Título Original:Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente
Autores: Igor Pires da Silva, Gabriela Barreira
Ano: 2017
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Amazon

Já diz o título que esse livro não deve ser lido rapidamente, cruel demais segundo os autores, que possuem também outras redes sociais para compartilhar conosco sua dor e sofrimento por meios das mais belas linhas. Por que a tristeza é um sentimento tão intenso quanto a alegria, e as guerras internas tão viscerais quanto a paz que almejamos avidamente. E se esse livro é doloroso demais para ser devorado, então decididamente sou masoquista. Impossível é ser tocado logo na primeira página e não querer ainda mais profundidade. Impossível é ver sua própria alma logo no primeiro texto e não querer se desnudar ainda mais.
Ler esse livro é como encontrar um amigo que te compreende, e apesar da crueldade existente nas palavras verdadeiras e tocantes, é estranho admitir que deixa o dia até mais leve. Como se ver os próprios anseios impressos no papel, fosse capaz de exorcizar aqueles demônios que insistem em nos colocar para baixo diariamente. Fácil é chorar com as tragédias, difícil é transformá-las em poesia, mas o que você encontra nessa obra vai além de qualquer clichê já usado para descrever narrativas tão puramente inspiradas. Sabe quando você encontra aquele trecho exato que define tudo o que você é, que já viveu, ou que secretamente sente mas não tem coragem de dizer? Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente é esse trecho todo e muito mais.
“A dor surgia de assimilar que você era igual aos caras que encontrei por aí. De que você poderia ser diferente de todos eles mas que, mesmo assim, preferiu ser igual.”
Cada texto tocará uma parte diferente de você, da sua vida e da sua realidade. E você vai querer que esse livro seja uma pessoa que possa ser abraçada, um objeto de tamanho bem pequeno para ser guardado num potinho, um amante ardente para ser amado desesperadamente, uma criança de colo para ser carregado para todos os lados, aquela música favorita para fazer parte da sua trilha sonora, aquela comida gostosa capaz de saciar mesmo o mais esfomeado…  Porque não basta lê-lo, você quer estar dentro dele e quer que ele esteja dentro de você. Eu li no ônibus, e na faculdade, e na fila do banco e até mesmo no trabalho, e simplesmente não conseguia me desprender. Eu tentei seguir o conselho tão explícito visualmente mas fui incapaz de fazê-lo. Eu virei a última página querendo recomeçar e recomeçar e principalmente compartilhar essa obra prima com o mundo.
“A metáfora é que quanto mais luz, mais dor. Você era um raio solar em pleno meio-dia em horário de verão.”
E descrever o motivo para essa fixação pode ficar repetitivo, e eu poderia usar ainda mais definições. Poderia tentar convencê-los a correr pra livraria mais próxima e adquirir um exemplar, mas minhas débeis palavras podem não ser suficientes para isso. Uso meus trechos favoritos nessa resenha/desabafo para que ele mesmo mostre a que veio, para que fique claro que esse é o tipo de coisa que você deveria dar de presente e ganhar de presente, porque ele é um elogio à sinceridade, à vida e ao amor, mas principalmente à dor. Porque encontrar beleza mesmo na morte é para poucos e conseguir externá-la com tanta sutileza é ainda mais surpreendente. Não é romantizar que se chama , é olhar para a dor do outro com empatia e ainda assim conseguir mostrar é que possível ser grato pela vida que fica.
“Tudo ao redor parecia menor poque nosso amor parecia grande demais, alto como o maior pico da pequena aventura de uma montanha-russa. Eu sabia, em determinado momento, que a volta seria impiedosa e dolorida.”
Se eu pudesse dizer ainda mais, certamente diria, mas me faltam argumentos coerentes para continuar, pois amar é viver em constante loucura e não posso nomear de outra forma minha relação com esse livro.
“Você não saberá, não pela minha boca, que gostei mais de você do que dos outros caras. Que em mim você ardia mais do que ardiam os piores dias aos quais sobrevivi. Que você encaixou seu corpo no meu, mas o que eu esperava mesmo era que toda a fala, o verbo e a língua estivessem na mesma frequência cardíaca e humana. Estou escrevendo na própria pele pra não enlouquecer e não ir até sua casa gritar que você mexeu comigo como nenhuma outra pessoa seria capaz. Escrevo na própria pele senão corro até você e peço pra você ficar ainda que saiba da partida.”