Título Original: Os Invisíveis e o Amuleto da Serpente
Autor: Matheus Ueta
Ano: 2017
Editora: Outro Planeta
Páginas: 160
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Vamos falar sobre literatura infantil? Sim, vamos!  

Sou pai de um menino de cinco anos e tenho um sobrinho de doze, costumo
dar muitos livros para o menino mais velho, que já sabe ler e também leio
muitos livros e conto muitas histórias de fantasia para meu filho, inclusive
alguns contos de Lovecraft, os quais ele torce mais para os monstros que para
os heróis.
Matheus Ueta é um ator mirim, que agora também se aventura
na literatura. Entre os seus trabalhos na TV estão a novela infantil Carrossel
e a apresentação do famoso Bom dia & Cia. Os Invisíveis e o Amuleto da
Serpente
é o seu primeiro livro, e ele já consegue mostrar que tem muita qualidade de escrita e se continuar investindo na literatura ele pode ter um grande
futuro.
O livro conta a história de Matheus, um garoto que sofre com
o bullying dos colegas na escola e faz parte dos excluídos da turma, junto com
seus dois amigos Nina e Átila. Juntos eles tentam impedir que o PaleoPark, um
parque de fosseis de Dinossauros, seja vendido e transformado em um
estacionamento. Enquanto tentam se despedir do lugar, buscando motivos para
impedir a mudança, os amigos encontram parte de um amuleto e juntos vão em busca do
restante dele. Quando as quatro partes se unem abrem um portal, que os leva diretamente
ao passado, para a cidade perdida de Shangri-la. Não será nada fácil para eles passarem ilesos por essa
aventura, já que encontram muitos perigos, desafios e problemas escabrosos
durante sua saga.

A edição feita pela Planeta de Livros, sob o selo de Outro
Planeta, é algo perto do magnífico, inserindo diferentes diagramações nas
páginas para diversas situações, como quadros especiais imitando telas de
celular para cenas de trocas de SMS ou páginas com laudas imitando um diário. Além disso, a cada início de capítulo existe um glossário
onde Matheus mostra o significado de palavras que serão importantes nas páginas
seguintes e que muitas vezes, não estão inseridas ainda no vocabulário de crianças. Quanto as ilustrações presentes no livro, todas são lindas, bem-feitas e
totalmente inseridas no contexto da história.
O livro é muito bem iniciado e encerrado, assim como todo
seu decorrer é fluído e não deixa nenhuma ponta solta. Matheus apesar de ser um
menino de treze anos apenas, se mostra muito promissor, inclusive fugindo de alguns
clichês muito comuns dos livros, como por exemplo, inserir um relacionamento amoroso dentro do
grupo principal da história. Outro insight bacana, são as últimas páginas da edição, que apresentarem uma lista, encontrada em um dos anexos do Paleopark, indicando que a história terá uma continuação. Este detalhe leva o leitor até a última página aonde é
revelado o nome do próximo livro da série Os invisíveis e a Cidade Perdida.

Claro que você precisa lembrar que é um livro infantil. Provavelmente se um adulto o ler vai achar bobo e acreditar que os problemas
enfrentados pelos garotos é algo banal e sem cabimento, mas eu, que li para meu
filho, achei bem interessante e agradável, não me senti em nenhum
momento entediado com a leitura.
Os Invisíveis e o Amuleto da Serpente é um livro pequeno,
de 147 páginas, que atende a cem por cento das ideias às quais se propõe, não fica
devendo em nada, tem um fechamento muito competente, sem deixar nenhuma falha ou
dúvida. Matheus Ueta estreia muito bem nesse novo cenário e fiquei muito curioso para ler mais dele, imagino que as crianças
que tiverem oportunidade de ler a obra também ficarão.

Se você gosta de ler, tem um filho, sobrinho, irmão ou até mesmo primo entre a faixa etária de quinze anos, e quer que essa
criança sinta como é bom sair um pouco da frente da televisão e do seu vídeo game, sem
perder aquilo que ela mais gosta, sem perder a sua diversão, Os Invisíveis e o
Amuleto da Serpente
será sem dúvida um incentivo a esse novo hábito. É impossível ler o livro e não gostar, tenho certeza que toda criança ficará muito ansiosa para a sua
continuação e enquanto não é lançado, vai acabar procurando outras coisas do
gênero. O segredo é descobrir que existe uma imensa gama de livros que não são aquelas
coisas chatas que a escola obriga a criança a ler e passará a ter o mesmo
prazer que nós temos quando estamos com um bom livro nas mãos.

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