Criado por: Rebecca Kirsch, Manny Coto, Jeremy Slater
Com: Alfonso Herrera, Ben Daniels, Geena Davis
Gênero: Drama; Terror
Duração: 12 episódios – 42 minutos
Lançada em 2016, a série O Exorcista retoma a história que ficou mundialmente conhecida como um dos filmes de terror mais lucrativos de todos os tempos. Em 1973 chegava aos cinemas a adaptação do livro homônimo do autor, produtor e roteirista William Peter Blatty. 
Levemente baseada na obra original, O Exorcista se enquadra como uma sequência da história, descartando a ideia de que a série de TV seria um remake. Aqui conheceremos Tomás Ortega (Alfonso Herrera), um jovem padre de uma pequena paroquia de Chicago. Do outro lado, temos Marcus Keane (Ben Daniels), um padre obcecado por sua missão religiosa e que atua nos cantos mais precários da Cidade do México. Os destinos de ambos se cruzam quando a Família Rance, que frequenta a paróquia de Tomás, apresenta, aparentemente, um caso de possessão demoníaca. Aqui inicia a jornada de dois padres, que nada possuem em comum, mas na luta contra o mal, precisarão unir forçar para salvar Casey Rance
Com 12 episódios, O Exorcista sabe envolver o público com um terror psicológico acurado. Nós já sabemos da existência do mal em sua pior face, como tornar isso ainda mais assustador? É desta forma que a série de TV consegue emplacar os primeiros episódios da temporada. Ao mesmo tempo conhecemos também os personagens e suas amenidades, e a rotina simples da jovem adolescente que não fez nada de ruim para merecer tamanho castigo. Sem dúvidas, Jeremy Slater soube dar corpo ao enredo, construindo episódio por episódio até o ápice da história.
É até difícil comentar sobre as grandes reviravoltas da história sem soltar um importante e decisivo fato, que sem dúvidas, vai deixar qualquer um de cabelos em pé. Mas posso afirmar que fãs da obra de 73 se sentirão presenteados, pois o modo como a série te guia para esta ligação é muito sutil, fazendo que a revelação seja surpreendente. Genial sem dúvidas. 
Tudo ia bem até o final da season, que na minha opinião, foram bem abaixo do esperado. Principalmente se comparados a qualidades do que eles haviam apresentando. O último episódio foi estranho, com alguns furos e pouco palatável. Tal fato talvez tenha me desmotivado em partir para a segunda e última temporada, pois a mesma não foi renovada para uma terceira, visto a baixa audiência. 
Para um novo público, é interessante saber o modo como a “possessão evoluiu” também. O Exorcista de 73, se analisado nos dias de hoje, mesmo o relançamento de 2000, pouco impressiona. Sabemos que a tecnologia para efeitos especiais era apenas um bebê engatinhando na época, portanto, muita coisa ainda era bastante mecânica e pouco expressiva. Mas na série as sequências de exorcismo, de fato, impressionam mais, obtendo mais êxito no quesito de assustar o seu público. O fato da atriz que interpreta Casey (Hannah Kasulka) já ser adulta e não uma criança, também dá um pouco mais de liberdade para os roteiristas.
A série também não se limita apenas ao núcleo da Família Crane e isso realmente roubou minha atenção. Conheceremos muito da vida dos dois padres, principalmente de Tomás que vive numa eterna negação quanto a um antigo amor. Conflitos entre sua fé e vocação são sempre abordados e logo estamos julgando o personagem pelas suas atitudes. É como se o pecado vivesse o tentando, uma abordagem com certeza polêmica. Aliás, ambos os padres não são nem um pouco tradicionais e isso só contribui para o crescimento da trama.
O segundo núcleo fica a cargo de uma espécie de seita que tem como objetivo colocar no poder, pessoas que aceitaram para si a possessão. A integração, que seria a entrada definitiva de um demônio em seu próprio corpo. Este é outro ponto interessante, assim como toda a política envolvendo as diferentes hierarquias da Igreja Católica, como o exorcismo é tratada ou “não tratado” dentro dela.
Para finalizar, é preciso comentar sobre o debate que se encontra nas camadas mais rasas da série, mas que não deixa de ser um ponto interessante de ser analisado. A descrença das pessoas quando confrontadas com um caso de possessão. Mesmo sendo uma ficção, a série retrata bem os diferentes tipos de reações, sejam elas replicadas pela população ou também pela mídia. Muitos acreditam cegamente, outros duvidam, outros nem se quer se importam. Nada tão diferente da nossa realidade, certo?

Em suma, apesar do decepcionante último episódio é um fato que O Exorcista é muito bom, é uma história que cresceu dentro de um clássico e que criou sua própria identidade. Afinal, recriar algo tão icônico seria completamente injusto, porque não abrir novas portas dentre de uma vertente tão fértil e cheia de possibilidades? É isso que a série faz. Aqui temos uma ótima história de terror e suspense, que possui seus errinhos, mas que convence ao tomar seu espaço.

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