Resenha: Tartarugas Até Lá Embaixo

Título Original: Turtles All the Way Down
Autor: John Green
Ano: 2017
Editora: Intrínseca 
Páginas: 272
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Que adolescente que nunca sonhou em arranjar um namorado ou estar sempre na moda e entrar numa universidade super cotada? E a resposta é: Aza Holmes. Diferente das garotas da sua idade, Aza só deseja fugir dos seus pensamentos e se tornar uma pessoa comum. Não que ela seja um alienígena, mas a jovem carrega dentro de sua cabeça, um mundo próprio. Nossa querida protagonista possui Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que não por coincidência, é também a mesma doença do nosso estimado autor, John Green

Em meio a sua doença psicológica, Aza busca levar uma vida “normal”, mas sempre acaba entrando em espirais de pensamentos intrusivos, que, geralmente a levam a fazer repetidas coisas indesejadas, sempre relacionadas à sua higiene. Daisy, sua melhor amiga e salvadora nos momentos difíceis, é uma garota de personalidade forte, amante de Star Wars e escritora de fanfic. Mesmo sendo completamente diferente da amiga, a garota é a única que mesmo em momentos de crise, consegue fazer com que Aza se sinta mais leve e normal. 

Essa incrível amizade irá render às duas, inúmeras aventuras, e a principal delas é o foco do livro. Após o desaparecimento do grande bilionário da cidade de Indianápolis, Russell Pickett, cem mil dólares são oferecidos de recompensa, para quem encontrar alguma pista sobre a localização do magnata. Aza não dá a mínima para o acontecimento, entretanto, sua melhor amiga a convence a investigar o paradeiro de Russell, afinal, a recompensa ajudaria muito na faculdade. As duas começam a investigação então, pelo único contato de Aza com o bilionário, seu filho Davis

"Tudo bem que tenho problemas de ansiedade, mas não vejo nada de irracional em ficar nervosa por saber que somos uma colônia de bactérias num invólucro de pele."


Seria aceitável não mencionar o Davis nessa resenha, contudo, fiquei completamente apaixonada com o garoto, se tornando impossível não trazê-lo. Davis Pickett é filho do magnata Russell Pickett e um amigo de infância da Aza. O jovem é muito sensível e encantador, ele consegue transformar fragmentos de sua alma conturbada, em lindos poemas. Entretanto, sem haver um motivo evidente, Aza e o garoto se distanciaram ao longo do tempo. Esse reencontro entre os jovens, promete reabrir feridas do passado, como casquinhas de um machucado que temos a mania de tirar. 

A história é ambientada no estado de Indiana, nos Estados Unidos, nos dias atuais. Ela nos traz uma maravilhosa lição sobre amor, amizade, mas, principalmente, valores. E junto a isso, o autor mescla com seu toque de plenitude, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, que é uma doença mental muito difícil e que ultimamente tem sido enfoque de muitas discussões.

Ao final da minha leitura, tive vontade de aplaudir o autor, pela capacidade de transpor para um livro uma doença como essa. Como é mencionado no livro, a dor é algo difícil de ser expresso, por isso, diversas vezes usamos metáforas e comparações para expressar aquilo que sentimos. Fico a refletir, se para expor uma dor causada por uma doença física já é difícil, quem dirá uma dor, consequência de uma doença mental? Todavia, John Green exprimiu isso da melhor maneira e eu consegui me sentir na cabeça da Aza, mesmo tantas vezes não conseguindo compreendê-la.

"Muitas vezes nada conseguia me livrar do medo, mas, em outras, só ouvir Daisy já resolvia. Ela conseguia concertar alguma coisa, dentro de mim, e eu já não sentia mais como se estivesse num redemoinho, ou sendo sugada por uma espiral que só se afunilava."

O livro é fascinante, e mais uma vez, John Green não nos decepciona. Já li quase todos os livros do autor, mas devo confessar que me agarrei àquele fiozinho de esperança de que o final fosse diferente. Há uma parte no livro em que a protagonista afirma que não existem finais felizes, ou se é feliz ou não há final. Fiquei me perguntando se o recado era pra mim, pois serviu direitinho.



A obra é linda, sua capa faz todo sentido com o livro e confesso que ri muito ao descobrir o porquê do título. Quando foi divulgado o nome desse livro, fiquei me perguntando qual seria o motivo e não consegui pensar em nada, mas a relação do título com o conteúdo faz total sentido. Acho a escrita do autor super leve, e talvez seja por isso que ela nos prenda tanto. 

