Título Original: The Light We Lost
Autora: Jill Santopolo
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Amazon – Saraiva

O que você faria se encontrasse no mesmo dia, o grande amor da sua vida e o objetivo real por trás de sua existência? Lucy e Gabe descobriram o amor em 11 de Setembro de 2001. Em meio a uma cidade ardendo em chamas eles só conseguem pensar no quanto a humanidade é vulnerável, no quanto ela carece de amor, em quantas pessoas perderam alguém que amavam sem ao menos um adeus. 
Essa constatação fez brotar em ambos um sentimento de urgência… era preciso se entregar de corpo e alma às emoções, se abrir para a recém descoberta conexão. Um evento que marcou tantas vidas com grande sofrimento, uniu duas almas por toda uma vida. Porém com a mesma força de um soco no estômago eles também percebem que precisam oferecer ao mundo mais do que bens materiais frágeis e supérfluos. Surge ali o forte desejo de devolver à humanidade, mesmo que em pequenas doses, a luz que se perdeu.
Duas pessoas que se amam profundamente agora precisam lidar com o fato de que há boas escolhas, e escolhas excelentes. A ambiguidade da vida consiste em seguir um caminho e inevitavelmente abrir mão de outro e é nesse cenário que Lucy e Gabe percebem que precisarão dar adeus um ao outro se quiserem alçar voo, se quiserem ser tudo aquilo que um dia prometeram diante da cidade que sangrava. Mas será que é possível alcançar a plenitude quando apenas parte de você vive? Uma história que fala sobre aquele tipo de amor que transcende as superficialidades cotidianas da paixão, onde uma escolha pode mudar o mundo, mesmo que apenas o seu, e sobre os sacrifícios que fazemos em nome dos sonhos.
Apesar do desgosto com a história e seus personagens, não seria justo ignorar a qualidade literária da obra de Jill Santopolo. Talvez a maior dificuldade nessa resenha seja justamente separar minha percepção pessoal da imagem que gostaria de passar a vocês sobre esse enredo, que tem poucos pontos negativos a serem mencionados, não fosse a essência da trama em si. 
Ela não é dada a exageros e nem traz mais um daqueles clichês que encontramos abarrotando as prateleiras das livrarias, na verdade, é apenas real demais para despertar os bons sentimentos que esperava evocar enquanto lia. Dramas todos vivemos e algumas vezes até gostamos de chafurdar neles enquanto lemos. Existem aqueles que nos fazem chorar copiosamente e aqueles que nos fazem refletir sobre o sentido da vida, os mais intensos nos fazem agradecer por estamos na segurança do nosso lar enquanto os personagens que amamos dão a cara a tapa e enfrentam seus infernos pessoais. Mas contrariando todas as expectativas, “A Luz que Perdemos” não se enquadra em nenhuma das situações acima.
Se eu tivesse que descrever o que essa leitura me despertou em apenas uma palavra seria: frustração. Um sentimento crescente de impotência me incomodava enquanto lia mais e mais páginas recheadas de idas e vindas, decisões tomadas às pressas e incertezas atrás de incertezas. Revivi meus temores, minhas decepções e mais uma vez, me vi cara a cara com escolhas do passado. Será que fiz certo? Será que valeu à pena? Deveria ter feito diferente?
Nossos protagonistas precisam decidir a todo instante entre viver um grande amor, ou seguir os próprios sonhos e para tal não há respostas certas ou erradas, mas você sente que qualquer caminho que eles tomarem não levará a plenitude de nada. Eles estão presos um ao outro emocionalmente enquanto são instigados por seus desejos que de certa forma os distância. Foi absurdamente sufocante viver essa trajetória ao lado de Lucy e Gabe e eu não me sentia tão ansiosa assim desde a leitura de “Um Dia”. 
Posso dizer que a narrativa da nossa protagonista também não foi das melhores, repetitiva, deixou a trama cansativa. A fixação dela por Gabe, as constantes comparações entre ele e outros homens foi extremamente desagradável. Ele por sua vez, não teve o carisma necessário para manter tal adoração e química entre eles foi praticamente inexistente. Os sentimentos não convenceram.
“Nunca senti que você me pertencesse. Sempre me pareceu que você pertencia a si mesmo, que só me emprestava quando você queria, que nunca fui completamente dona de você.”
O amor como descrito nesse livro, não é bonito e apaixonante como aqueles que nos emocionam nos romances anunciados. Aqui ele exige sacrifícios demais e se torna um empecilho que ata dois opostos enquanto eles desesperadamente tentam se afastar e lutam por esquecimento. A vida segue em frente, muda e se expande, mas aquele sentimento egoísta permanece atrelado ao coração deixando um gosto amargo nas vitórias que foram comemoradas sem que aquela pessoa estivesse presente, nas experiências que foram vivenciadas longe daquela pessoa que era a mais importante. E conhecendo a história dessas duas pessoas que um dia foram tudo um para o outro, mas que agora não trazem o suficiente, você se pergunta se isso é mesmo amor ou se é apenas uma obsessão. Se é mesmo amor ou apenas o velho “e se” que assombra aqueles passados não resolvidos. Por que se é amor, eu não queria viver nada parecido nem em um milhão de anos.
“Espero que você encontre um amor assim, que seja absoluto e poderoso, que faça você se sentir meio louco. E, se você encontrar esse amor, agarre-o. Prenda-o. Ao se doar a um amor assim, seu coração irá sofrer. Será machucado. Mas você poderá se sentir imortal e infinito.”
Eu fiquei muito indignada e apesar disso e por causa disso, dá sim pra dizer que Jill Santopolo sabia o que estava fazendo enquanto escrevia. Se o livro desperta fortes emoções no leitor, mesmo que negativas, é porque ele atingiu seu objetivo. Ele envolveu, conectou e emocionou. E além de todos os motivos que já conhecemos, é pra isso que servem os livros, para escapar da realidade, mesmo que seja uma que não nos agrade. Tenho certeza que esse enredo vai ficar gravado em mim por muito tempo, e que os sentimentos agridoces que me acompanharam durante a leitura, também irão acompanhá-lo, mesmo que ao contrário de mim você ame tudo o que ver retratado. Sem spoilers, posso dizer que o livro teve o final que mereceu, um desfecho que se manteve fiel à atmosfera instaurada desde o início, foi praticamente um alívio virar a última página.

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