Título Original: Dragon Teeth
Autor: Michael
Crichton
Tradução: Marcelo Mendes
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
William Johnson é mais um dos arrogantes – que acreditam que a vida não pode lhes apresentar nada de que ainda não tenham conhecimento – jovens a integrar o grupo de estudantes da renomada Universidade de Yale. Proveniente de família abastada, e, embora de temperamento agradável e tolerante, o jovem delinquente foi capaz de afundar um iate, além de ser suspenso por apostar e abusar da bebida, tudo isso dentro dos domínios de sua instituição de ensino.
O comportamento errante e inconsequente do rapaz passará por uma drástica mudança devido a aposta que realiza com um colega. Para vencê-la ele deve ser capaz de unir-se ao grupo de estudantes que compõem a próxima expedição pelo oeste americano, promovida pelo professor Othniel Marsh, cujo objetivo principal é descobrir ossos de dinossauros, cujas espécies encontrem-se entre aquelas nunca antes vistas por olhos humanos.
Agora William Johnson embarca para a aventura de sua vida, sem imaginar que os trilhos do trem o levarão a conhecer a rivalidade existente entre Marsh e o professor Edwin Cope, além das verdades e mentiras contadas acerca das distantes terras do oeste americano. Com um piscar de olhos, o jovem estará sozinho em território desconhecido, sendo obrigado a proteger com sua vida fósseis raros, fugir de índios cruéis, esconder-se de olheiros, mas também descobrirá como encontrar bons companheiros em sua jornada de volta para casa.

“Aqueles fósseis eram os restos mortais das maiores criaturas que já haviam circulado pelo planeta, criaturas de que a ciência nem sequer suspeitava, de que a humanidade nunca tinha ouvido falar, e que assim permaneceriam se eles não os tivessem retirado das entranhas da terra”

Através de uma escrita cativante e absurdamente bem elaborada, Michael Crichton desenvolve um romance histórico que, apesar de todas as informações e elementos verídicos, destaca-se também por sua inegável e incrível aventura fictícia. Seu personagem principal, aquele que possibilita a construção de uma ótima história sobre o velho oeste, nunca existiu, porém, sua trajetória o coloca frente a frente com os paleontólogos renomados Othniel Marsh e Edwin Cope, além do homem que se transformou em lenda, Wyatt Earp. Mas minha aparição preferida de todo o livro não poderia ser outra se não a figura de Robert Louis Stevenson, cuja saúde e interesse amoroso direcionaram sua visão para os Estados Unidos.
Em meio a fatos verídicos, figuras históricas e acontecimentos que marcaram a trajetória de uma nação, o autor estabelece uma aventura de tirar o folego, capaz de prender o leitor do início ao fim. Apesar da arrogância inicial do personagem, sua personalidade logo vai sofrendo alterações, uma vez que os desafios que enfrenta promovem sua mudança de visão sobre o mundo e as pessoas, além de suas atitudes e pensamentos. O início da viagem pode ser – apesar de, verdadeiramente, não ser – tão monótono quanto uma longa viagem de trem, mas o barulho dos trilhos logo dá lugar a índios raivosos, perseguições turbulentas, tiroteios e diversos encontros com foras da lei.
Em minha primeira experiência de leitura, proporcionada pelo famoso mestre dos dinossauros, não poderia deixar de ressaltar o amor que senti ao virar cada página desta obra. É nítido o fascínio e carinho do autor por esses gigantes do passado, sua reverencia pelos fatos históricos que proporcionaram acesso ao conhecimento que hoje possuímos sobre eles, além do cuidado especial empregado na construção de uma história que, ao mesmo tempo em que apresenta curiosidades e eventos reais, também fosse caracteriza-se por uma maravilhosa e incrível aventura no velho oeste.
Michael Crichton me conquistou com sua escrita cativante, de ritmo crescente e acessível, com seu amor pelos dinossauros, habilidade na construção de narrativas, mas, principalmente, na certeza que tenho de que Dentes de Dragão é apenas a porta de entrada para um universo que me chamava há muito, muito tempo, o qual finalmente tive a oportunidade de ingressar e não tenho a menor pretensão de sair.

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