Sem Volta | Charles Burns

Título Original: Last Look Trilogy #1-3
Autor: Charles Burns
Tradução: Diego Gerlach
Ano: 2018
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 176
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Sem Volta é um encadernado que inclui os três gibis lançados pelo cartunista Charles Burns, entre 2010 e 2014, nos Estados Unidos, e agora chega ao Brasil pelo selo da Companhia das Letras, o Quadrinhos na Cia. 

Doug é um garoto jovem, recém saído da adolescência, com um cabelo arrepiado, digno de Tintim, é o personagem principal de uma graphic novel muito louca e cheia de metáforas. A Graphic Novel conta a história desse personagem, mostrando informações da sua vida, momentos importantes, como a doença do seu pai e a sua paixão pela jovem Sarah.

A história fala muito sobre amor, sobre perdas, sobre momentos que nunca mais irão voltar para a vida de Doug e principalmente de decisões que ele precisou tomar para seguir sua vida e as consequências que elas geraram. Acima de tudo, fala também sobre os encontros e desencontros que um amor pode gerar. Entretanto, o enredo da história me pareceu muito atrapalhado. Não se sabe o que é sonho do personagem e o que é a realidade da vida dele. A parte que parece ser sonho, é bem bagunçada e tem pouco sentido, a não ser algumas metáforas que dá para pegar com facilidade.

Sem Volta tem uma carga emocional muito forte, mas achei que a parte metafórica atrapalhou muito a história principal. Queria ter visto mais sobre a vida de Doug, saber com mais detalhes até outras relações que ele teve ou viria a ter, ou como ele sentiu realmente o baque da perda do seu pai e como a sua vida, as vezes, não faz sentido, ao invés de ver algumas cenas absurdas e completamente dispensáveis em sonhos completamente fantasiosos. Estes trechos apesar de apresentarem algum sentido acabam apresentando metáforas que seriam muito melhores se feitas de outra maneira, eu também gostaria de ter visto mais sobre a história de Sarah, que possui uma vida complicada, com problemas em relacionamentos anteriores e que tem um reflexo imenso tanto na vida dela como na de Doug.


Senti também um pouco de influencia de uma obra de Neil Gaiman chamada Lugar Nenhum, principalmente no início da história quando Doug vai para um mundo desconhecido e se quer sabe onde está e as regras do lugar. A referência aos quadrinhos de Tintim também é evidente, já que Doug tem praticamente a mesma aparência do personagem de Hergé.

Charles Burns é o mesmo autor de Black Hole e o estilo de ilustração é bem parecido. Um exemplo disso se faz quando o quadrinista precisar retratar o protagonista de Sem Volta, enquanto relembra de sua adolescência. Nestas cenas percebe-se o mesmo estilo de cabelo e de roupas que um dos personagens principais da outra Graphic Novel possui. Isso é uma característica de Charles, mas particularmente, as ilustrações como um todo são impecáveis, o estilo de desenhos que eu mais gosto em HQs, figuras claras, cheias de expressões importantíssimas para a obra, e diferentemente de Black Hole, desta vez as ilustrações são coloridas. Eu sinto que isso dá mais vida aos desenhos, passa mais realidade e as cores de Sem Volta são muito especiais, inclusive com alguns reflexos de sol e de luz muito bem representados também.


A obra é, até agora, o último trabalho de Burns. Quem gostou de Black Hole não pode deixar de conferir esta obra, já que dificilmente veremos mais trabalhos desse maravilhoso autor tão cedo. 

É facilmente notável a mão e o estilo do cartunista em seu trabalho e quem leu Black Hole vai identificar isso com muita facilidade. Apesar das partes sem muito sentido da história, Sem Volta é uma HQ sobre amor, sobre violência, sobre a dificuldade de tomar decisões e como essas decisões podem mandar no futuro da sua vida. 

Eu confesso que gostaria de ver mais sobre essa parte "humana" da história, ao invés da parte sobrenatural e cheia de metáforas, mas tenho certeza que a obra pode atrair leitores diversos, pois apresenta uma história de amor, cheia de loucuras desvairadas dignas de Charles Burns, tudo que você pode querer de uma Graphic Novel, e que você encontra novamente vindo das mãos desse artista.

13 comentários

  1. Minha experiencia com gibi é fraquissima, então seria bacana me aventurar por esse gênero. Mesmo sendo uma historia juvenil, gosto do ponto de vista que eles tem sobre as coisa, afinal cada idade, cada etapa tem seu prisma. Embora tu tenha sentido falta da narrativa explorar mais sobre o personagem, isso vai muito da visão de quem está lendo, o que me incomodou foi essas metáforas que tu citou, isso faz com que eu não entre verdadeiramente no historia, principalmente se eu não me identificar com ela. Outra questão é tu ter comparado com um livro do Neil, sei da grandiosidade desse autor, que é proporcional a dificuldade de entendimento de suas obras (ahahaha medo). Enfim, se eu tivesse oportunidade de ler esse gibi seria sair completamente da minha zona de conforto.

