História é Tudo Que Me Deixou | Adam Silvera

Título Original: History Is All You Left Me
Autor: Adam Silvera
Tradução: Cristina Lasaitis
Ano: 2017
Editora: Hoo Editora
Páginas: 336
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Após a morte insperada do seu ex-namorado TheoGriffin precisa lidar com o luto. Seu comportamento um tanto obsessivo e depressivo, não o ajudam em nada no processo de superação. Mesmo com o fim do relacionamento - depois que Theo se mudou para Califórnia - Griffin ainda tinha esperanças deles voltarem um dia. Se o momento já não fosse triste o suficiente, ele descobre no velório, que Jackson, o namorado de Theo na Califórnia, está hospedado na casa dos pais de Theo. Informação suficiente para alimentar o imaginário de Griffin e suas paranoias. 

Na narrativa de uma História é Tudo Que Me Deixou acompanhamos dois momentos da vida de Griffin: em "Hoje", ele está passando pelo processo de luto da morte do seu ex-namorado, Theo; e em "História", conhecemos tudo o que aconteceu com os dois antes da morte de Theo, desde a amizade até depois do fim do relacionamento deles. Essas duas fases são intercaladas e conforme lemos os acontecimentos do passado, vamos juntando as pontas soltas do presente de Griffin.

Adam Silvera aborda no livro de uma forma muito natural algumas questões, como a revelação dos personagens para os pais de que eles são gays e os medos diante da nossa sociedade tão preconceituosa. Mas a história tem outros pontos centrais além da orientação sexual dos personagens, que qualquer pessoa independente da sua orientação pode se identificar.



Para começar, o romance entre Griffin e Theo é estupidamente fofo! Toda a magia do primeiro amor, a tensão de você contar para o seu amigo que gosta dele, o medo de ser rejeitado, as expectativas da primeira vez... todas as situações que ultrapassam a questão de gênero, orientação e até mesmo idade. Mas o fato de Adam Silvera trazer a representatividade de um casal gay na história é muito importante! Tanto para os héteros saírem da sua zona de conforto - afinal, também existem histórias lindas que envolvem personagens LGBTs -, mas principalmente para os leitores jovens gays, que podem se identificar com as situações que envolvem as descobertas dessa idade partir de personagens com a sua mesma orientação sexual.

Os transtornos mentais de Griffin também é outro ponto abordado no livro. Logo no começo da leitura, associamos a depressão de Griffin ao luto e não fica tão claro o que seriam algumas manias dele. Conforme conhecemos mais do personagem descobrimos que ele tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). As pessoas que tem esse transtorno tentam controlar constantemente situações que podem lhe causar mal-estar, mas na realidade vivem em um espiral de ansiedade. Abordar essa temática no livro, mostrando como Griffin parece preso a sua mente, que o puxa cada vez mais para baixo, é muito importante para quebrar os estigmas que envolvem as doenças mentais. Por mais que a internet tenha um papel importante na conscientização dessas doenças, ainda é interiorizado em nossa sociedade que esses transtornos não passam de frescura.



A obsessão e dependência do Griffin pelo Theo chega a incomodar em determinado momento, mas é de extrema importância para entendermos um pouco de como funciona a cabeça de quem tem TOC e sermos capaz de ter mais empatia pelas pessoas que sofrem do mesmo transtorno na vida real. A escrita de Adam Silvera é muito envolvente e isso ajuda bastante a nos aproximarmos de Griffin e suas dores.

Esse é um dos motivos que me faz gostar tanto de da literatura jovem-adulta. Em uma palestra, a Frini Georgakopoulos (autora do livro "Sou Fã! E agora?") falou sobre como os livros desse gênero conseguem falar sobre temáticas que não são tratadas no que algumas pessoas classificam de "alta literatura". Ao que parece, a falta de valorização desse gênero literário faz com que os autores tenham mais liberdade e consigam tratar com temas como os que o Adam Silvera aborda em História é Tudo Que Me Deixou

Essa foi a minha primeira experiência lendo um livro do autor. Apesar de ter sofrido bastante ao lado de Griffin - e algumas horas querendo dar um tapas da cara dele -, os momentos fofinhos fizeram com que tudo valesse a pena. Eu não quis entrar tanto na história e como os outros personagens acabam influenciando em tudo, porque a graça em ler o livro está justamente em descobrir que história é essa que ficou.

6 comentários

  1. Puxa, primeira resenha que leio deste livro, aliás, nunca nem tinha ouvido ou visto alguma coisa sobre ele. Mas fiquei encantada com tudo que li acima. Tratar não somente o romance Lgbt desta forma delicada, doce e real, mas também trazer outros sentimentos no pacote, a perda, família e este transtorno, que muitas vezes, pode ser confundido sim, apenas como parte do luto.
    Com certeza, vai para a lista de desejados!!!
    Beijo

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  2. Oi, Nina,

    Acredito que esse é um livro que eu iria apreciar muito, pois o mesmo parece ser intenso - capaz de mexer com as emoções do leitor, ao o autor se aprofundar na vida dos personagens.

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  3. Oi Nina,
    Já li romances homossexuais, mas é a primeira vez que vejo um que explora uma parte mais sentimental do relacionamento e das personalidades dos personagens, fazendo com que qualquer leitor consiga se identificar com este livro. Saber que a relação começa com uma amizade e se desenvolve para um amor me deixa curiosa para entender o que aconteceu entre eles e causou o término da relação. Griffin é um personagem complexo e seus transtornos trazem muita realidade para a trama e faz com que a leitura tenha muito mais a nos mostrar além do relacionamento. É importante ter mais livro assim e não só voltado para o público jovem adulto, mas para todas as idades.

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  4. Achei a capa do livro tão linda! O enredo não tem nenhum elemento espetacular, e mesmo assim acho que fala por si só. Acredito ser muito importante abordar temas como os que o autor representa aqui, uma vez que eles são de extrema relevância se pensarmos, principalmente, no público-alvo desse tipo de livro. Eu também adoro o gênero e tenho certeza de que iria me emocionar com a história.

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  5. Li um romance homossexual e gostei muito, gostaria de ler mais, esse chamou minha atenção ainda mais por abordar o transtorno mental do personagem, ainda não li nenhum livro que abordem transtornos e fiquei interessada em saber mais sore o assunto. O romance dos personagens deve dar aquela sensação gostosa das primeiras descobertas e uma boa relembrada no tempo, quando passamos por isso.

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  6. Olá Nina!
    Nossa que livro lindo, eu não tinha conhecimento dele ainda...
    Li um livro até hj que se tratava de um relacionamento homossexual, curti mto, é claro que agora quero conhecer este tbm, a história parece prender a gente até o fim da leitura, gostei muito de ler sua opinião sobre o enredo, espero ter oportunidade de ler.
    Bjs!

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