John Green às vezes me lembra muito o Charada, inimigo do Batman, com seus enigmas, que passamos o livro inteiro tentando descobrir a resposta, e quando chega ao fim, nos perguntamos como não havíamos pensado naquilo. Claro, há muitas diferenças entre ambos, Green é um incrível gênio do bem, que nos deixa encantados com suas obras. Para quem gosta de uma leitura young adult, do gênero romance, é uma leitura muito indicada.

O autor para quem, dificilmente, não conhece, é norte-americano e ficou mundialmente conhecido, principalmente, após a publicação do seu best-seller, A Culpa é das Estrelas. John Green possui ainda outras obras traduzidas e publicadas, aqui no Brasil, como Quem é você, Alasca?, Cidades de Papel, O Teorema Katherine, Will e Will, com o autor David Levithan, e Deixe a Neve Cair, com as autoras Maureen Johnson e Lauren Myracle, inclusive, algumas dessas obras já foram adaptados pro cinema.

9 comentários

  1. Gosto demais do trabalho do John e quando este livro foi lançado, o que chamou minha atenção foi a capa muito simples. Mas daí, começaram a vir as resenhas, ora muito positivas, ora negativas demais.
    E percebi que talvez a intenção do autor fosse esta, dividir realmente os leitores.
    Trazer uma doença tão pouco conhecida misturada a valores como família,amigos e o principal, dores, é algo fascinante, que só poderia ter saído da cabeça genial do autor.
    Já está na listinha de desejados e espero poder ainda, ler este livro.
    Beijo

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  2. Achei este livro tão fofinho, cheio de quotes, e com a essência John Green de um jeito muito envolvente. Ele consegue fazer a gente se envolver com a vida da Aza, com sua doença e suas angústias. Me fez perceber o quanto eu banalizava a doença, não imaginando nem perto o que a pessoa passava, sabe? Quantas vezes a gente não diz: "Eu tenho TOC com isso..." sem ter a mínima ideia do que é na real né.

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  3. Ainda não li, mas simpatizei demais com a protagonista, pois sou cheia de TOCs, rs
    Vc tb curte literatura infantil? Tem um concurso cultural rolando no meu blog. Espero vc. Abraço!
    http://www.jussaraneves.com.br/2018/02/todas-as-estrelas-da-ceu-impressoes-sobre-a-obra-e-um-concurso-cultural.html

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  4. O livro aborda uma doença que muitos ainda desconhecem!! E pensar que a ansiedade pode causar um grande desconforto na vida das pessoas. O que podemos sentir lendo esse livro são sentimentos de amor, amizade, impotência, raiva. Penso que John Green consegue descrever muito bem os sintomas do TOC, pois ele mesmo tem que lidar com a doença!! Porém como o próprio autor diz: “Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua”.

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  5. Izabel!
    Tive oportunidade de ler esse livro no final do ano passado e gostei muito da forma como Green construiu toda história, trazendo os sentimentos e pensamentos de Aza, e ainda um mistério no enredo para ser desvendado. Me encantei com Davis também...
    Uma ótima leitura.
    “Quando choramos abraçados e caminhamos lado a lado. Por favor amor me acredite, não há palavras para explicar o que eu sinto...” (Renato Russo)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  6. Só li um livro do autor e não gostei, então tenho receio de ler outros. Esse li comentários positivos e negativos, embora aborde uma doença que nem conhecemos direito é interessante saber como ela age, como a pessoa se sente, não sabia que o próprio autor também tem. Também me perguntei por que esse título.

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  7. Apesar do Sucesso que esse autor tem feito Eu sinceramente não gostei de muitos livros dele acho que só gostei de A Culpa é das Estrelas e de cidades de papéis mas eu fiquei muito interessada em ler esse livro dele até porque vi vários blogs dizendo que foi o melhor livro que ele escreveu até agora

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  8. Oi Izabela!
    Só li A Culpa é das Estrelas do John Green, mas apesar de ter gostado do livro não é um gênero que eu curto. Prefiro histórias mais felizes. :)
    Por isso, mão li mais nada do autor. Tartarugas até lá Embaixo parece bom, mas ainda não sei se vou dar uma chance.
    :)

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  9. Oi!
    não saia que esse livro era do John Green, só li um livro dele, mas vi muitos comentários sore seus livros e minhas amigas também me indicaram alguns, de uma certo modo achei esse livro diferente do que geralmente estou acostumada a ver dele, gostei muito da historia, ela logo me predeu e me deixou curiosa o que para mim e essencial !!

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