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  2. Bruno!
    Tenho achado fantástico as editoras trazendo HQs, acredito que tem conquistado muito leitores jovens.
    E ver uma HQ que traz o sentimento interior e as diversas emoções é simplesmente fantástico.
    cheiirnhos
    Rudy

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  3. Metáforas é algo complexo. O lance da interpretação e também o fator exagero, são pontos que podem sim, fazer o que seria muito agradável, ficar meio que sem sentido.
    Ainda não tinha visto esta Hq,mas vou confessar que por amar ilustrações, fiquei encantada com os traços perfeitos e o jogo de cores(puxa, eu adorei.rs) Deu um ar meio triste, nostálgico, bucólico.
    Por isso, mesmo com estes pontos negativos citados, se puder, quero sim, conhecer mais este trabalho espetacular do autor!
    Beijo

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  4. Olá, é perceptível que o autor se perdeu no meio termo entre o subentendido e a sobrenaturalidade, sendo que não fica claro para o leitor, pelo menos em alguns trechos da HQ, a direção que os personagens seguem e o por quê. Contudo, é inegável que o trabalho gráfico está muito bem feito, com traços e tonalidades que são bastante agradáveis aos olhos de quem lê, ainda mais pelas influências que foram utilizadas. Beijos.

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  5. Nunca li nada do autor, mas adoro HQs e acredito que são sempre leituras gostosas de se fazer. Mesmo quando a história é cheia de metáforas e um pouco confusa em alguns momentos, como parece ser esta! Adorei os traços!

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  6. Tenho lido recentemente muita coisa de gibis, quadrinhos e tenho curtido. Achei interessante a referência a obra Lugar Nenhum do Neil Gaiman, pois li e gostei muito.

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  7. Olá! Eu admirei muito o trabalho apresentado em Black Hole e não sabia deste do mesmo autor. Entendo quando você diz que queria ter visto mais sobre a vida do personagem e suas relações, do que a parte mais fantasiosa da história. Acredito que talvez pelo menos essas partes de sonhos e fantasias fosse mais determinadas,e encaixadas como um complemento da vida dele, talvez ficaria mais legal. Eu não tenho o hábito ferrenho de ler graphic novels, mas tenho gostado das experiências que tive. Doug me lembrou mesmo Tintim, e acho isso até confortável. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx

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  8. Black Hole está na minha lista para comprar, depois de ler essa resenha fiquei com vontade de ler esta também!! A história de Doug nos traz altos e baixos, podemos acompanhar um pouco de sua vida e as decisões que tomou, bem interessante de se ler!!

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  9. Não li nada do autor, não sou de ler essas Hqs falta de oportunidade mesmo, mas adoro quando as ilustrações são coloridas acho que da mais vida as imagens, os temas abordados são importantes principalmente da dificuldade de tomar decisões, que faz parte das nossas vidas, sempre temos que decidir algo e tem suas consequências.

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  10. Oi, Bruno!!
    Gosto muito de HQs principalmente por que gosto de como história é retratada nos traços das ilustrações, só que infelizmente ainda não tive oportunidade de ler nenhuma Graphic Novel recentemente, mais estou bem interessada em adquirir Black Hole.
    Bjos

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  11. Leio bem pouco HQs, mas tenho desejo de conhecer mais autores e obras. Já tinha ouvido falar de Black Hole, mas este ainda não, parece ser bem sentimentalista.

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  12. Não tenho o costume de ler HQ's, uma HQ que peguei pra ler foi The Walking dead, gosto da série e dos livros.
    Eu sei bem esse sentimento que vc falou que querer conhecer mais o lado "humano" da história, não sei se conhece e leu "O caminho do poço das lagrimas" do autor brasileiro André Vianco, eu li e fiquei com esse mesmo sentimento que vc disse.

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  13. Oi Bruno,
    Não tenho hábito de ler grafic novels, mas sempre fico interessada em recomendações do gênero. Sem volta apresenta um enredo que parece simples, mas com uma boa história para ser contada. A vida de Doug tem muito da realidade de muitas pessoas e isso faz com que muito leitores possam se identificar com o personagem. Mas, a forma como o autor escolheu contar essa história, aparentemente a deixou um pouco confusa e muito fantasiosa, o que pode vir a atrapalhar o envolvimento do leitor durante a narrativa. As referências citadas mostram o quanto o autor tem uma boa bagagem e faz uso disso notavelmente, pois Tintim e Neil Gaiman são nomes facilmente reconhecidos. Gostei do traço da HQ e as cores, realmente, deixam tudo mais real.

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