A Parte Que Falta | Shel Silverstein

Título Original: The Missing Piece
Autor: Shel Silverstein
Tradução: Alípio Correa de Franca Neto
Ano: 2018
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 112
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A Parte Que Falta de Shel Silverstein tem uma história e traços bem simples. Publicado originalmente em 1976, o Grupo Companhia das Letras trouxe através do selo Companhia das Letrinhas esse ano para o Brasil. Mas se engana quem pensa que esse livro foi feito só para crianças. Apesar de ser publicado por um selo infantil, ele é recomendado para todas as idades e para todos que se sentem perdidos em sua jornada através da vida. 

Acompanhamos a incessante busca de um ser, pela parte que lhe falta. Ao longo do caminho, ele encontra diversas barreiras, um caminho cheio de altos e baixos e tenta encaixar diferentes formas nessa parte que lhe falta, sem perder a chance de conhecer o universo ao seu redor, as pequenas coisas que lhe deixam feliz. Porém, ao longo de seu caminho, nenhuma parte que ele encontra parece encaixar direito. Pelo menos até o dia que ele encontra a parte que lhe parece ser perfeita.

Quem olha sem atenção pode achar que se trata apenas de uma historinha sobre uma bolinha rolando por aí. Na realidade, é uma fábula moderna que questiona o sentimento de realização. Apesar de muitas pessoas apenas associarem a realização no sentido amoroso - a velha frase "em busca da outra metade da laranja" -, eu vejo esse livro para algo que vai muito além da dependência amorosa.   

"Não sou a parte que te falta. Não sou parte de ninguém. Sou parte completa."

A Parte Que Falta leva a questionar não apenas essa busca em relação ao outro que possa nos completar, mas a tudo em nossas vidas. Nós vivemos constantemente tentando preencher os vazios com algo que está para além de nós, sempre nos colocando diante da vida não apenas como incompletos, mas imperfeitos. E mais que isso, sempre buscando essa perfeição em algo externo a nós. 

A grande crítica, ao meu ver, dessa busca pelo ideal do "ser completo" é a sua característica utópica. Tanto no sentido  de que supostamente vamos nos sentir felizes, completos e plenos ao conquistar aquilo que nos falta, como o fato de que essa busca nunca termina. E será justamente nessa jornada pela realização que mais aprendemos e podemos nos sentir "completos" diante das nossas "incompletudes" (se é que isso realmente faz sentido). 

Shel Silverstein tem um talento nato para ilustrar e narrar histórias de forma simples, nos fazendo pensar sobre questões muito complexas de forma sútil. Ainda utilizando os personagens dessa história, em 1981, ele lançou um livro com o círculo e a "parte" falando sobre diferenças e compaixão. Esse livro também foi publicado pela Cia. das Letrinhas esse ano com o título A Parte Que Falta Encontra O grande O.  

Vale também destacar o trabalho editorial da Cia das Letrinhas. O livro é em capa dura e o seu acabamento faz dele o tipo de livro que dá gosto de ter na estante, além de ser um ótimo presente, pois ele consegue proporcionar significados diferentes para diferentes pessoas, tudo depende do momento que você concluir a leitura. Pois afinal, em nossa jornada é normal se sentir incompleto as vezes e tudo bem.

11 comentários

  1. Respostas
    1. Ótimas palavras que definem muito bem o livro, Santiago :)

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  2. Somos seres completos. Mas que não faço ideia dos motivos, nos sentimos tão incompletos. Uns mais, outros menos. Mas sempre com esta sensação de que falta algo, por menor que seja.
    Este tipo de livro que remete a estas reflexões tão intensas e internas, são fascinantes.
    Espero ter e ler este livrinho tão grandioso em ensinamentos!
    Beijo

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    1. Esse é o tipo de livro que fale muito a pena ter na estante, uma leitura rápida, que atende a todas as faixas etárias e que nos faz refletir bastante <3

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  3. Oi Nina,
    Nunca julgue um livro pela capa, título ou premissa, pois são esses que nos surpreendem. Tento sempre manter isso em mente, para poder ter experiências diversas com a literatura e A parte que falta é um bom exemplo. Por ser um livro voltado para o público infantil é fácil julgarmos o conteúdo mesmo que, na maioria das vezes, os livros infantis venham dotados dos mais incríveis ensinamentos e lições. Shel Silverstein quis mostrar de forma simples a importância de conseguir se sentir realizado mesmo quando ainda não alcançamos todos os nosso objetivos, mesmo quando ainda sentimos que nos falta algo. É importante que este tipo de pensamento seja ensinado desde cedo, pois assim a vida adulta será mais fácil de se levar. Adorei a proposta deste livro e, com certeza, lerei se tiver a oportunidade.

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    1. Gi, você resumiu bem tudo o que esse livro quer passar <3

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  4. Que bacana a proposta desse livro, já quero conhecê-lo. Todos nós buscamos a felicidade e nossa razão para continuar vivendo e ir atrás de nossos sonhos. Quando encontramos alguém para compartilhar isso e quando a pessoa corre atrás junto com você, é a melhor coisa. O importante é nos sentirmos bem consigo mesmos, isso não tem preço, e eu digo em todos os sentidos da vida!!

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  5. Já li comentários tão fofinho desse livro que não tem como não querer ler, acho que justamente pela linguagem simples ele atinge a todos. A frase que tu destacou já mostra o nível dessa leitura, parabens pela percepção.

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  6. Olá, confesso que achei a trama um pouco complexa para as crianças (até eu fiquei um pouco confuso), porém é inegável que o autor aborda essa necessidade de busca para fazer o leitor refletir. Pela minha interpretação um dos pontos enfatizados é a insatisfação que temos diante de qualquer situação, uma vez que sempre arrumamos algo necessário que ao ser adquirido também não passa o sentimento de satisfação, e esse processo ocorre num circulo vicioso. Beijos.

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  7. É uma leitura muito reflexiva, principalmente porque é verdade estamos sempre em busca de algo e as vezes nem sabemos ao certo de que, nunca estamos satisfeitos com nada e sentindo uma sensação de vazio. A historia deve ser uma graça e simples mas que mexe com nossos sentimentos e pensamentos.

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  8. Olá Nina,
    Em um primeiro olhar confesso que imaginei que fosse infantil, mas depois de ler algumas críticas vemos o quanto ele nos faz pensar, refletir, até mesmo sobre essa metade da laranja. É engraçado que em todos os momentos da vida buscamos encontrar essa metade, em todos os momentos da vida, seja em uma amizade, no amor, em tudo ...
    Achei bacana demais a proposta, é um dos meus livros desejados.
    Beijos

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