Título Original: Questão de Honra – A Face da Morte no Dorso de Um Cavalo
Autor: Yuri Belov
Ano: 2018
Editora: Novo Século
Páginas: 480
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Questão de Honra – A Face da Morte no Dorso de um Cavalo é o segundo livro do autor nacional, que escreve sob o pseudônimo de Yuri Belov, autor também Odalisca, ambos publicados pela Novo Século.
Tristan Drake, um ex-oficial das forças especiais britânicas, hoje é diretor de operações de uma importante empresa de arqueologia marinha de Malta. O Simbad Explorer, um de seus navios de exploração, em meio a uma missão para resgatar destroços do fundo do mar, acaba se envolvendo num inesperado e bastante suspeito ataque. Tendo sua tripulação ferida e exilada, não resta outra opção a Tristan do que aceitar a ajuda financeira de um Sheik indiano e de sua filha Ameerah.

Para saldar sua dívida depois da ajuda recebida, Tristan, com a ajuda do treinamento que recebeu na MI-6 nos tempos da Guerra Fria, se propõe em resgatar o filho do empresário, Khaled, um conhecido hacker que fora visto pela última vez no Paquistão. Para Tristan, sua missão é uma questão honra, porém ele não esperava que este resgate se transformasse em uma jornada muito maior, cheia de riscos e provações.

“Glória à deusa da guerra, aqui vão os gurkhas!”


Num primeiro momento, foi muito difícil para mim separar a imagem de Tristan da de Ethan Hunt, personagem que ganhou vida na pele do ator Tom Cruise. O estilo de vida, hábitos e até personalidade me lembravam ele, porém não demorou muito para que Tristan me convencesse que ele tinha suas próprias origens. 
Tristan é um personagem que se destaca, que impõe sua importância logo nas primeiras páginas. Por ser mais velho do que normalmente costumamos conhecer em grandes romances de espionagem, podemos perceber toda a experiencia tática que ele carrega em suas costas. Este detalhe contribui muito para o progresso do livro.  
A trama cresce exponencialmente, a missão que a princípio, parecia simples, vai tomando grandes proporções e quando percebemos, vemos Tristan envolvido em conspirações, conflitos políticos das guerras civis do Iraque e Síria como também rodeado por grupos extremistas. Por todo este caminho seguimos embalados pela narrativa de Yuri Belov, que com uma linguagem bastante simples, vai tecendo os acontecimentos, detalhando minuciosamente cada cena e preparando o leitor para a atmosfera de cada passo que o protagonista dá.

O livro tem um pouco mais de 450 páginas, mas devido ao ritmo frenético de acontecimentos, cenas permeadas de ação e as tramas conspiratórias que se desenvolvem, a leitura acaba ganhando um bom ritmo, instiga o leitor e te prende o suficiente para que ansiemos pelo desfecho da trama e como, nosso protagonista irá se sair depois de tudo.

Me alegro ao compartilhar com vocês que esta é a típica história que daria uma boa série de TV. A trama conversa muito com os conflitos que acontecem atualmente em nosso mundo. As reviravoltas e os ganchos que recebemos ao final de alguns capítulos carregam exatamente aquela atenção que desejos em toda boa série produzida. Além é claro, de apresentar um protagonista que provavelmente irá cativar muita gente. Os cenários explorados por Yuri Belov também são estonteantes e contribuem para a imersão da história. 
Ao longo dos capítulos viajaremos pela Europa, Oriente Médio e China. Eu particularmente adorei este dinamismo da história que não se prende apenas a uma locação. Perceber novas culturas durante a leitura, dá a sensação de que o autor fez um trabalho bastante amplo de pesquisa para dar vida a sua obra e sem dúvidas isso é se admirar. Também existem diversas notas de rodapé que ajudam o leitor em certas citações.
O que rege um bom livro de ação é a habilidade do autor de articular os fatos, de envolver o leitor e convence-lo de que mesmo dentro de um livro de ficção, aquilo possa ser muito real. Neste quesito se atinge o êxito aqui. 
Yuri Belov, conforme sua biografia, já trabalhou em diversos lugares no Brasil e também no exterior, como a própria África e América Latina. Além disso é um estudioso da história militar, medieval e de mitologias. Sem dúvidas, Questão de Honra foi gerada por boas mãos, uma mente enriquecida por detalhes e tramas que todo bom romance de espionagem precisa ter, sem deixar de flertar com a crítica social de um mundo permeado de guerras, injustiças e disparidades. Além disso, criou um personagem forte, que convence o leitor protagonizando cenas eletrizantes. Segue a dica para todos que apreciam já renomadas franquias, como 24 horas, Missão Impossível e 007.

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