Título Original: Desde Donde Se Domine La Llanura

Autora: Megan Maxwell
Ano: 2017
Editora: Essência
Páginas: 368
Gillian seria constantemente cortejada pelos homens de seu clã se não fosse a fama nada lisonjeira que a antecede. Desafiadora é como a chamam aqueles que já tentaram sem sucesso domar o coração dessa guerreira e agora poucos se aventuram em tal façanha. A beleza feminina que atrai tantos olhares contrasta fortemente com a força que empunha a espada nas lutas e com o gênio arredio que não se cala diante de nenhuma injustiça. Mas o que poucos sabem é que essa linda mulher já esteve prestes a se entregar ao amor e após uma grande decepção seus sentimentos estão ainda mais adormecidos.

A decepção tem nome e é um poço de orgulho. Niall comanda o próprio exército de guerreiros. Homens conhecidos por sua aparência repugnante e modos toscos fazem jus ao líder que, com mãos de ferro, conduz um clã conhecido pelas batalhas sangrentas que executam. Porém o jovem obstinado nem sempre foi assim, antes suas únicas batalhas eram conquistar diariamente a linda mulher com quem gostaria de dividir a vida. Mas ele não sabe o que aconteceu, por um breve período precisou partir e quando voltou encontrou no lugar de sua amada, uma pessoa fria e egoísta. Seu coração antes cheio de luz, viu pela primeira vez a escuridão e assim permaneceu até agora, quando novamente pôs os olhos em sua linda Gillian.

Nenhum dos dois estava preparado para as fortes emoções desse reencontro e muito menos disposto a assumir qualquer sentimento que não fosse o de rancor. Mas situações extremas exigem medidas extremas e ao se ver noiva de um homem hediondo, Gillian se volta para a única pessoa disposta ajudar, justamente para aquele que um dia tanto lhe magoou. Mas ela desconhece suas verdadeiras intenções e apesar de manipulá-lo a seu bel prazer, quando chega na hora do tão esperado sim, as promessas de amor se perdem em meio à gritos de ódio. Será possível reencontrar o amor ao lado de alguém que partiu seu coração em milhares de pedaços?

“Sim, sou desprezível. E, para você, pretendo ser a pessoa mais desprezível de toda a Escócia, porque tê-la ao meu lado é um castigo muito difícil de suportar.”


Eu e minhas desastrosas segundas chances. Eu deveria simplesmente parar, se não gostei de algo à primeira leitura, mas a justiça em mim insiste e então li pela segunda vez, algo da autora Megan Maxweel. A primeira experiência foi desastrosa e agora, bem, nem sei por onde começar. Existe tanta coisa errada nessa história, que fica difícil ser gentil na hora de esclarecer os pontos negativos, mas vocês merecem saber mais sobre esse livro e espero que entendam minha decepção com essa escritora que é tão amada por todas as românticas de plantão.

Vou mencionar minha primeira frustração com essa história, a protagonista. Eu pensei de verdade que encontraria em Fúria Domada a líder feminina que tanto faltava em romances de época. Descrita na sinopse como uma guerreira independente, Gillian é na verdade uma mocinha infantil, dada às rebeldias desnecessárias, que apenas sabe empunhar uma espada. Não quero desmerecer esse fato, talvez para época, saber manejar uma arma tão pesada e masculina fosse considerado algo significativo, mas as atitudes sempre tão impensadas e imprudentes, fazem pensar nos motivos reais que a fazem lutar tão bravamente por respeito. Não senti na personagem uma personalidade forte em questão de caráter e ideias, em contrapartida a tal força só se mostrava quando o objetivo era contrariar alguém, infelizmente por puro orgulho.

“É uma verdadeira McRae. Uma lutadora. E não repetirei estas palavras diante de você, mas preciso dizer que te amo mais do que a minha vida, porque você sempre foi e sempre será meu único e verdadeiro amor.”

Niall também teve sua cota de infantilidade. Contrastando com a rudeza e responsabilidades inerentes a alguém de sua posição, as atitudes desse guerreiro oscilavam de maneira tão incoerente que parecia ter sido possuído por um jovem inexperiente e imaturo. Talvez eu esteja sendo muito dura, afinal falamos de corações apaixonados, e já diziam os sábios que o coração tem razões que a própria razão desconhece, mas falamos aqui de pessoas experientes, que já vivenciaram essas emoções antes e se dizem extremamente doloridas por erros do passado. E o que temos então é apenas mais um ponto inconsistente na trama.

As idas e vindas no humor do casal divertiu e irritou em igual medida. No início elas envolveram o bastante para deixar o leve gostinho de quero mais, as briguinhas e implicâncias constante na relação dos personagens trouxeram uma leveza necessária ao já cansativo enredo, mas lá pelo final do livro se tornaram um agravante em uma relação tóxica e ultrajante. Eu já li histórias pesadas o bastante para deixar qualquer um de cabelo em pé, então não foram as brigas em si que me causaram desconforto, mas a frequência com que palavras duras e castigos físicos e psicológicos eram infligidos à Gillian como meio de punição.

“Ela estava linda com aquela roupa e o rosto todo manchado. Só desejava fazer amor com ela sem parar, até que Gillian se rendesse e prometesse que nunca mais se comportaria assim. Mas precisava castigá-la.”

Não quero dar uma de feminista aqui, afinal essa não é a intenção, mas essa leitura deveria proporcionar divertimento por meio de um romance doce e inspirador, e não incômodo. Eu tentei de todas as formas entender todo esse amor que Niall diz sentir, mas ficou difícil quando a única coisa que me chamava a atenção eram as lágrimas de Gillian ao ver seu lindo cabelo ser cortado à força, ao se ver de bruços levando palmadas na bunda mesmo enquanto se debatia, ao escutar por diversas vezes que era menos que uma prostituta. Pensei que a fórmula usada para domar a fúria tão latente nos dois amantes fosse o amor, mas me vi dividida entre tristeza e incredulidade.

E aqui uma última crítica. Diálogos fraquíssimos e extremamente teatrais. A narrativa é tal qual uma novela mexicana de péssima qualidade, os exageros são cômicos e desestabilizam qualquer seriedade que o enredo possa conter. Infelizmente finalizar essa leitura gerou um sentimento de tempo perdido. Uma história sem grandes atrativos, mesclados à personagens desinteressantes num looping infinito de idas e vindas banais, é um tiro no pé de qualquer leitor. Não vou dizer que você não deve ler, mas acho que existem livros melhores para passar o tempo.

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