o nome de um dos maiores agentes duplos infiltrado na SVR.  Porém, o casal  pode estar se envolvendo afetivamente, o que pode colocar a vida de ambos em risco.
Novamente ao lado de Jennifer Lawrence, o diretor Francis Lawrence dá vida a adaptação do livro, Roleta Russa de Jason Matthews, originalmente lançado em 2014 pela editora Arqueiro. Ele imprime sua marca em diversas cenas durante o longa, muitas de forma semelhante ao que vi na série The Hungers Games. O porém é que o tom de Operação Red Sparrow é outro, regado de violência e ação do segundo ato para o fim, o filme conseguiu me fisgar desde o princípio, mesmo quando apresentou certas falhas.


O filme tenta entregar tudo que um bom thriller de espionagem possui, jogos de intrigas, segundas intenções, mistério e trapaças. Se preocupar com o nível de confiança que os personagens possuem entre eles e entrar neste jogo de quem está realmente falando a verdade acaba nos envolvendo completamente. A narrativa é efetiva em plantar a dúvida na cabeça do público e mesmo que possamos deduzir os planos de Dominika para a sua redenção, consegui me ver presa a trama, com a atuação dos personagens, com a química entre eles e as diversas reviravoltas que o enredo dá. Apesar disso, pode ser até que o filme não agrade os fãs mais presentes do gênero, mas como uma porta de entrada, o filme se sustenta bem.
A trilha sonora acaba sendo nostálgica para os grandes fãs dos clássicos de espionagem, mas também envolve o público novo, pois contribui com a construção do ritmo na narrativa. O elenco é de peso. Charlotte Rampling, Jeremy Irons e Ciarán Hinds não decepcionam e roubam a atenção do público quando entram em cena, mesmo em seus papeis secundários. Quanto a protagonista, eu sou fã de Jennifer Lawrence e talvez o meu testemunho seja suspeito, mas já vi a atriz atuar nos mais diversos gêneros e percebo que ela se entrega totalmente, se doa para todo papel e com este não é diferente. Não é à toa que tão jovem já tenha garantido um Oscar em sua prateleira.

Diferentemente de alguns outros filmes de espiões, que só focam no “glamour” da profissão. Operação Red Sparrow foca na sujeira por trás de tudo isso. Dominika é colocada em diversas situações de perigo e constrangedoras, ainda mais quando está em treinamento. Fazendo parte da lavagem cerebral que é feita para garantirem agentes patriotas e que saberão utilizar seus corpos em prol dos seus objetivos. Na longa existe também muita violência, de diversas vertentes, então quem é um pouco mais sensível a este tipo de conteúdo, isso poderá lhe afetar.
Um ponto fraco das atuações e direção é o sotaque forçado que os atores utilizam para justificarem o uso da língua inglesa ao longo de todo o filme. Sou da opinião de que, ou faz um filme todo em russo ou faz um filme todo em inglês. Por alguns momentos, uma ou outra palavra sai em russo, o que acaba gerando uma certa confusão na cabeça do público. Esta forçação de barra fica até feio em algumas cenas, o que é uma pena.
Com cenas um pouco menos ousadas do que Atômica (2017), filme que segue a mesma fórmula, mas com muito mais ação e que também tem como protagonista uma mulher, Operação Red Sparrow entrega o que promete, uma boa fotografia, montagem, direção e atuação. Algumas mais afetadas que os outras, é verdade, mas todas em sintonia com a atmosfera do enredo, fria, calculista e com pouca emoção. Não é um filme para um Oscar, até por que, muito do que está aqui já vimos em outros, porém é capaz de seduzir e divertir um público que busca algumas horas de entretenimento.

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